A semana de 13/10 começou com indícios de melhoras na economia global. Era a quinta semana depois da falência do banco de investimento Lehman Brothers, em meados de setembro. A reação foi efeito de um encontro às pressas que reuniu governantes de 20 países da zona do euro e dos grupos G7 (Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, França, Alemanha, Itália e Japão) e G20 (países emergentes). Mas a euforia inicial não durou muito e, com oscilações constantes, o comportamento do mercado foi marcado por incertezas. Menos mal que a semana não foi tão dramática quanto a anterior, de 6/10. No Brasil, a Bovespa obteve ganho de 2,22% nessa sexta-feira, fechando o período com perdas de apenas 0,12%.
Na Europa, leve alta após cinco dias voláteis. A Bolsa de Londres fechou a sexta-feira com crescimento de 5,22% na cotação das ações; Frankfurt avançou 3,43% e Paris, 4,68%. Na Ásia o cenário permanece inconstante. Enquanto a Bolsa de Tóquio e de Xangai deram sinais de melhora com alta de 2,8% e 1,08% - respectivamente -, Cingapura amargou queda de 3,73%. Depois de uma quinta-feira animadora, as bolsas americanas voltaram a cair. No dia do fechamento semanal, o índice Dow Jones perdeu 1,41%, enquanto a Nasdaq recuou 0,37%.
Injeção de recursos
Para acalmar o mercado financeiro, governos continuam a injetar dinheiro na economia. No final de semana (11 e 12/10), representantes da eurozone (países que adotaram o Euro como moeda) se comprometeram a liberar US$ 2 trilhões. Os esforços não páram. Como parte do pacote de US$ 700 bilhões aprovados pelo Congresso, o presidente dos Estados Unidos destinou US$ 250 bilhões para compra de ações instituições bancárias, já na terça-feira (14 de outubro).
No mesmo dia, Paul Krugman – ganhador do prêmio Nobel de Economia desse ano – observou que os investimentos anunciados podem ter colocado a crise financeira global em um ponto próximo à hora da virada. “Finalmente”, afirmou o economista, “os governos anunciaram um plano melhor, mais forte, mais bem concebido do que eu esperava”.
Montanha-russa global
Mas a alegria durou pouco. A economia voltou a vacilar na quarta-feira, quando a Bovespa fechou em queda de 11%, a maior registrada nos últimos dez anos, precisando acionar pela quinta vez o circuit breaker em menos de vinte dias.
A baixa refletiu insegurança a respeito da saúde econômica norte-americana. O sinal de alerta foi ligado depois que o presidente da unidade de San Francisco do Banco Central dos Estados Unidos disse que o país entrara em período de recessão. A afirmação baseou-se no não-crescimento verificado na economia durante o último trimestre. Colaborou para o desespero a retração de 1,2% do comércio varejista do País.
Mais pacotes são anunciados. Dessa vez, foram os governos asiáticos que se movimentaram. Japão, China e Coréia do Sul criaram um fundo conjunto para lidar com a situação. Não adianta muito, pois a estrutura segue rachando. Na quinta-feira, a Bolsa de Tóquio retomou o pessimismo da semana passada e mergulhou para queda de 11,4%, maior depressão em um único dia desde o crash mundial de 1987, quando os negócios recuaram 14,9%.
Assimilando o golpe
O cenário instável que se arrasta há cinco semanas fez o governo brasileiro rever a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto de 2009. A perspectiva inicial de evolução foi rebaixada dos iniciais 4,5% para 3,8%. Analistas projetam expansão entre 2,6% e 3,5%, sobre uma base de inflação fixada na meta de 4,5%, a mesma definida para este ano.
Fonte: decisionreport.com.br
Aos trancos, mercado financeiro chega à 6a. semana da crise
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