Atuação dúbia dificultou a reeleição de vereadores

14:40

A renovação da Câmara de Bauru está relacionada à atuação dúbia dos vereadores no atual mandato. Essa é uma das constatações do professor Celso Zonta, especializado em psicologia social. O Legislativo de Bauru trocou 80% dos vereadores para a próxima legislatura. De 15, só três se reelegeram para o mandato que se inicia em 2009, cuja composição teve acréscimo de uma cadeira: 16.

“A atual Câmara não correspondeu às expectativas do eleitor”, opinou a professora de ciência política Maria Teresa Kerbauy, do câmpus da Unesp. O comportamento do vereador e a fraca atuação são dois aspectos que influenciam na avaliação do parlamentar, segundo Zonta.

Ele observa que a renovação foi genérica, atingiu do vereador menos ao mais atuante. O professor discorda da tese de que os vereadores sofreram os efeitos do desgaste política da administração municipal, por isso não se reelegeram.

“Não acredito que o desgaste do prefeito teve influência, a Câmara foi oposição ao governo municipal. Sempre havia mudanças (propostas por eles) nos projetos encaminhados pela administração. O que ocorreu foi um jogo político do vereador não querer se envolver. Embora considerassem certas ações necessárias, eles adiavam decisões. Ficavam em cima do muro e não estabelecia diálogo com a população”, declarou.

A dependência do Poder Executivo com o Legislativo, devido à má situação financeira do município, deu aos vereadores um segundo poder. Segundo Zonta, não souberam usá-lo.

O caso da tarifa de esgoto para construção da estação de tratamento de esgoto é um exemplo de “política amarga.” “A Câmara ficou muito tempo ensaboando essa situação, finalmente aprovou, mas não sem críticas. Depois verificou que o DAE é bem avaliado e a discussão sobre privatização foi tema sensível no 1º turno das eleições”, declarou

Kerbauy disse que a renovação nos legislativos não foi um fenômeno isolado. Em outras regiões do interior do estado ocorreram até 100% de renovação em uma câmara, próxima a Ribeirão Preto.

Segundo ela, mesmo a população ainda confundindo a função do vereador com tarefas do Executivo, já começa a perceber quando o vereador defende interesses particulares e quando sai em defesa dos interesses gerais da comunidade.

O fim do modelo do vereador assistencialista e de resolução de pequenos problemas administrativos, o “quebra-galho”, ou o vereador mídia, aquele que polemiza para aparecer na imprensa, não emplacou no último pleito. Segundo Zonta, é uma mudança de comportamento na escolha, privilegiando mais o parlamentar que tem ligação com sua base.

Eleição a prefeito

Não há surpresa quanto aos mais votados para o segundo turno da eleição a prefeito. Zonta diz que Caio Coube e Rodrigo Agostinho se saíram melhor no detalhamento de suas propostas de governo, por isso foram os escolhidos para a última etapa da campanha. “Acho que a população escolheu os melhores que se candidataram. São os que têm algum tipo de estrutura quer pessoal, partidária ou de conhecimento”, opinou o professor.

Kerbauy disse que os dois foram os que tiveram os melhores argumentos para convencer o eleitor que são bons administradores. Caio Coube é empresário e Rodrigo Agostinho é vereador com experiência na administração pública por ocupar um cargo de secretário no atual governo de Tuga Angerami.

O tema privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE), segundo Zonta, não prejudicou o desempenho do candidato tucano, mas houve falha de avaliação do PSDB nessa questão.

Para ele, Caio foi “pautado” pelo peemedebista e perdeu tempo ao ficar se defendendo, embora o vice do PSDB seja José Clemente Rezende, que presidiu a autarquia municipal. “Caio não se defendeu bem, porque o Clemente podia ser utilizado em sua defesa, mas o tucano aceitou ser pautado pelo adversário. Perdeu tempo se defendendo”, declarou.

O desempenho de Clodoaldo Gazzetta (PV), o terceiro mais votado da eleição, emplacou no final da campanha, segundo Zonta, pela boa performance no debate da TV Tem. “Se deu bem na comunicação com o público, mas deslanchou a partir do último debate televisivo. Rosa Izzo foi mal naquele dia. Acredito que houve migração de votos da pedetista e de indecisos para o Gazzetta e Rodrigo”, declarou.

Para Kerbauy, Gazzetta era mais conhecido pela participação em eleições anteriores. “Se tivesse estrutura melhor de campanha tinha condições de ser um dos prováveis candidatos do segundo turno”, disse.

Kerbauy afirma que a derrota de Rosa na eleição é o sinal do enfraquecimento político do ex-prefeito Antonio Izzo Filho. “Não que esteja morto politicamente, a votação foi até singificativa, mas ele terá dificuldade para conseguir voltar a cargos majoritários”.

Zonta tem opinião de que a população cada vez mais percebe as qualidades concretas no candidato. “Claro que o candidato precisa penetrar no imaginário social e fazer a população sonhar um pouco em relação à resolução dos problemas da cidade. Mas à medida que a sociedade se desenvolve, adquire escolaridade, melhora as condições econômicas, o discurso emocional, populista, não cola mais”, afirmou.

Fonte: jcnet.com.br

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