Bovespa recupera com disparada em Nova York

A terça-feira foi de correção técnica na Bolsa brasileira, onde o Ibovespa interrompeu uma seqüência de cinco baixas e encerrou o dia no azul. E o ajuste não foi pequeno, com o índice disparando no final da sessão, alinhado ao movimento nos pregões norte-americanos, e encerrando na máxima, aos 33.386,65 pontos, com alta de 13,42%. O dólar no mercado à vista voltou a operar em baixa influenciado em parte pela firme recuperação técnica das bolsas, mas principalmente por causa de interesses de investidores relacionados à compra de swaps cambiais do Banco Central. No fechamento, o pronto caiu 2,62%, a R$ 2,185 na BM&F e no balcão.

Os juros futuros ampliaram a queda no período da tarde, especialmente nos vencimentos a partir de 2010, mas o volume de negócios neste trecho da curva continuou aquém do normal. O DI janeiro de 2010 terminou no nível mais baixo do dia, a 15,84%, ante 16,58% ontem. O DI janeiro de 2012 (58.220 contratos) cedeu de 18,05% para 17,10%. Nos contratos mais curtos, a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá interromper as altas da Selic a partir de amanhã seguiu ganhando espaço e garantiu tanto o recuo das taxas como um volume firme de negócios. O DI janeiro de 2009 também terminou na mínima de 13,90%, de 14,13% ontem.

A disparada da Bovespa no meio da tarde foi creditada à combinação da aceleração dos ganhos em Nova York com a atuação específica de uma instituição financeira brasileira que, como definiram operadores, “raspou o índice” no mercado futuro, carregando o Ibovespa à vista. Alguns players chegaram a aventar que a operação poderia refletir algum retorno de estrangeiros, mas não é possível identificar se as aquisições decorreram de ordens de compras por esses investidores.

Na visão de um gestor em São Paulo, a alta de hoje não é sustentável. “A maior parte das ações subiu com volume baixo”, argumentou. A recuperação do segmento acionário foi global, embora em escalas mais leves em praças como Londres e Tóquio, apesar de novas notícias desfavoráveis no que diz respeito à economia mundial, em particular, nos Estados Unidos.


MUNDO JÁ GASTOU 11% DO PIB

Os governos já gastaram mais de 11% do PIB mundial para dar liquidez e salvar os bancos desde abril, o equivalente a mais de quatro vezes o tamanho da economia brasileira. Mas a crise fará com que os bancos em todo o mundo acumulem perdas equivalentes a dois “Brasis”, cerca de US$ 2,8 trilhões, e o próximo capítulo da turbulência mundial pode ser justamente a contaminação dos mercados emergentes, o que ampliaria as perdas dos bancos nos países ricos.

A avaliação é do Banco da Inglaterra, o BC britânico, que alertou que a instabilidade das últimas semanas é a pior já registrada e que o setor financeiro sofre as maiores quedas desde o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914. O banco ainda alerta para a saúde das economias emergentes, que não conseguiram evitar a crise que foi gerada nos países ricos.

Em uma nova etapa da turbulência, a instabilidade nos países emergentes – que acreditavam estar imunes – pode alimentar ainda mais os prejuízos no sistema.

Segundo os ingleses, o volume do prejuízo deve ser duas vezes maior que o que o Fundo Monetário Internacional (FMI) havia calculado há cerca de um mês. O pior, segundo a análise dos britânicos, é de que a crise ainda não chegou a seu fim e que mais prejuízos podem ocorrer, mesmo com a ajuda dos governos.

Segundo os cálculos, as perdas são equivalentes a 5% do PIB mundial. O maior prejuízo ficará com os americanos, com perdas de US$ 1,57 trilhão apenas em seus bancos. O valor é o dobro do que se imaginava. Na zona do euro, as perdas serão de 784,6 bilhões de euros.


CONSTRUÇÃO CIVIL TERÁ R$ 3 BILHÕES

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o governo divulgará hoje um programa de capital de giro para as empresas do setor de construção civil. Segundo ele, serão R$ 3 bilhões, que virão de linha especial da Caixa Econômica Federal (CEF) e não do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O custo financeiro ainda não está definido, embora Mantega tenha afirmado que será inferior ao praticado pelo mercado.

Mantega também mencionou a disponibilização do capital de giro para a indústria em geral, mas não deixou claro se isso acontecerá por meio do sistema financeiro privado ou se será um programa do governo. O ministro destacou que o governo trabalha para fazer uma política anticíclica que garanta a continuidade do crescimento do País.

Nesse sentido, enfatizou que os investimentos públicos, em especial os relacionados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), não serão paralisados. (AE)

MANTEGA ALERTA PARA IMPACTO

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que a crise financeira internacional terá um forte impacto na economia real do planeta. Segundo ele, a crise tem magnitude inédita e será de longa duração. Para o ministro, o efeito desta crise na economia real está ficando nítido agora. “É impressionante como o travamento de crédito atinge a economia real. Espero que esse travamento de crédito não se transforme em depressão”, disse Mantega.

Para ele, a crise impacta menos os países em desenvolvimento, porque estes já têm um dinamismo maior (por causa do maior potencial de seus mercados internos), as contas públicas estão mais robustas e também porque os bancos que estão mais comprometidos com os ativos tóxicos são os dos países avançados e não dos emergentes.

Fonte: hojenoticia.com.br

seja o primeiro a comentar!