As 16 câmeras do sistema de segurança de uma farmácia da Bela Vista não impediram a ação de um grupo na madrugada de ontem. Quatro pessoas estouraram a porta de vidro do estabelecimento, localizado na rua Afonso Pena, 6-20, e levaram vários produtos e um computador do local. O sistema de segurança registrou toda a ação do grupo. Durante o furto, duas viaturas da Polícia Militar (PM) passaram pelo local e os policiais não viram o vidro estourado.
Os prejuízos ainda não foram calculados, mas somente a porta de vidro custa cerca de R$ 2 mil. Por volta de 1h20, dois rapazes passaram em frente à farmácia como se estivessem fazendo o reconhecimento do local e se preparando para agir, explica o dono do estabelecimento, José Nilton Vieira, após ter visto as imagens gravadas pelo circuito de segurança – há câmeras dentro e fora da farmácia, que fica a uma quadra do Fórum.
Às 2h35, mostram as imagens gravadas, quatro pessoas chegaram à farmácia e uma delas arremessou uma pedra contra a porta de vidro, que não estourou. Quinze minutos mais tarde, o grupo voltou e empurrou a porta na tentativa de abri-la, sem sucesso. Uma nova pedra foi arremessada, que desta vez estourou a lateral da porta. Então, eles entraram na farmácia e furtaram um computador e objetos.
As imagens, apesar de não serem nítidas o suficiente para revelar os rostos dos quatro, mostram que a ação foi planejada. Em nenhum momento, por exemplo, os quatro rapazes, que usavam boné e blusas largas, entraram juntos na farmácia. Tudo indica que dois faziam vigília nas ruas Rui Barbosa e Olavo Bilac, que cruzam com a Afonso Pena, ou carregavam os objetos.
Ao analisar as imagens gravadas pelo sistema de segurança faz-se duas análises: os quatro rapazes agiram com muita tranqüilidade e nem quando duas viaturas da PM, em dois momentos distintos, passaram pela rua eles se assustaram ou interromperam o furto. A outra é que estavam preparados para o crime porque usaram lanternas dentro da farmácia, que luz estava apagada.
Prejuízo
Depois que os quatro haviam ido embora levando os objetos, surgiu uma terceira viatura da PM que estacionou em frente à farmácia. Foi esta equipe que registrou o furto. Além de arcar com os prejuízos, Vieira relata que agora terá de pagar um vigia noturno pelo menos temporariamente, porque ele calcula que a nova porta de vidro ficará pronta somente em 10 dias. O estabelecimento também possui sensor de movimento na porta que, no entanto, não funcionou.
Como a luz da farmácia estava desligada, as imagens das câmeras internas, que poderiam mostrar os autores do furto mais de perto, não ajudam na identificação. No local havia marcas de sangue junto aos cacos de vidro e um anel com trecho do Pai-Nosso gravado. “Ajudou eles, porque deu certo”, ironizou Vieira. Mas como os policiais civis estão em greve, não foi realizada perícia do local, onde poderiam ser recolhidas amostras de sangue para tentar identificar os invasores. Vieira disse que pretende reforçar a segurança do local.
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PM investiga policiais que não viram arrombamento
A 3ª Companhia de Polícia Militar (PM) abriu sindicância para apurar a conduta dos policiais militares das duas viaturas da corporação que passaram em frente à farmácia durante furto ocorrido na madrugada de ontem e não pararam. Duas viaturas - um Gol e uma Blazer - passaram pelo local e, aparentemente, os policiais não notaram a porta estourada e os estilhaços de vidro espalhados pelo chão.
Após uma das viaturas passar em frente à farmácia, um dos ladrões retornou ao estabelecimento para continuar o furto, como mostram as imagens gravadas pelo circuito externo de TV do estabelecimento. “Iremos fazer as investigações preliminares e apurar o caso”, afirma o capitão Valter Luís Sales Gonçalves, comandante da 3ª Companhia, responsável pelo policiamento da área.
“Já determinei uma investigação preliminar e estamos desde a manhã (de ontem) trabalhando nisso”. De acordo com ele, a PM irá colher o depoimento dos policiais responsáveis pelo patrulhamento na região, assim como do proprietário da farmácia. “Se houve erros, iremos apurar”, garante. O prazo para a conclusão das investigações é de 10 dias.
Os nomes dos policiais envolvidos na ocorrência não foram divulgados. O comandante também apura se a Blazer que passou pelo local era da Força Tática ou se outro policial fazia uso do veículo naquele momento.
Fonte: jcnet.com.br
Com 16 câmeras, farmácia é furtada
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