Debate com candidatos a prefeito de Bauru

12:50

O JC reuniu, na última sexta-feira, os candidatos a prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e Caio Coube (PSDB) para o primeiro enfrentamento comparativo deste segundo turno, com entrevistas individuais. Nas gravações realizadas em horários distintos, em parceria com a TV Câmara, ambos foram submetidos pela reportagem a questões espinhosas, como as privatizações tucanas e a participação de Caio no conselho da Cesp, de um lado, e a votação pelo arquivamento da CEI do Feijão e a mudança de comportamento de Rodrigo na escolha da presidência da Câmara Municipal no período Nilson Costa, de outro. A reportagem dupla visa permitir que o eleitor avalie ambos sobre condutas políticas, posicionamentos sobre decisões de governo e propostas e o enfrentamento sobre temas impopulares.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista com o candidato Rodrigo Agostinho.


JC – Como o senhor avalia Caio Coube?

Rodrigo Agostinho - O Caio é um empresário que vem de uma família tradicional de Bauru e, num determinado momento, decidiu entrar para a carreira pública. Ele não tem experiência pública, nunca exerceu um cargo político público e, nessa eleição, decidiu assumir esse papel. Já tentou em outros dois momentos, como deputado e como prefeito, e está aí na disputa vindo com todo o discurso tucano, o discurso do PSDB, um discurso muito claro com uma agenda política, com a ideologia do PSDB.


JC - Como você utilizaria os R$ 13 milhões que devem estar no caixa em janeiro de 2009?

Rodrigo - Uma parte, eu pretendo utilizar para recuperar o maquinário da prefeitura, maquinário que está tudo sucateado, caminhões, pá carregadeira, motoniveladora, e outra parte nós devemos destinar ao fundo de infra-estrutura para investimento da maior parte dos recursos em pavimentação.


JC – O candidato vai aplicar, no recadastramento, a cobrança dos cinco anos de atrasados para quem ampliou moradia ou praticar renúncia de receita?

Rodrigo - A renúncia de receita é crime, nenhum dos dois candidatos, tanto eu como o meu adversário, não vamos poder incorrer nessa situação. Nós vamos ter de aplicar a legislação, só que o nosso objetivo é aplicar com muito bom senso. Eu quero poder estruturar uma equipe dentro da prefeitura, logo no início do ano, para poder começar a fazer a regularização. Não dá para cobrarmos tudo da população, sem que haja a possibilidade da própria população regularizar seus imóveis. A idéia é que possamos criar um programa de regularização, inclusive subsidiado para a população de baixa renda, que vai ter uma dificuldade muito grande. A questão dos cinco anos precisa de avaliação jurídica. Nós vamos ter que, inclusive em algumas situações em que a legislação permitir, abrir mão de algumas cobranças. Mas é claro que tem toda uma legislação que precisa ser respeitada.


JC - Qual seu plano para corrigir distorções na receita, em relação à renda per capita comparada a outras cidades?

Rodrigo - A arrecadação de Bauru diminui de forma proporcional a outras cidades por conta do empobrecimento da cidade, e não por conta do valor dos tributos que são cobrados em Bauru. Os tributos em Bauru não são muito diferentes da situação em outros municípios. Acontece que a cidade se empobreceu, muitas outras cidades criaram oportunidades de investimento, criaram situações para que os investimentos, que estão surgindo com a interiorização do desenvolvimento, fossem realizados. A cidade de Bauru tem hoje 50 mil pessoas em situação de pobreza, é uma população que não tem capacidade contributiva. Nós temos aí grandes distorções na área tributária do País, e só serão resolvidas com uma ampla reforma tributária. Hoje, nós temos uma concentração de recursos muito grande na esfera federal e na esfera estadual, e os municípios ficando com as migalhas, ficando com o IPTU, ISS, percentual baixo de FPM. Fica jogo de empurra, “isso é papel do Estado, isso é papel do Município”, e aí você tem uma situação tributária que também é distorcida. Na nossa administração, a população pode ficar tranqüila porque não pretendemos criar novas taxas, novos impostos, nós vamos fazer o que a lei exige que é o cumprimento da lei de responsabilidade fiscal.


JC – Impopular, a revisão da planta para lançar o IPTU será ou não realizada se você for eleito?

Rodrigo - Eu defendi a revisão da planta genérica e continuo defendendo que ela ocorra a cada momento, porque nós não podemos incorrer em injustiça tributária. Nós temos, às vezes, alguma região da cidade que se valoriza por conta de uma duplicação de uma avenida, por conta de um empreendimento imobiliário ou empreendimento comercial, e não é justo que aqueles valores não sejam atualizados. Eu defendo, sim, que a cada momento que a prefeitura realize um investimento, realize uma obra, que em determinado momento o mercado avalie se naquela região houve valorização, para que as correções sejam feitas. Isso não significa aumentar tributos, isso significa fazer com que a tributação seja mais equilibrada.


JC – O senhor acha justo que todos os bauruenses financiem o plano saúde privado dos dependentes dos servidores?

Rodrigo - Hoje, o SUS em Bauru já vive uma verdadeira crise, nós temos aí uma crise instalada na área da saúde e realmente não é apenas em Bauru, em muitas outras cidades nós temos essa situação. Faltou investimento na estrutura física, faltou investimento em pessoal, nós temos uma grade salarial, uma política de carreira na área de saúde muito ruim. Em relação à questão do plano de saúde dos servidores, eu defendo a manutenção do plano, inclusive para os beneficiários. Agora, a forma de custeio, isso aí está aberto para discussão, porque hoje temos uma crise e não é possível você chegar para o servidor e falar “olha, procura o núcleo de saúde mais próximo”, porque nos núcleos de saúde, as pessoas não estão conseguindo atendimento.


JC – Qual seu plano emergência para a Saúde?

Rodrigo - De imediato, nós vamos ter de concluir algumas reformas que estão paradas, isso tem prejudicado muito o atendimento, é o caso do Mary Dota, Vila Ipiranga e Bela Vista, nós vamos ter de fazer esse investimento, que não é alto, a idéia é já que tem um problema aí na licitação, e ao que me parece existe uma impossibilidade de chamar o segundo concorrente, a idéia é que possamos fazer inclusive com recursos próprios, com estrutura própria. A idéia é que possamos concentrar um esforço para reforma e término para poder garantir o funcionamento, mas ao mesmo tempo também mexer na questão de salário, e não só de médico. A área de saúde já tem um plano de carreira pronto, nós vamos discutir para ver se é viável e, ainda no começo do ano, remeter esse projeto à Câmara para debate, discussão e aprovação. O projeto abrange toda a carreira da Saúde.


JC – Você promete elevar de sete para 25 o Programa de Saúde da Família. Vai abrir concurso para agente de saúde, que é categoria profissional e está no PSF?

Rodrigo - Nós não vamos conseguir ampliar o Programa de Saúde da Família de uma vez, de sete para 25 equipes. A discussão que eu tive, inclusive com técnicos do Ministério da Saúde, é que Bauru deveria ter pelo menos 30 equipes atuando nas regiões de maior demanda. Na de Jaú, próxima de Bauru já tem 15 equipes, e Bauru ainda está com sete. Se realmente o entendimento jurídico é que é necessário o concurso, nós vamos fazer o concurso. Hoje, as contratações estão sendo feitas através de uma entidade, que é a Sorri, que presta esse serviço para a prefeitura. Então existe um convênio, o governo federal repassa para as partes esses recursos, a prefeitura entra com uma boa contrapartida também. Vamos mudar a divisão das equipes por regiões.


JC – Por que você votou para arquivar a CEI do Feijão na Câmara e titubeou na eleição da presidência também no período Nilson?

Rodrigo - Alguns vereadores entenderam que era uma irregularidade do prefeit. O meu entendimento, de uma maneira muito clara, é que a empresa teve dificuldades de fornecer o feijão, mais tarde esse feijão acabou sendo entregue. O próprio Ministério Público acabou arquivando essa situação. Então, eu tive esse entendimento e votei com muita tranqüilidade. Houve uma discussão também naquela época em relação ao quórum de votação, você deve se lembrar, o presidente da Câmara na época, Renato Purini, optou pelo quórum qualificado e ele tinha sustentação jurídica para isso, tanto que essa decisão acabou não sendo revertida na Justiça. Agora, em relação à votação da Mesa Diretora, cada vereador faz a sua opção de votar em um determinado candidato A ou B. Eu fiz as minhas opções, eu construí as minhas opções e não me arrependo disso.


JC – Avalie se há ou não irregularidade na substituição de área ocorrida neste governo, com posição sua como secretário da Semma, em relação a um residencial no Jardim Contorno e uma área na região do Vale do Igapó?

Rodrigo - Não existe permuta nenhuma de área. A empresa que fez o Residencial Tavano construiu uma área de lazer em cima de uma área verde e ofereceu uma compensação ambiental, porque a prefeitura não pode aceitar impermeabilização de área verde. Ela ofereceu uma compensação ambiental que poderia ser simplesmente plantio de árvores, como já tem sido feito, e ela ofereceu uma reserva de mata próxima do Vale do Igapó, como compensação ambiental. Só que uma permuta deveria passar pela Câmara, então, aquela área verde seria desafetada, voltaria para o domínio do empresário e uma outra área verde deveria ser dada. Nesse caso de permuta, a área verde deve estar localizada na mesma região do empreendimento. Não era o caso, era o caso de uma compensação ambiental. Mesmo assim, o Jurídico entendeu que a compensação deveria se dar de outra forma e dessa forma que aconteceu. Eu acabei deixando a secretaria e não sei ainda a situação se já foi resolvida.


JC – Terceirização é palavra vetada em seu governo?

Rodrigo - Não é questão de estar descartado. O que eu tenho defendido durante toda a campanha é a valorização do serviço público. Eu acho que a prefeitura pode continuar prestando esse serviço com uma eficiência maior, com uma qualidade melhor, isso eu defendo. E por isso que sou contrário à privatização do DAE, à terceirização de serviços na área de saneamento, à privatização, por exemplo, da merenda escolar. Esses temas eu não considero tabu.


JC – Então vai reestatizar o serviço de leitura no DAE?

Rodrigo - Eu acho que é possível. Claro que tem que ter um estudo, tem que ter uma avaliação, tem que ver se a prefeitura vai ter condições de reassumir esse serviço de uma vez. É uma questão em que eu não vejo problema nenhum a prefeitura reassumir esse serviço.


JC – Seu programa fala em estudar a criação da Guarda Municipal. Afinal, você defende ou não a guarda?

Rodrigo - Defendo, só que a guarda tem de ser tratada de maneira diferenciada. As pessoas, quando falam em Guarda Municipal, pensam em alguém fardado, armado e, na verdade, o entendimento que eu tenho é que a Guarda Municipal é muito importante na manutenção, por exemplo, dos próprios municipais, dos espaços da própria prefeitura, ela poderia auxiliar muito, por exemplo, no policiamento ostensivo mais comunitário dentro do próprio Calçadão, da região central da cidade...


JC – Então, o que será feito com a carreira de vigias?

Rodrigo - É isso que precisa ser discutido, porque hoje não tem carreira para os vigias. Ou ele é vigia ou ele é rondante. O rondante tem um adicional que é baseado no salário bruto dele, então hoje você tem um monte de vigias que acabam trabalhando como rondantes para ganhar mais, uma situação realmente muito complicada. É por isso que eu disse no nosso plano, estudar a possibilidade.


JC – Qual seu plano pedagógico para a Educação?

Rodrigo - O Município tem a educação infantil de 0 a 5 anos, era 6, agora foi antecipada para 5, o ensino fundamental, que agora são 9 anos, e a educação de jovens e adultos. Nós queremos trabalhar de maneira muito grande no enriquecimento do currículo escolar, fazer ações na área de cultura e de esporte dentro das escolas. Isso ocorre já no ensino particular. Por que não existe essa integração na área pública municipal? Agora, passa, sim, por uma discussão do ponto de vista dos servidores, porque são profissionais que não são bem remunerados, nós estamos numa situação em que ser professor não atrai mais os melhores profissionais, essa é uma situação que vamos ter que inverter.


JC – Como vê o presidente Lula, sua maior estrela na TV, ser considerado o mais ortodoxo dos tucanos na área econômica e benevolente com os reis do arroz, da soja e da extração ilegal de madeira na Amazônia?

Rodrigo - Eu trabalhei muito como voluntário da ministra Marina Silva, durante todo primeiro mandato do governo Lula, e grande parte agora do segundo, até que houve a mudança para o ministro Carlos Mink, isso acabou coincidindo com o processo eleitoral, ainda não tive oportunidade de conversar com o atual ministro, mas eu ajudei bastante porque a gente tem um desafio: hoje, por conta do preço da terra a pecuária invadiu a Amazônia. Por outro lado, temos aí uma pressão muito grande pelos biocombustíveis, tanto pela cana quanto pela soja. Para enfrentar esse desmatamento vai ser necessário um investimento muito grande em fiscalização, em organizar o sistema judiciário na Amazônia, nós temos em grande parte da Amazônia uma ausência total do Estado.


____________________


Confira a seguir os principais trechos da entrevista com o candidato Caio Coube.

Jornal da Cidade - Como o senhor avalia Rodrigo Agostinho?

Caio Coube - Rodrigo Agostinho é um político profissional, desde muito menino optou e tem como sua única atividade a política. Portanto, tem pouca experiência profissional e acredito que não esteja preparado para ocupar o cargo de prefeito. Possui, sim, experiência legislativa, que é muito pouco para ocupar o cargo de prefeito, que é um cargo de Executivo, um cargo de liderança, um cargo de comando de equipe. Penso que esse é um fator, na minha ótica, de restrição no caso ao cargo que ele pleiteia. Entendo que o perfil dele é mais, realmente, para o Poder Legislativo.


JC- Se eleito, o que fará com cerca de R$ 13 milhões de saldo no caixa em janeiro de 2009?

Caio - Investimentos nos equipamentos para a Secretaria de Obras, nova usina de asfalto, nova frota de equipamentos para a Secretaria de Obras e pavimentação nos setores mais carentes, e também recuperação de algumas unidades de saúde, especialmente a volta do Pronto-Socorro do Bela Vista, que foi desativado, a conclusão das reformas das unidades de Pronto-Atendimento do Mary Dota e Vila Ipiranga e também a inauguração de uma nova unidade de Pronto-Atendimento para a região Geisel/Redentor. Ou seja, prioritariamente, os investimentos devem ser dirigidos para aquelas que são as duas maiores áreas de necessidade da população: saúde e asfalto.


JC - O recadastramento imobiliário vai mudar a base de dados do IPTU para quem ampliou seu imóvel. O senhor vai cobrar os atrasados dos últimos cinco anos ou praticar renúncia de receita?

Caio - Eu acho que esse estudo que está sendo feito é importante, todos nós, bauruenses, precisamos ter a nossa situação dos nossos imóveis devidamente regularizada. Mas nós temos que pensar daqui para frente, nós temos de levar em conta a realidade de cada imóvel, da área construída de cada imóvel, de 2009 para frente, sem nenhuma possibilidade de qualquer tipo de cobrança para o período retroativo.


JC – A Lei de Responsabilidade Fiscal não permite mais que haja renúncia. Qual o plano para corrigir distorções se eleito?

Caio - Nós temos que levar em conta que a arrecadação da cidade está melhorando. O melhor exemplo disso é o Orçamento aprovado para 2009, de R$ 349 milhões, representa crescimento de 19,8% sobre a base de 2008. Por que está melhorando? Porque a economia da cidade está melhorando. Bauru, nos últimos anos, sistematicamente tem a sua arrecadação crescendo acima dos índices de inflação e os três componentes da arrecadação, tanto as receitas municipais próprias, que são provenientes do ISS, do IPTU e do IPVA, como também o FPM, que são os tributos federais, e também a cota parte do Município do ICMS. Então, acho que isso é uma notícia positiva. Nós não iremos mexer e não iremos aumentar a base de impostos municipais, não há espaço e não há motivo para onerar ainda mais o munícipe. Nós iremos, sim, tratar de termos mais eficientes na cobrança, sermos mais eficientes na cobrança da dívida ativa e estimular as atividades produtivas na cidade de forma que este crescimento de receita continue e se ampliem.


JC - Embora a revisão da planta do IPTU seja impopular, ao não enfrentar o tema no período eleitoral mantém-se a defasagem para o mercado e o contribuinte?

Caio - Eu acho que isso não deve ser uma prioridade do futuro prefeito. Eu acho que o compromisso tem que ser exatamente com eficiência, como nós vamos gerenciar os R$ 97 milhões que serão destinados à pasta da Educação, os R$ 91 milhões que serão destinados à pasta da Saúde - saúde, por exemplo, que vai mal nesta cidade, e tem recursos. Quando chegar esse momento, se chegar esse momento, nós iremos exatamente ter o cuidado de ampliar o debate. A Câmara, o Legislativo, é a caixa de ressonância da sociedade, é para isso que temos os vereadores, e não só o Legislativo, as entidades de classe, no caso específico do setor imobiliário, as entidades que representam os corretores de imóveis, as entidades que representam os engenheiros, os arquitetos, os contabilistas.


JC – O senhor tem no plano de governo a criação de uma fundação para a Saúde, que na campanha foi proposta pelo PV e por Rosa Izzo, esta com uma Oscip. Qual o formato?

Caio - Esse pode ser um caminho, inclusive dentro dos grupos de trabalho que discutiram o tema Saúde. No nosso caso, no PSDB, isso foi apontado como uma medida importante, mas não necessariamente teremos que adotá-la. Na Saúde, o que nós precisamos é de um plano emergencial, fazer com que a Unidade Básica de Saúde tenha profissionais que atendam a população, fazer com que as unidades de pronto-atendimento voltem a funcionar em nossa cidade. Tem também a questão do Programa Saúde da Família (PSF), medicina preventiva, em Bauru temos sete equipes administradas pela Sorri. Cidades como Jaú possuem 25 equipes, que fazem um trabalho importante e aí, sim, o modelo de fundação se aplica para as equipes do PSF que não podem fazer parte da estrutura da Secretaria Municipal de Saúde e por isso são administradas por uma terceira entidade, no caso. A fundação é também uma alternativa, mas que no meu entendimento carece de um debate um pouquinho mais profundo.


JC –Como atacar a ausência do Estado na área de saúde mental e a enorme demanda por especialidades?

Caio - A área da saúde mental é uma área em que realmente as coisas vão muito mal. Nós temos uma carência muito grande, não temos um serviço de emergência na área de psiquiatria, a população sofre muito com isso. Recentemente eu estive assistindo uma apresentação do atual secretário da Saúde, o doutor Mário Ramos, e ele inclusive comentou a dificuldade que as administrações municipais em geral, no Brasil, enfrentam para contratar profissionais de medicina com especialidade na área de psiquiatria. Realmente, uma situação complicada, iremos fazer um esforço grande para reforçar o quadro de psiquiatras no nosso sistema municipal.


JC – Em quais setores a terceirização é admitida?

Caio - Eu acho que nós temos que analisar caso a caso. Nós já temos algumas atividades que são terceirizadas, por exemplo, o transporte de alunos é uma atividade que é terceirizada, então, acho que cada uma das situações, cada um dos temas, exige um enfoque e uma atenção específica, não acho que isso deva ser... Agora, por outro lado, nós temos muitas coisas que funcionam bem em nossa cidade e não precisa ser cogitada a hipótese da terceirização. O DAE, é um exemplo, a coleta de lixo, que funciona muito bem em nossa cidade é outro exemplo, que irão permanecer da maneira como sempre foram executadas com as equipes próprias do DAE, da Emdurb ou da prefeitura.


JC – O serviço de leitura de água é terceirizado. O senhor vai renovar o contrato ou reestatizar?

Caio - Realmente isso aconteceu no início da atual administração e a discussão, ela tem de ser racional. Melhorou o serviço? A qualidade do serviço representou uma melhora? O que diz a direção do DAE? Qual a opinião dos técnicos e profissionais responsáveis por esse tema. Caso a resposta seja positiva eu não vejo motivo para dar continuidade. Caso a conclusão que se chegue é que a experiência foi feita, mas os resultados esperados não foram devidamente alcançados, também não vejo dificuldade em rever a questão e retornar à situação anterior.


JC – O senhor acha justo que todos os bauruenses que enfrentam filas no Pronto-Socorro paguem plano de saúde privado para os parentes dos servidores?

Caio - Nós não iremos fazer a mínima mudança nos benefícios que já foram adquiridos pelo servidor municipal. Se as administrações anteriores resolveram ampliar os benefícios do plano de saúde privado aos servidores e seus dependentes, nós iremos manter os atuais benefícios, não fazendo nenhuma alteração nos direitos já adquiridos.


JC – O benefício para o servidor é conquista. Mas os dependentes são pagos com recursos da prefeitura?

Caio - Eu acho que tudo merece ser discutido. Eu acho que tanto no caso específico, o prefeito, como no caso os representantes dos servidores devem sempre estar abertos para discutir os mais variados assuntos e caminhar para um entendimento, caminhar para uma agenda comum sobre cada um dos temas que são negociados, inclusive os temas relativos aos benefícios.


JC – O senhor tem passagem pelo setor público como conselheiro da Cesp. Avalie sua passagem por essa instituição. Qual era o valor da remuneração e como funcionavam as reuniões?

Caio – Fui membro do Conselho de Administração da Cesp, indicado pelo ex-governador Geraldo Alckmin, e foi realmente uma experiência bastante rica do ponto de vista da minha experiência profissional. O conselho de administração de uma companhia aberta, com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo, tendo como principal acionista e, portanto, controlador, o governo de São Paulo, então, uma empresa submetida a todos os rigores da legislação que rege as sociedades por ações de capital aberto. A remuneração dos conselheiros obviamente era de R$ 2,5 mil por mês e as reuniões são mensais. Eu não sou mais conselheiro. As reuniões ordinárias e, obviamente, algumas reuniões extraordinárias são realizadas na medida em que o conselho precisa ser ouvido e para autorizar a diretoria executiva a ter determinadas ações, a praticar determinados atos.


JC - Aproveitando a experiência do senhor nesse período: o que pensa a respeito da venda da Cesp?

Caio - É, olha, essa é uma decisão do governo de São Paulo, a Cesp luta há muitos anos para melhorar a sua condição financeira, a empresa possui um endividamento muito grande, fruto de uma gestão equivocada ao longo dos governos do PMDB. Os governos do PMDB no Estado de São Paulo tornaram a Cesp e outras estatais um enorme cabide de empregos, um festival de cargos e benefícios concedidos sem o menor critério, com grande prejuízo para o povo de São Paulo, com grande prejuízo para o Tesouro de São Paulo. O governador Mário Covas, a partir de 95, deu início a um grande programa de reestruturação não só das estatais, incluindo a Cesp, como também do governo de São Paulo em si. Então, a luta foi muito grande, eu acompanhei a luta do presidente da Cesp, o doutor Guilherme Toledo, que durante cinco anos foi premiado como o melhor executivo financeiro pelo mercado de profissionais, em razão do grande trabalho de reengenharia financeira levado à frente pela diretoria comandada por ele, pelo saneamento financeiro que foi conseguido ao longo desses anos todos, e obviamente colocando agora a Cesp em condições de ter o seu controle acionário eventualmente assumido por uma outra entidade, por uma entidade privada, que não mais o governo de São Paulo, canalizando os recursos provenientes dessa venda para as funções básicas de governo. Repeti ao longo da campanha que o Estado moderno é o Estado que privilegia as funções sociais, que privilegia a educação, que privilegia a saúde, que privilegia a promoção social, que privilegia a justiça, que privilegia a segurança, essas são as atribuições do Estado moderno e, portanto, o PSDB, que é o meu partido, tem isso muito claro e caminha nessa direção.


JC – O senhor espera o apoio de Tuga Angerami nesse segundo turno?

Caio - Não, não espero apoio dele nesse segundo turno, eu sou adversário político do prefeito Tuga Angerami, eu concorri contra o prefeito Tuga Angerami em 2004, pelo contrário, os meus adversários que apoiaram tanto o candidato a prefeito, meu adversário, como a candidata a vice-prefeita, minha adversária, é que estiveram ao lado do atual prefeito em 2004. E o meu adversário atual foi inclusive membro, secretário do prefeito Tuga Angerami, secretário do Meio Ambiente. Meu vice participou do governo Tuga, mas quem manda é o prefeito, o vice é um cargo de expectativa.


JC – O que o senhor propõe para a área de conteúdo pedagógico na Educação e como vê a ação repentina do Estado querer transferir o nono ano escolar de 2010 para 2009?

Caio - Eu acho que essa antecipação é problemática e a prefeitura de Bauru não está preparada para absorver essa demanda em 2009. A lei federal foi clara, a partir de 2010, portanto, com essa antecipação eu não concordo. Nós temos um problema na nossa rede municipal que é a falta de vagas nas creches. Em Bauru, nós temos uma deficiência em torno de 1,5 mil vagas em creche. Isso será no nosso governo uma grande prioridade. Nós precisamos trabalhar firme, aproveitar os recursos existentes na pasta de Educação, para oferecer às famílias bauruenses, às mães que trabalham, mais vagas em creches. Hoje nós temos 27 creches conveniadas e 15 em IIs, creches que funcionam justamente com as escolas fundamentais. Aumentar o número de vagas nas creches será uma prioridade e teremos também uma preocupação com um projeto pedagógico básico, com um projeto pedagógico que seja comum a todas as unidades da rede municipal de ensino, infantil.

Fonte: jcnet.com.br

seja o primeiro a comentar!