Em greve desde o dia 10 de setembro por reajuste salarial e reestruturação da corporação, policiais civis de Bauru vão hoje engrossar uma passeata na Capital, programada para às 14h, ao lado do Estádio do Morumbi, em mais uma tentativa de pressionar o Governo do Estado a fazer nova proposta à categoria – a anterior, de 6% de aumento, foi rejeitada. Enquanto isso, nas delegacias os serviços estão restritos. No Plantão Policial, em dias movimentados, como ontem, por exemplo, há fila de policiais militares aguardando a vez de apresentar a ocorrência para ser registrada pela Polícia Civil.
Isso porque, desde o início da greve, os policiais civis, que normalmente acumulavam tarefas, estão desempenhando apenas sua função. O boletim de ocorrência, por exemplo, só tem sido registrado pelo escrivão de polícia – e não mais por outros funcionários -, o que tem causado fila de policiais militares e cidadãos no Plantão Policial para serem atendidos.
Desde o início da greve, as delegacias abrem normalmente, mas apenas flagrantes e casos graves, como homicídio e estupro e remoção de cadáveres, são atendidos. Porém, ontem surgiu uma informação de que o Plantão Policial voltou a registrar ocorrências criminais consideradas menos graves, como furto. O delegado regional do Sindicato dos Delegados do Estado de São Paulo (Sindpesp), Edson Cardia, nega que o movimento grevista esteja enfraquecendo e que os policiais voltaram a realizar tarefas que haviam sido suspensas.
De acordo com ele, apenas casos graves, como roubos, homicídios e estupros e flagrantes, estão sendo registrados nas delegacias e no Plantão Policial. “Também recebi esta informação e fui ao Plantão Policial verificar. Hoje (ontem), que foi um dia conturbado, foram registradas nove ocorrências durante todo o dia - a média antes da greve era de 40 a 50-, o que mostra que isso não está ocorrendo”, afirma. Mas o JC constatou que pelo menos um caso que foge à regra da greve foi registrado ontem: trata-se de furto de roupa no varal.
Já há policiais, que preferem não ter seus nomes divulgados, que discordam da seleção rígida para registro de ocorrências feita por boa parte da categoria em Bauru. Para estes, além da população estar sendo prejudicada, a prática adotada na cidade abre questionamento sobre a legalidade da greve. Isso porque a Justiça estabeleceu a manutenção de 80% dos policiais em serviço, mas o número de boletins de ocorrência registrados e de crimes esclarecidos caiu drasticamente.
No início do mês, parte dos policiais civis da Capital e de algumas cidades do Estado chegou a suspender a greve por 48 horas com a promessa que o governo iria oferecer proposta de reajuste. Porém, a negociação não avançou e a categoria voltou a se unir na paralisação em todo Estado. Agora, quem está intermediando negociação entre os policiais e o Governo do Estado é a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), explica Cardia. “Hoje (ontem) a OAB tinha uma reunião com integrantes do Governo do Estado”, comentou Cardia ontem à tarde.
Os delegados de polícia reclamam que têm o pior salário da categoria do Brasil. O piso inicial da carreira do delegado é de R$ 3.708,18.
Fonte: jcnet.com.br
Em greve há 35 dias, policiais civis de Bauru vão à passeata na Capital
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