Greve da Polícia Civil, que em Marília já dura 40 dias, têm provocado grande movimento na unidade da Polícia Militar que centraliza as três companhias da PM na cidade. O prédio recém inaugurado, na rua Nelson Spielmann (Palmital), acumula funções e tornou-se único recurso para atendimento pessoal.
Por volta das 15 horas de ontem, equipe do Diário esteve no local e constatou a procura por serviços. De simples pedido de informação, a comunicação de crime, todos os assuntos na área de segurança são tratados na Companhia.
Pelo menos 15 pessoas aguardavam atendimento, improvisado por policias que, sem poder de Polícia Judiciária (investigativa), apenas recebem as denúncias e encaminham os boletins diretamente ao Ministério Público.
Falta de soluções para quem busca segurança gera reclamações. Cabeleireira de 31 anos, que prefere não se identificar, foi impedida pelo ex-marido violento de entrar na própria casa. Ela acabou vítima do empurra-empurra da polícia.
“Fui à Delegacia de Defesa da mulher (DDM) e pediram para eu procurar a promotoria. De lá me mandaram para esse posto da PM, que me mandou procurar o 1º Distrito Policial. Agora vou ficar andado em círculos?”, questiona.
Com uma criança no colo, a cabeleireira conta que não tem sequer roupas para se trocar e precisa da ajuda da polícia. Ela se diz inconformada com a confusão na segurança pública e critica a greve que “fechou” as delegacias.
“Todo mundo tem direito de fazer greve, mas onde vão parar com isso. Essa situação já era para estar resolvida. Além do mais polícia é serviço essencial. Quero saber para quem nós (população) vamos reclamar agora”, disse.
Críticas também de uma dona de casa, 43, que prefere não se identificar. Ela conta que a filha sofreu acidente de moto quando ia para o trabalho. Nada foi registrado pela Polícia Civil. Para conseguir uma cópia do BO da PM ela teve de enfrentar fila na companhia.
“Precisamos da cópia do boletim para comprovar o acidente na empresa onde ela trabalha. Por causa da greve, o atendimento está tumultuado. Acho que deveria haver uma solução rápida para acabar com isso. Se o governo não atender as reivindicações, até quando a greve vai continuar?”, questiona.
OUTRO LADO
Diário entrou em contato com a Polícia Militar, que não retornou os pedidos de entrevista até o fechamento desta edição. A Delegacia Seccional informou que não comenta as questões relativas a greve.
O investigador João Bernardo, delegado regional do Sindicato dos Investigadores da Polícia Civil do Estado (Sipesp), atribuiu os transtornos a “política do governo para a Segurança Pública”. Ele disse ainda que não há previsão para o fim da greve.
“As entidades estão fazendo sua parte, sempre propondo negociação, cobrando um canal para o diálogo, mas o governo prefere colocar policial contra policial e ameaçar a segurança de todos”, alfinetou o investigador.
Uma proposta feita informalmente pelo governo acenava com reajuste salarial de 6,2%, extinção da 4ª e 5ª classe e a redução de três para dois níveis de salários adicionais. Os servidores cobram, além de um plano de investimentos em estrutura e contratações, reajustes de 15% para este ano e 12% nos próximos dois anos.
Fonte: diariodemarilia.com.br
Em Marília, greve da Polícia Civil provoca lotação em companhia da PM
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