Policiais federais prenderem ontem 15 pessoas acusadas de integrar uma quadrilha que fraudava os Correios. Entre elas está o gerente do Centro de Entregas e Encomendas dos Correios de São José Rio Preto, Vitor Joppert, que até o ano passado era diretor regional da empresa em Bauru. Cumprindo mandado de busca e apreensão solicitado pela Polícia Federal de Sorocaba, foram recolhidos em Bauru documentos e equipamentos eletrônicos numa casa. Joppert foi levado no início da tarde de ontem para a carceragem da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Preto, onde deverá ficar por cinco dias devido ao mandado de prisão expedido pela Justiça Federal.
A Polícia Federal (PF) de Rio Preto não informou quem é o advogado do gerente e qual seria a participação de Joppert no esquema de fraudes. As pessoas presas ontem podem ser indiciadas pelos crimes de extorsão, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, formação de quadrilha, falsidade ideológica e descaminho. Em janeiro do ano passado, policiais federais passaram a investigar supostas irregularidades na venda e transferência de agências franqueadas dos Correios.
Durante o trabalho, a PF identificou acusados de integrar a quadrilha, incluindo funcionários da própria estatal. Auditoria realizada na agência de Votorantim constatou irregularidades passíveis apenas de multa ou advertência. Apesar disso, o proprietário da franquia recebeu ameaças de ser descredenciado da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e foi obrigado a vender a agência a outro franqueado que participava do esquema fraudulento e era dono de outros estabelecimentos. Avaliada em R$ 550 mil, a agência foi vendida a R$ 118 mil.
Em Campinas, os policiais descobriram um esquema de favorecimento a uma família da cidade que possui uma loja de artigos de luxo importados. Membros da família postavam produtos dos Estados Unidos, mas não pagavam os impostos.
Durante as investigações, também foram constatadas fraudes nos procedimentos licitatórios realizados pelos Correios e pelo Incra para a aquisição de equipamentos e soluções em Tecnologia da Informação (TI). Esta descoberta fez com que a Polícia Federal desmembrasse as investigações para a Superintendência Regional da Polícia Federal em Brasília (DF). Durante a tarde de ontem, policiais estiveram na sede da ECT na Capital Federal, onde apreenderam documentos.
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Direção desconhecia a ação
A direção dos Correios afirma que só tomou conhecimento ontem das investigações iniciadas em janeiro do ano passado por policiais federais e que culminaram na operação Déjà vu. De acordo com nota enviada pela assessoria de imprensa da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), o processo que deu origem à investigação corre em segredo de Justiça e, por isso, não é possível fornecer detalhes de seu conteúdo.
O departamento jurídico da empresa foi acionado para acompanhar o andamento do inquérito policial. A direção da ECT afirma em nota que vai colaborar com o trabalho da Polícia Federal e fornecer todos os subsídios para que o inquérito transcorra com o máximo de transparência e lisura. A assessoria de imprensa da ECT não informou quais providências serão tomadas em relação aos funcionários presos preventivamente pelos policiais federais durante a operação.
A reportagem do Diário da Região tentou ontem, durante todo o dia, contato com a família de Vitor Joppert, preso preventivamente pela Polícia Federal, mas os telefonemas não foram atendidos. Ele é acusado de participar de uma quadrilha que cometeu supostas irregularidades na venda e transferência de agências franqueadas dos Correios.
Na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Preto, onde Joppert está preso, nenhum advogado compareceu ontem para falar sobre o caso com o acusado.
Fonte: jcnet.com.br
Ex-diretor dos Correios de Bauru é preso pela PF acusado de fraude
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