Guido Mantega defende sistema financeiro mais regulado

19:03

O sistema financeiro que surgir após a crise deve ter mecanismos de supervisão de mercados e o FMI (Fundo Monetário Internacional) deve monitorar mais as nações emergentes, disse neste sábado o ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, em Washington.

"Depois de controlada a turbulência, teremos que estabelecer um novo conjunto de práticas para fortalecer e proteger o sistema financeiro, mas sem desviá-lo para as práticas dos países avançados", disse Mantega em seu discurso ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional do FMI.

"Uma vez estancada a hemorragia e passada a fase mais aguda da crise, teremos que corrigir os erros do passado em termos de organização do sistema financeiro. Espero que a crença infundada de que os mercados podem ser basicamente deixados à sua livre vontade ficará enterrada por um longo período", continuou.

"O modelo anterior à crise, baseado na premissa de que uma série de intermediários financeiros pode de alguma forma se auto-regular deve ser substituído por um sistema cuidadosamente desenhado de controles e de supervisão", acrescentou Mantega.

Depois de ter criticado o FMI por ter citado como "exemplos a serem seguidos" as nações como os Estados Unidos e os países europeus que hoje estão no meio da tempestade financeira, o ministro disse que a crise atual torna ainda mais urgente uma reforma fundamental do modo de operar do organismo, o que o Brasil vem pedindo há anos.

Mantega indicou que o sistema financeiro resultante desta crise deve ser, provavelmente, menor e mais regulado que o atual.

Em particular, o ministro brasileiro pediu um maior monitoramento dos países ricos pela instituição, insistindo em sua proposta apresentada em assembléias anteriores do FMI e do Banco Mundial (Bird), de criar uma linha de crédito de acesso rápido e menos condicionada para prover liquidez às nações emergentes e em desenvolvimento diante de choques financeiros.

Mantega insistiu ainda que o FMI deve "evoluir rapidamente para um aumento dos limites de acesso para seus empréstimos, o que vai contra a idéia dos EUA.

O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, disse pouco antes neste sábado, na mesma instância, que o FMI deve se concentrar em sua missão principal e resistir à busca de formas criativas de emprestar dinheiro.

"Somos céticos com relação às propostas de aumentar significativamente os níveis de acesso dos países-membros aos empréstimos", disse Paulson.

O FMI tem um sistema de direitos de empréstimos para seus 185 países-membros, que pode ser utilizado em casos de desequilíbrios na balança de pagamentos.

Na tarde deste sábado, Mantega participará de uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do G20 financeiro para discutir a crise.

O grupo reúne 19 nações, entre elas as mais industrializadas e outras emergentes como Brasil, China, Índia e México. Argentina também participará do encontro, que será o primeiro em que os países industrializados vão consultar seus pares em desenvolvimento por uma crise.

Fonte: g1.globo.com

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