Mais de 58 mil estão na lista do SPC

A quase dois meses para a chegada do Natal, milhares de pessoas estão sem crédito no comércio de Bauru. Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da cidade, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) contabiliza 58.815 nomes na lista ativa de inadimplentes. Isso significa que quase um quarto da população em idade produtiva (que somam 238 mil pessoas entre 15 e 60 anos, segundo o Seade) está endividada.

Para o economista Carlos Roberto Sette, o índice é relevante, principalmente por Bauru ser uma cidade cuja principal atividade econômica é o comércio varejista. “É um número preocupante e, com certeza, poderia ser menor, se as pessoas tivessem uma educação econômica para resistir à sedução do consumo e se precaver do endividamento”, avalia.

Na opinião do economista, o débito com o comércio de Bauru – que chega a mais de R$ 24,376 milhões em 76.989 dívidas registradas no SPC – impede o crescimento da economia local e traz, como conseqüência, muitas desvantagens. Ele lembra que nome ‘negativado’ é sinônimo de falta de acesso a linhas de crédito bancário, de novas aquisições no comércio, de restrição cadastral para manter o cartão de crédito.

Mas excluir o nome do cadastro dos órgãos de proteção ao crédito nem sempre é uma tarefa fácil. Levantar o dinheiro necessário para regularizar a pendência que ocasionou a perda do direito de compra pode demandar muito esforço e poder de negociação. Embora para muita gente os empréstimos bancários sejam a solução mais prática, em tempos de crise mundial Sette alerta que é preciso avaliar outras possibilidades antes de adquirir um novo problema. “Os juros já estão ficando mais altos e, conseqüentemente, o valor total do financiamento também será muito maior do que era, por exemplo, 60 dias atrás”, pondera.

Por esse motivo, a recomendação para quem está sem crédito é procurar renegociar as dívidas com os credores. Muitos, inclusive, chegam a abrir mão dos juros e reparcelam o saldo devedor em atraso.

Outra orientação do economista é que os consumidores sejam conservadores ao assumir dívidas novas, evitando compras a prazo, com planos muito longos e pagamento a partir de fevereiro, após o Carnaval. “Nesses casos, o consumidor não percebe, mas chega a pagar duas vezes o produto que comprou. A loja facilita o pagamento, estica o prazo, mas embute uma taxa de juros muito alta. O resultado é que, em março, essa pessoa será mais uma na lista dos inadimplentes”, alerta.

De acordo com Sette, quem não estiver com o dinheiro do 13º salário comprometido pode reservar parte dele para as compras de fim de ano, incluindo presentes e itens da ceia de Natal. A outra metade, ressalta ele, deve ser reservada para quitar débitos pendentes.

“É claro que não dá para passar o Natal em branco, mas é preciso controle nos gastos. Se a dívida for muito grande, deve usar uma parcela menor do 13º para fazer as compras de fim de ano”, destaca.

Recuperação

Embora o número de inadimplentes seja significativo na cidade, o número de devedores incluídos no cadastro do SPC sofreu queda de 10,73%. Segundo a CDL, o SPC registrou 25.235 inclusões entre janeiro e setembro deste ano, ante 28.270 contabilizadas nos nove primeiros meses do ano passado.

Na lista de número de débitos excluídos, a oscilação foi menor: 17.188 pendências financeiras foram regularizadas entre janeiro e outubro deste ano, frente as 16.176 exclusões de 2007, o que representa uma variação positiva de 6,25%. O número de consultas de crédito ao SPC feitas por lojistas caiu de 117 mil em setembro de 2007 para 114 mil no mês passado.

São esses números que fazem o o presidente da CDL, Sérgio Evandro do Amaral Motta, acreditar que as vendas de Natal não serão prejudicadas. A partir das próximas semanas, ele espera que a demanda de consumidores procurando regularizar seus débitos cresça. “No final do ano, o número de inadimplentes sempre diminui em função de negociações. Com isso, o consumidor fica apto a fazer novas compras”, comemora.

Fonte: jcnet.com.br

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