Pensar aumenta ‘vida útil’ da memória

Você quer ter uma mente que funcione bem mesmo quando estiver velho? Então, trate de usá-la desde já. Levante-se do sofá, desligue a TV e faça o que está fazendo agora: leia. Pode ser um jornal, uma revista ou um livro. Memorize o que leu e discuta com outras pessoas o que você aprendeu. Se não gosta de ler, faça palavras cruzadas, sudoku, pinte, jogue xadrez, baralho ou qualquer outra atividade que faça-o pensar.

Mesmo que não queira deixar a TV de lado, é possível usá-la de maneira proveitosa. Assista a documentários, telejornais, reportagens especiais e procure comentar os assuntos com parentes e amigos. Quando assistir a um filme, escreva a história em um papel com o maior número possível de detalhes. Essas ‘receitas’ estimulam a memória e quanto mais ela for acionada, maior será seu “prazo de validade”.

De acordo com o neurologista Laertel Fassoni, a mente é como se fosse um músculo: quanto mais se exercita, mais forte fica. O inverso também é verdadeiro, ou seja, quanto menos se usa a memória mais “flácida” ela fica. Com isso, os neurônios vão desaparecendo por falta de uso, e quando a pessoa precisa usar a cabeça para lembrar de algo, ela falha.

Então, fica o conselho dos neurologistas: use a memória o mais que puder. Isso vai fazer com que ela continue funcionando bem, mesmo com o passar dos anos. As opções são muitas, como as citadas no início da matéria, mas existem outras.

Fassoni cita, entre outros exemplos do que pode ser feito para exercitar a mente, gestos simples: como não levar a lista de compra para o supermercado. Ele sustenta que, sem a lista na mão, a pessoa terá de forçar a memória para lembrar dos produtos que estão faltando em casa. “São atitudes simples que fazem toda a diferença”, garante Fassoni.

Além de preservar a “vida útil” do cérebro, o exercício mental diminui as chances ou retarda o aparecimento da doença de Alzheimer. Tanto para Fassoni quanto para o também neurologista Pedro Geraldo Hortense, isso é fato. Segundo Hortense, existem pesquisas que comprovam a questão. Ele cita o caso de um ex-gerente de banco que teve Alzheimer e a última parte do cérebro afetada pela doença foi a que lhe dava capacidade para cálculos.

Outro ponto que o neurologista julga de suma importância para manter uma memória saudável por mais tempo é cuidar com muito carinho da parte física. Para Fassoni, um corpo bem cuidado é sinônimo de mente igualmente sã e ativa.

Ele argumenta que quando uma pessoa está bem fisicamente ela tem mais disposição para ler, para fazer palavras cruzadas, para pintar e realizar outras atividades intelectuais. “A depressão deixa as pessoas desmotivadas a fazer qualquer coisa”, afirma o neurologista. Segundo ele, quando alguém está doente, o pensamento se volta mais para o problema de saúde do que para as atividades de lazer.

A psicobióloga Sílvia Helena Cardoso concorda. Segundo ela, o estilo de vida ativo, com atividade física feita com regularidade e uma dieta saudável, é de grande importância para a memória.

Ela ressalta ainda que o esquecimento na terceira idade, na maioria das vezes, é absolutamente normal, mas pode ser agravado pela falta de atividade mental. Segundo ela, vários trabalhos científicos realizados em diversos países demonstram claramente que o declínio mental, que ocorre com a idade, pode ser evitado.

Segundo Orlando Pavan, 68 anos, dono de uma banca de revistas na rua Primeiro de Agosto, cerca de 80% das pessoas que compram palavras cruzadas são idosas. Ele conta que muitos iniciam a atividade por recomendação médica. Por dia, ele chega a vender cerca de 20 revistas desse tipo, além de outras do mesmo gênero, como sudoku e caça-palavras.

Fonte: jcnet.com.br

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