Troca de farpas em debate entre candidatos à prefeitura do Rio

O debate entre os candidatos à prefeitura do Rio, Eduardo Paes, do PMDB, e Fernando Gabeira, do PV, realizado pela Rádio CBN, foi marcado pela concordância e por troca de alfinetadas principalmente no que se refere ao problema do lixão de Paciência e da construção da Cidade da Música.

Candidatos respondem à perguntas de jornalistas
1) O Sr deixou claro a importância da parceria com o governo e Estadual e Federal através do apoio do governador Sérgio Cabral e do Presidente Lula. Em 2010, os dois terão seus mandatos encerrados e o sr, se for eleito, ainda terá dois anos de mandato como prefeito. Como será o relacionamento com as novas fontes de poder?
Eduardo Paes - Quero tirar o Rio de Janeiro do isolamento político que ele se encontra há 25 anos. Quero ser um prefeito que não utiliza a prefeitura como cavalo de batalha. A população sente que a relação estabelecida entre Cabral e Lula beneficia o Rio. é o estado que recebe mais investimentos. Muitos problemas da cidade são fruto da incapacidade da prefeitura de se relacionar.O Rio não será usado como trincheira. Esse será o comportamento do prefeito Eduardo Paes em qualquer hipótese.
Gabeira - Não tenho nenhum problema quanto o apoio de Cabral e Lula, mas o fato de apoiarem um candidato dá a falsa impressão que o governo vai proteger o candidato. Não sou amigo do presidente, e talvez não seja do próximo, mas eles vão me respeitar por eu ser o prefeito do Rio de Janeiro.
2) Que projetos o sr. tem para a Baía de Guanabara e que autoridade terá para tentar reunir os prefeitos de municípios em torno da Baía, como Niterói e São Gonçalo?
Gabeira - Criei um site chamado cidades sustentáveis, com abertura para a participação de prefeitos. Confio na possibilidade de trabalhar com eles.
Eduardo Paes - Esse é o isolamento a que me refiro. Por exemplo, existe um consórcio de saúde da Baixada que a prefeitura do Rio não participa. Ainda há o problema do lixo. Sou contrário ao lixão de Paciência.
Na réplica Gabeira aproveitou para alfinetar o concorrente:
- Também sou contra o lixão de Paciência, mas lamento que Paes não tenha influenciado na decisão de Cabral neste sentido - ironiza.
3) O sr. foi sub-prefeito da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá. Os problemas dessas áreas englobam falta de saneamento, poluição de lagoas e destruição de reservas ecológicas. como a situação chegou a esse ponto? E o saneamento básico de Jacarepaguá?
Paes - Gabeira se equivocou sobre a alegação anterior. Quem define onde ficará o aterro sanitário é o prefeito e não o governador. Sempre fui contra a implementação do aterro e Sirkis ( Secretário de meio-ambiente na época), não se manifestou. Se eu vencer as eleições o tema aterro de Paciência se esgota- disse - Agora, os problemas de jacarepaguá pretendo resolver com os recusos de US$ 300 milhões doados pelo Banco Japonês.
Gabeira - Estive na 2ª audiência pública sobre o aterro sanitário e meu discurso foi claro, está gravado. Fiquei assustado porque a audiência era formada por uma torcida organizada que recebia R$ 30 reais para estar lá. Não houve discussão.
Na réplica, Paes insinuou que o candidato do PV era a favor do lixão:
- As posições são claras. Se mudou de opinião não tem problema nenhum. o importante é que não fique esse jogo de empurra. é tarefa do prefeito definir onde ficam os resíduos sólidos da cidade.
5) Ambos são contrários a aprovação automática. Que medidas vão tomar a respeito?
Gabeira - O investimento no professor é o aspecto essencial para mudar o processo. Foi o caso de Campo Grande. Temos que eliminar a aprovação automática e avaliar as crianças que estão na escola e os professores. Não é demérito monitorar os professores. precisamos avaliar também se o que ensinamos é adequado. Precisamos fortalecer o trabalho das explicadoras e estimular a entrada de estudantes de pedagogia através de convênios com universidades.
Eduardo Paes - Apoiar a aprovação automática é dizer para as crianças e suas famílias que elas não vão ter chances na vida. Na vida não tem aprovação automática. Isso é ser deseducador. Conversei com professoras que disseram que até os alunos mais estudiosos deixaram de estudar porque sabem que vão passar de ano - disse.
Gabeira concordou com Paes e disse que é preciso entrar na era do conhecimento, e adaptar o conteúdo integrando disciplinas.
A última pergunta dos jornalistas foi sobre a crescente favelização da cidade:
Eduardo Paes - Vou criar uma secretaria de ordem pública que terá poder de organizar a cidade. A parceria com os governos Estadual e Federal vai permitir o avanço do PAC no Rio. Serão definidos parâmetros urbanísticos. Quem já ocupa as comunidades receberá implementos para viver na legalidade. Vamos organizar a cidade tanto na favela quanto no asfalto. Qualquer construção irregular será coibida - finaliza.
Gabeira - Para conter o processo e aultrapassagem dos limites ecológicos vou conversar com as comunidades e fazer acordo com eles. Vou colocar de pé também um dispositivo através de monitoramento por satélite, para que não ultrapassem o limite ecológico. Vou criar também programas voltados para a comunidade, como por exemplo, parceria com o Crea para oferecer serviços de arquitetura e engenharia, além de programa spara quem quiser retornar às cidades natais.
Paes e Gabeira respondem perguntas de ouvintes em debate
1) O que os senhores pretendem fazer em relação a total desordem do transporte público?
Fernando Gabeira: - O primeiro ponto é a licitação para podermos reorganizar o transporte coletivo. O transporte público é muito concentrado na Zona Sul. Na Zona Oeste e Norte, o transporte coletivo é muito escasso. O primeiro passo então é a licitação para depois reorganizar. O bilhete único também vai ajudar a combater a ilegalidade. Ônibus, trens, metrô e vãns terão o bilhete.
Eduardo Paes: - Este é de longe um dos problemas que tem que ser racionalizado. Precisamos integrar as linhas e racionalizar. O bilhete único será fundamental e também a parceria com o Estado. Outra coisa muito importante é que quando forem feitas as licitações, os ônibus terão que ser adaptados para os deficientes físicos.
Candidatos sabatinam adversário
Pergunta de Paes para Gabeira:
- Muito se fala da educação, da aprovação automática, mas eu queria saber como o deputado pretende lidar com a Multi-Rio?
Gabeira: - Ainda não tenho uma proposta certa para a Multi-Rio. É claro que a educação a distância é muito importante e como você (Paes) disse, a Multi-Rio é um instrumento fundamental, mas a educação a distância também pode ser feita com parcerias com o Ministério da Educação. Ainda preciso estudar estas propostas.
Pergunta de Gabeira para Paes: Qual a sua visão sobre a Segurança pública no Rio?
Paes: - O fundamental é que a partir de janeiro teremos a prefeitura, e o governo estadual e federal trabalhando juntos. As mudanças não serão simples, mas trabalharemos juntos na questão da segurança também. Não adianta falar que o governador é o culpado pela segurança, temos é que trabalhar juntos.
Pergunta de Paes para Gabeira: O que pretende fazer para que o Rio não tenha novo surto de dengue como o deste ano?
Gabeira: - O primeiro ponto é começar a trabalhar assim que sair o resultado das eleições e não esperar o dia primeiro de janeiro. É uma questão emergencial. Precisamos primeiro mapear os locais mais atingidos este ano para fazer uma prevenção maior ali. Mas existem casos que não tem como prevenir, e por conta destes casos, precisamos focar na melhor formação dos médicos. Formar mais médicos capazes de diagnosticar a doença. O exame de sangue também precisa ser feito com mais rapidez. Não adianta ter dois grandes centros para atender a doença, não podemos é lotar os hospitais.
Pergunta de Gabeira para Paes: Qual a sua posição sobre a Cidade da Música?
Paes: - É um equívoco profundo. Em uma cidade em que tantos morreram pela dengue, em que a única certeza dos pais quando os filhos vão para a escola pública é que eles vão passar de ano pela aprovação automática, em uma cidade mal iluminada, é um equívoco gastar R$600 milhões com a Cidade da Música. Espero que seja concluída e que o atual prefeito arque com todos os gastos até o fim do ano. E aí poderemos usa-lá para aulas de música, usar para ajudar as comunidades carentes. Mas é um absurdo o gasto que foi feito.

Fonte: jbonline.terra.com.br

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