O número de multas de trânsito aplicadas em Bauru neste ano aumentou em comparação com a média mensal de 2007, mas o município está arrecadando menos com as infrações. A estatística da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) dá um indicativo de que o motorista está evitando as multas de maior valor. Para não pôr a mão no bolso ou um pouco mais preocupado em evitar acidentes, o fato é que as multas estão dando menos dinheiro aos cofres públicos.
A média mensal de multas passou de 3.845 no ano passado para 5.285 neste ano. Em 2007, os motoristas pagaram R$ 4,1 milhões em multas, o que representa R$ 342 mil mensais, contra os R$ 3,1 milhões recolhidos de janeiro a outubro deste ano, uma média mensal de R$ 310 mil. E em função da queda na arrecadação, Carlos Barbieri, presidente da Emdurb, adotou um sistema de controle de redução de gastos na área de trânsito.
“Em média, gastamos R$ 815 mil por mês com o setor de trânsito e não estamos arrecadando tudo isso. Como estamos tendo de colocar dinheiro da Emdurb, adotamos um rígido controle de gastos em todos os setores, de telefone a papel”, explica ele, que cortou mais de 40 linhas de telefone entre as usadas pela Polícia Militar e Emdurb.
Conforme prevê o convênio de municipalização de multas de trânsito firmado entre a prefeitura e o Estado, o dinheiro arrecadado com as multas de solo vão para os cofres municipais, mas o município paga despesas das polícias Civil e Militar que atuam no trânsito, como combustível, manutenção de viaturas e conta de telefone e aluguel, além de ceder funcionários.
Para Barbieri, a redução do valor arrecadado com multas reflete a conscientização dos motoristas. Ele lembra que a cidade ganhou mais radares – atualmente são 21 pontos de fiscalização eletrônica - e que a frota aumentou. De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em setembro a frota de Bauru era de 171.910 veículos, sendo 109.101 automóveis, caminhões e ônibus e 32.394 motocicletas. Porém, mesmo com mais veículos nas ruas e mais radares, a arrecadação caiu.
Com as polícias Civil e Militar e Junta Administrativa de Recursos de Infração (Jari), a Emdurb tem gasto mensal fixo de R$ 103 mil. Já com os cerca de 150 funcionários da área de trânsito, incluindo os da Área Azul, instalação e manutenção de sinalização viária, gasta cerca de R$ 710 mil por mês. E tem arrecadado, neste ano, uma média de R$ 342 mil mensais.
Para pagar as contas, a Emdurb está empregando no trânsito dinheiro de outros setores, como o da limpeza pública. Além do valor recebido pela prefeitura pelo serviço de coleta de lixo domiciliar, a Emdurb presta serviços de limpeza aos munícipes mediante pagamento. “Mas este dinheiro que estamos colocando no trânsito poderia ser aplicado em outros setores”, diz Barbieri, que defende a criação de um fundo para gerir o valor arrecadado com multa.
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“Na marra”
Há mais de dez anos trabalhando como taxista, José Luiz Apolônio, 58 anos, conta que aprendeu, ‘na marra’, a evitar qualquer situação que pudesse resultar em multa de trânsito. Embora se considere um motorista prudente e responsável, conta que, nos primeiros anos de exercício da profissão, foi punido duas vezes: por estacionar irregularmente e por estar com a lanterna do carro queimado. “As multas não foram caras, mas a gente aprende a se precaver. Ninguém gosta de gastar dinheiro com isso”, avalia.
A exemplo de Apolônio, o fonoaudiólogo Maurício Rocha, 30 anos, já teve que abrir o bolso algumas vezes para quitar multas que lhe foram aplicadas. Uma delas foi pela falta de uso de cinto de segurança.
“Hoje não esqueço mais o cinto, e nem falo no celular enquanto estou dirigindo. (Tenho essa preocupação) não só pela multa, mas também pela segurança no trânsito”, diz.
Já o mototaxista Evandro Fernandes do Amaral Filho, 37 anos, diz que a profissão exige rapidez na prestação de serviço, o que, muitas vezes, acaba comprometendo qualquer intenção de dirigir com cautela. Em anos de trabalho, ele colecionou multas por infrações que vão desde ultrapassar o sinal vermelho até ser flagrado dirigindo em velocidade acima da permitida.
“Mas nunca fui pego pelo radar. Mesmo porque aqui em Bauru é difícil andar a mais de 70 (quilômetros) por hora, por causa da pavimentação ruim, dos buracos, valetas e lombadas”, conclui.
Fonte: jcnet.com.br
Mais temerosos no trânsito, motoristas levam menos multas graves em Bauru
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