Medidas garantem conforto a idosos

Dificuldades em subir degraus, problemas para se levantar de uma cadeira. Na terceira idade, ações corriqueiras como enfrentar escadas ou se sentar para uma refeição viram grandes desafios. Pensando em facilitar a locomoção e melhorar o conforto do idoso, o fisioterapeuta Adelton Napoleão Franco reuniu medidas de peso, estatura e envergadura de 190 pessoas da terceira idade para a criação de um banco de dados. A intenção do pesquisador é disponibilizar essas informações para a elaboração de móveis e utensílios mais adequados a essa população.

O trabalho teve início em 2004, quando o Grupo de Estudos Ergonômicos do Departamento de Desenho Industrial da Universidade Estadual Paulista (Unesp) passou a pesquisar as medidas. “Como fisioterapeuta, eu percebia que os lares apresentavam muitas coisas erradas para os idosos. A altura da pia, das mesas, do varal e até do vaso sanitário. Para um idoso com dificuldades de locomoção, ou seqüelas de um AVC (acidente vascular cerebral), isso é pior ainda”, destaca.

Franco então procurou a Unesp, onde já havia um trabalho de medidas com crianças, estudantes e jovens. “Nossa motivação foi a dificuldade de acesso do idoso a coisas simples. Eles sentem muita dificuldade de equilíbrio, coisas que não ponderamos quando jovens”, diz. “E se tiverem móveis e utensílios adequados às suas alturas, não precisam ser idosos esportistas para fazer coisas corriqueiras”, destaca o fisioterapeuta.

Foram medidos 50 homens e 140 mulheres entre 50 e 80 anos. Os dados foram coletados e confrontados. Os resultados foram reunidos em um CD, que relacionou 27 variáveis para alturas com os homens e mulheres em pé e também sentados. Cada uma delas com os resultados máximos, mínimos e as médias gerais.

A pesquisa também elencou sete parâmetros para ambientes de repouso, como a altura mais adequada de sofás e poltronas, que seria entre 36 centímetros e 49,5 centímetros no máximo. Outros 11 índices para ambientes de higienização, como altura de torneiras, que deve ficar a no mínimo 119 centímetros e no máximo 152 centímetros do solo. Por fim, foram relacionados cinco parâmetros para ambientes de alimentação, que definiram a distância mais segura entre os móveis de uma cozinha para a melhor circulação do idoso, como 51 centímetros. Até a altura do fogão foi verificada. Mínima de 88 centímetros, máxima de 110,5 centímetros.

Franco pondera que as variações são muito grandes, porque o idoso brasileiro tem grande diversidade em seu tipo físico. “A variedade é muito grande, por isso é prejudicial utensílios de tamanho único. Uma cadeia mais adequada para a terceira idade é a que é regulável”, exemplifica.

Com o banco de dados formado, Franco explica que vai passar para a parte prática. “A criação de um ambiente para a confrontação. A idéia é construir uma simulação e verificar como é o comportamento dentro deste ambiente”, conta. O trabalho será distribuído para universidades e ficará à disposição de alunos e professores. A idéia é poder ser utilizado também como padrão oficial (veja quadro acima).

Positivo

Ubaldo Benjamim, que já foi presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa e já fez parte do Conselho Estadual da categoria, destaca que os lares brasileiros não são adequados à terceira idade. “Atualmente, com o aumento da expectativa de vida, o idoso pode usufruir melhor da velhice, mas as casas não estão prontas para isso. Elas são feitas e mobiliadas para jovens sadios”, critica.

Ele destaca como um dos principais pontos negativos os prédios públicos repletos de escadas. “A acessibilidade é precária. Não existem corrimões e os degraus são altos. Além disso, não temos mobiliários específicos, como camas, cadeiras. Ninguém tinha se preocupado com isso até hoje”, diz.


• Serviço

Para informações sobre a pesquisa, o correio eletrônico do fisioterapeuta é adeltonergonomia@yahoo.com.br.
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ABNT

Em resposta ao Jornal da Cidade, a Associação Brasileira de Normas Técncicas (ABNT) informou que não possui norma de medidas para idosos. A organização trabalha sob demanda, ou seja, promove a elaboração de normas quando determinado segmento da sociedade leva a ela a reivindicação.

Até agora não houve qualquer mobilização nesse sentido, mas a ABNT deixou espaço aberto para o fisioterapeuta Adelton Franco entrar em contato com a entidade, para que se estude a viabilidade de transformar o trabalho em norma técnica.

A ABNT informa que mantém normas de acessibilidade que atendem pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, incluindo idosos e obesos.

Fonte: jcnet.com.br

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