PMDB ganha mais força populacional

A partir do ano que vem, o PSDB vai administrar o equivalente a 245.089 habitantes em 17 cidades na região administrativa de Bauru, composta de 39 municípios. O maior rival é o PMDB, que vai controlar menos cidades, porém uma população somada maior: 466.302 habitantes. A vitória de Rodrigo Agostinho no segundo turno em Bauru acrescenta uma cidade de 357 mil pessoas.

O levantamento foi feito pelo JC com base na estimativa de habitantes de 2008 da Fundação Seade. A aliança pró-Serra composta por PSDB, DEM, PTB e PPS elegeu 22 prefeitos das 39 cidades. O PT controla três cidades, que são o equivalente a 31.787 habitantes, mas ganha força com a aliança com o PMDB em Bauru, cuja cidade vai ajudar a administrar.

No Estado inteiro, PSDB, DEM e PMDB foram as legendas que mais elegeram prefeitos. Ao todo, são 394, mais da metade dos 645 municípios, e um total de 15,4 milhões de votos. Só os tucanos elegeram 202 prefeitos, apenas quatro a mais, na comparação com 2004.

O PPS elegeu 29 prefeituras, o que representa 772 mil habitantes. Na região, o partido vai controlar três: Barra Bonita, Itapuí e Mineiros do Tietê. O DEM conquistou 76 prefeituras em todo o Estado e tem representante na região em Ubirajara.

O PT subiu de 57 para 64 cidades, principalmente em grandes centros urbanos. Os petistas vão ter o controle de 7,3 milhões de pessoas no Estado inteiro. Na região, são três cidades.

Imbróglio no PMDB

As alianças fechadas na cúpula podem não ter a mesma repercussão nas “bases”. Em Bauru, o PMDB se aliou ao PT. O prefeito eleito Rodrigo Agostinho teve apoio do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que até gravou depoimento para a propaganda eleitoral.

O peemedebista joga toda a sua sorte nos recursos federais para alavancar sua futura administração. Além disso, seu principal oponente foi Caio Coube, do PSDB, com apoio do governador José Serra.

Há um problema no caminho de Rodrigo: o ex-governador Orestes Quércia fechou com Gilberto Kassab (DEM) na última eleição da Capital e saiu-se vitorioso.

Em troca, Quércia deve retribuir o apoio em 2010 para Serra numa eventual eleição a presidente. Isso deve trazer preocupação para Rodrigo, porque, em Bauru, o partido está aliado ao PT.

O coordenador regional do PMDB bauruense, Alex Gasparini, aposta que essa questão será discutida somente no ano que vem no diretório estadual. Mas ele acredita que Quércia vai respeitar as bases. Para Gasparini, é difícil o PMDB bauruense apoiar os tucanos.

“A aliança com o PSDB é difícil de ocorrer, porque o nosso perfil ideológico não compactua com a política de privatização dos tucanos, somos mais nacionalistas e de centro-esquerda”, declara o coordenador regional peemedebista. Há uma rivalidade que vem desde a fundação do MDB durante a ditadura militar.

Para o coordenador do PSDB na região, José Antonio Marise, os tucanos não saíram enfraquecidos do processo eleitoral, mesmo não tendo eleito prefeito em Bauru.

O candidato Caio Coube obteve 81.896 votos, o equivalente a 45,70%. Embora em termos absolutos, o PMDB vai administrar a maior cidade da região, de 357.132 habitantes, no confronto eleitoral houve divisão nos votos.

A aliança PSDB, DEM e PPS controla pequenas cidades, enquanto o PMDB e o PV estão nas cidades maiores, como Bauru, Lins e Jaú.

Marise minimiza o fato de o partido tucano ficar com os pequenos municípios. Para ele, cada cidade tem uma característica política. “Nem sempre a eleição representa o peso político do partido”, declara.

Segundo ele, o PSDB tem uma base de apoio forte se contar as cidades que elegeram prefeitos do DEM, PPS, PP e PV.

O coordenador do PV na região de Bauru, João Francisco Bertoncello Danieletto, disse que as sucessões estadual e presidencial já começaram a ser discutidas internamente no partido. Embora o PV esteja na base de apoio do governador José Serra, Danieletto afirma que, no PV, há resistência a continuar aliado aos tucanos. Ele cita a prefeitura de Pederneiras, que tem preferência de aliar-se ao governo federal, e também alguns vereadores.

Segundo ele, o PV é a quarta maior bancada na Assembléia Legislativa, elegeu 24 prefeitos em todo o Estado e três prefeituras na região (Jaú, Pederneiras e Bocaina), além de quatro vices em coligações com outros partidos. Danieletto admite, porém, que pessoalmente é favorável a fazer aliança com o governo tucano.

Fonte: jcnet.com.br

seja o primeiro a comentar!