De olho em um público cujo pensamento e estilo de trabalho ainda podem ser moldados, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/SP) pretende difundir a cultura do empreendedorismo em todos os níveis da educação – do fundamental ao superior. O primeiro passo aconteceu na manhã de ontem, em um hotel de Bauru, com a apresentação do Fórum de Disseminação da Cultura Empreendedora no Ensino Formal do Centro-Oeste Paulista. No evento foram realizadas palestras, debates e workshops que enfocaram a importância do assunto para um público formado por empresários, gestores públicos e autoridades políticas.
Para o superintendente do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella, o momento é propício para a aplicação do programa. Ele acredita que a cultura do empreendedorismo nunca foi tão fortemente debatida como atualmente, porém, salienta que ainda não há a formulação de políticas públicas que preparem adequadamente o jovem neste sentido. Como conseqüência, Tortorella cita a dificuldade que vários profissionais encontram antes de abrir o próprio negócio. “Na hora ‘h’, o profissional irá abrir um escritório, porém não foi preparado para isso. Não ensinaram a ele gestão, ser gerente de uma empresa”, destaca.
O resultado é que, de acordo com o empresário, itens como receita, despesa, lucro, marketing e concorrência acabam não integrando o vocabulário dessas pessoas. “Não basta ter uma formação, é necessário ter um comportamento empreendedor”, destaca.
A metodologia sobre como aplicar a cadeia do empreendedorismo está disponível de forma gratuita para o ensino público. De acordo com Tortorella, a aplicação do modelo deve ser feita nos primeiros anos da vida escolar, passando por cursos de mestrado e doutorado, nos moldes já existentes em países nórdicos como Finlândia e Dinamarca. Ele, no entanto, acredita no sucesso do modelo no Brasil. “O que a gente chama de jeitinho brasileiro é uma veia do empreendedorismo. Mas não basta ter o dom. Precisamos ensinar o empreendedorismo em um processo de formação escolar”, observa.
Ele credita, inclusive, a alta mortalidade de micro e pequenas empresas à falta de planejamento e formação adequada. Tortorella cita, ainda, o exemplo da cidade de Lins (102 quilômetros de Bauru), cujas escolas municipais, estaduais e particulares possuem na grade curricular, desde 2006, disciplinas relacionadas ao empreendedorismo.
Esse é o primeiro evento sobre ensino empreendedor realizado pelo Sebrae-SP após a divulgação do prêmio “As 100 Empresas de Maior Prestígio no País”, na categoria educação, conferido pela revista Época Negócios em cerimônia realizada na última segunda-feira, em São Paulo. A premiação foi promovida com base em levantamento nacional com mais de 12 mil entrevistas e foi coordenado pela Troiano Consultoria de Marca. A pesquisa mapeou o julgamento do consumidor brasileiro sobre a reputação das empresas que atuam no mercado nacional e internacional.
Para o gerente regional do Sebrae em Bauru, Milton Debiasi, o encontro realizado ontem reforça a necessidade de implantar a disciplina empreendedorismo no currículo escolar de instituições públicas e privadas da cidade. A idéia é iniciar uma mobilização neste sentido a partir do ano que vem, quando um novo prefeito assumirá.
Debiase conta que, há três anos, houve uma tentativa do Sebrae em implantar essa iniciativa no município, mas sem sucesso. “Como nem o Estado nem o município tinham dinheiro para custear as apostilas do curso, não conseguimos implementá-lo”, comenta. Por isso, para 2009, o projeto deve contemplar parcerias com empresas que possam patrocinar a confecção de cópias do material elaborado pelo Sebrae.
Uma das instituições com maior expectativa para que a metodologia seja implantada é a escola estadual Ernesto Monte, que realiza parcerias com o Sebrae há quatro anos. No entanto, segundo a diretora Heloíse Helena Cerqueira de Souza, os projetos são pontuais. “Se for de interesse da Secretaria Estadual de Educação, a inclusão do empreendedorismo como disciplina será muito bem vinda. Se não, continuaremos a abordar o tema transversalmente em sala de aula e a realizar palestras e projetos”, finaliza.
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Crise depende de adequação
O tom diplomático tomou conta do discurso do superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/SP), Ricardo Tortorella. Perguntado como o setor vê a eleição do democrata Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, ele afirmou que é preciso esperar a composição do governo e a nomeação dos secretários. “A expectativa que o mundo cria em cima de uma liderança tem um apelo muito forte”, limitou-se a dizer. Sobre a crise americana, ele afirma que os empresários brasileiros precisam se adequar.
Em relação às pequenas e médias empresas, Tortorella acredita que a mortalidade diminuirá consideravelmente. “Vai diminuir, pois nossos empreendimentos são fortes, sólidos e competitivos. Mas também não basta crescer. A pequena empresa ainda tem acesso difícil a crédito e tecnologia. Precisamos mudar paradigmas”, alerta.
Fonte: jcnet.com.br
Sebrae incentiva empreendedorismo
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