Com 45% das vendas, cartão de crédito é vedete do Natal

Neste fim de ano, quase metade das compras feitas no comércio de Bauru foi paga com cartão de crédito. De acordo com Sérgio Evandro do Amaral Motta, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, aproximadamente 45% dos consumidores optaram por usar o ‘dinheiro de plástico’ para levar os presentes de Natal para casa. E a maioria das vendas foi parcelada.

“Essa escolha foi uma novidade para o comércio porque, até 2007, 50% dos consumidores utilizavam o talão de cheques”, relata. Em 2008, o cheque pré-datado correspondeu a apenas 5% das formas de pagamento. As transações em dinheiro (com 30%) e no crediário (20%) corresponderam ao restante das compras.

Motta acredita que o novo comportamento se deve às facilidades que o cartão de crédito oferece no momento de consumar a compra e também durante a cobrança das parcelas, nos meses subseqüentes. “É mais prático e confortável. A pessoa não precisa fazer cadastro na loja, não há consulta ao Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) e é possível parcelar no preço à vista. Em caso de compra parcelada, não precisa preencher um monte de cheques ou ter de voltar na loja para quitar os carnês”, detalha.

Gerente de uma loja de jóias, Marluce Araújo Cavaca revela que 40% das vendas no estabelecimento foram efetuadas através de cartão de crédito. “A maioria das vendas ainda é firmada a prazo. Muitos clientes aproveitam a facilidade de parcelar o preço à vista, no cartão, em até 10 vezes, mesmo quando o valor da compra é pequeno”, conta.

Assim como Marluce, Danilo Rodrigues Afonso, gerente de um loja de confecções, confirma que o cartão de crédito ganhou a preferência dos consumidores. Ele aponta, no entanto, que muitos consumidores aproveitaram parte do 13.º salário para garantir o pagamento das compras à vista.

“As pessoas estão aprendendo a se controlar e fazendo opção também pelo cartão de débito. Junto com o cartão de crédito, ele foi responsável por 60% das vendas. Para a loja e para o cliente, é muito mais vantajoso”, acrescenta.

Na loja gerenciada por Afonso, o cheque também perdeu espaço. Ele acredita que apenas 10% das compras foram pagas dessa maneira. Mesmo assim, o estabelecimento registrou aumento de 15% nas vendas em relação a 2007.

Vendas maiores

Embora ainda não tenha realizado um levantamento oficial junto aos lojistas, a expectativa da CDL é que as vendas tenham aumentado, em média, 10% em comparação ao mesmo período do último ano. E os setores mais bem sucedidos neste Natal foram aqueles que comercializam produtos de baixo valor, segundo Motta. “Alguns setores do comércio venderam mais, outros registraram vendas menores. Os de eletrodomésticos e móveis lucraram menos este ano do que no ano passado”, cita.

Para ele, o medo da crise que assombra o mundo fez com que o consumidor deixasse de assumir compromissos de longo prazo. “Lojas de produtos mais caros chegam a parcelar as compras em até 24 vezes para que a prestação caiba no bolso do cliente. Mesmo assim, o consumidor foi cauteloso”, destaca.

De acordo com o economista Wagner Ismanhoto, ao contrário dos últimos anos, a postura do consumidor no Natal de 2008 reflete uma preocupação maior em não contrair dívidas que extrapolem o orçamento familiar. Foi por essa razão, segundo ele, que o comércio popular ganhou espaço e não sentiu os efeitos da crise econômica mundial.

Embora avalie que a maioria dos consumidores agiu com prudência, o economista alerta que aqueles que utilizaram o cartão de crédito descontroladamente terão problemas no primeiro trimestre de 2009. “Estamos vindo de um momento bastante conturbado economicamente. Junte-se a isso as contas fixas a serem pagas nos início do próximo ano, como impostos e matrícula escolar. Se pensarmos que os juros do cartão de crédito giram entre 12% e 13% ao mês, quem não conseguir honrar suas dívidas certamente terá muita dor de cabeça”, analisa.

A orientação para os futuros inadimplentes, segundo Ismanhoto, é aderir a um financiamento junto a um banco para quitar o débito e “quebrar o cartão antes que o cartão quebre você”.

Shopping

A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) divulgou que as vendas cresceram em média 3,5% neste ano na comparação com o ano anterior, já descontada a inflação. Em termos nominais, a alta foi de 9,5% ante a expectativa de 8% a 10% da entidade. De acordo com a Alshop, os 689 shoppings em atividade no Brasil foram responsáveis por vendas reais de R$ 70,7 bilhões ao longo deste ano, com alta de 6,4% em relação a 2007.

Fonte: jcnet.com.br

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