GNV vai aumentar 55% em Bauru

De uma hora para outra o preço do metro cúbico do Gás Natural Veicular (GNV), que já foi o combustível mais barato do País, superou até o valor do litro da gasolina em Bauru. De acordo com o apurado pelo Jornal da Cidade, a concessionária responsável pela venda do GNV na região anunciou aumento de 55% do metro cúbico.

A distribuidora já repassou o valor aos postos de combustíveis. Hoje, dos dois estabelecimentos que vendem o GNV em Bauru, pelo menos um já deve estar com valores reajustados na bomba. O valor do metro cúbico vai passar de R$ 1,69 para R$ 2,65. De acordo com informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em Bauru a gasolina é vendida a uma média de R$ 2,48 e o álcool a R$ 1,30 o litro. A estimativa é que em Bauru 1,5 mil veículos abasteçam com o gás.

A decisão da concessionária em aumentar o preço do metro cúbico do GNV em mais de 50% pegou todo mundo de surpresa. O Jornal da Cidade entrou em contato com a empresa para saber os motivos do índice de reajuste tão alto, mas apesar das tentativas, não obteve resposta da concessionária.

Um comerciante ficou bastante surpreso. “Estou indignado e não aceito esse aumento”, afirmou Cláudio Garbulho. Seu estabelecimento foi o primeiro a vender o combustível na cidade e chegou a comercializar 140 mil metros cúbicos por mês. Com a abertura de um segundo posto que comercializa GNV em Bauru e outro na região, atualmente as vendas não passam dos 50 mil metros cúbicos mensais.

Ele calcula que ao repassar o reajuste nas bombas, passará a vender o combustível a R$ 2,64. “Como revendedor de gás, acredito que ficará inviável para o consumidor”, avalia. Mas ele afirma que não vai aumentar imediatamente o valor. “Eu vou esperar uma explicação para esse reajuste”, garante.

O outro estabelecimento de venda de GNV em Bauru confirmou o aumento. Para o empresário Everton Tomio Yamamoto, as vendas deverão cair drasticamente. “Hoje vendemos 60, 70 mil metros cúbicos por mês. Mas o movimento vai cair”, lamenta. Ele acredita que o consumidor vai fazer as contas. “Quem tem carro a álcool não vai abastecer com gás”, acredita.

Mas Yamamoto pondera que apesar de passar a ser mais caro que a gasolina depois do aumento, o gás ainda vai compensar. “Um veículo que faz 11 quilômetros com um litro de gasolina, faz 15 com um metro cúbico de GNV. Então, ainda vai ser mais econômico o gás”, calcula. Ele acredita que em seu estabelecimento o valor do metro cúbico de GNV deve chegar a R$ 2,65.

A reportagem teve acesso a documentos que comprovam que a concessionária que entrega o GNV na região aumentou a tarifa cobrada das distribuidoras. A empresa que faz a revenda para os postos de combustíveis informou que apenas repassou o reajuste. Procurada pelo Jornal da Cidade, a concessionária não retornou o pedido de informações sobre o motivo do aumento.

Prejuízo

Na noite de ontem, o vendedor Sérgio Ricardo Cardoso, 31 anos, abastecia sua caminhonete em um posto de GNV em Bauru. Ao saber do aumento, ficou revoltado. “É um absurdo. E o investimento que eu fiz para instalar o kit?”, questiona. “Se for para R$ 2,64 (o metro cúbico), não compensa”, lamenta o vendedor que mora em Agudos e abastece o veículo em Bauru.

O mecânico de manutenção industrial Leonardo Oliveira é de Mogi Guaçu e viajava na noite de ontem para Araçatuba. “Desde Piracicaba estou procurando um lugar com GNV para abastecer e só encontrei aqui. Mas aqui está um pouco mais caro”, compara. Ao saber do aumento, ele se preocupou. “Se estender para o resto do Estado, vai ser muito ruim”, diz.

Para o técnico em mecânica em injeção eletrônica Sérgio Cavalini, responsável por uma oficina que faz a instalação do kit para GNV em Bauru, com o aumento, abastecer o carro com gás só vai compensar para quem costuma dirigir muito. “Calculo que vai continuar sendo econômico para quem anda uns dois mil quilômetros por mês”, pondera.

Explicação

O Jornal da Cidade entrou em contato com a concessionária que fornece o Gás Natural Veicular (GNV) para a região de Bauru para saber o motivo do índice de reajuste tão alto. Apesar dos pedidos de informação, não houve retorno.

O economista Reinaldo Cafeo explica que a resposta pode estar na alta do petróleo no período anterior à crise econômica mundial. “O valor é calculado trimestralmente e leva em conta o trimestre anterior. Então, levou-se em conta o preço do petróleo praticado de julho a setembro, quando estava mais salgado”, avalia. Mesmo assim, ele considera o aumento excessivo. “É um momento inoportuno para um reajuste desse tanto”, pondera.

Para Cafeo, cabe ao cidadão reagir a esse aumento.

“O consumidor sabe o seu limite de gasto”, destaca. Ele também lembra que o reajuste não vai afetar somente os cerca de 1,5 mil motoristas bauruenses que abastecem com GNV. “O aumento também vai afetar a indústria. Em Bauru não existe muitas empresas que consomem gás, mas na região e no Estado elas são várias e isso vai afetar o segmento”, avalia.

Fonte: jcnet.com.br

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