Há exatos dois anos a comerciante Maria Aparecida da Silva Cruz procura pela mãe Idia de Araújo Silva, 73 anos, moradora de Bauru. Em 2006, a idosa passava o final de ano com a família em uma praia de Ubatuba, Litoral de São Paulo, quando desapareceu. Após milhares de cartas, visitar 800 praias e investir mais de R$ 8 mil nas buscas, Maria Aparecida não perdeu a esperança de um dia encontrar a mãe.
No dia 22 de dezembro de 2006, Idia saiu de Bauru em viagem de férias com um dos filhos rumo ao Litoral. Portadora de mal de Alzheimer, tendo esquecimentos repentinos, Idia desapareceu no dia 31 do local onde seu filho e outras pessoas estavam, sem que ninguém percebesse. “Foram meses de muita luta. Aconteceu tanta coisa”, conta. Nesses dois anos, ela relata que diversas vezes viajou ao litoral paulista e até para pontos do Rio de Janeiro atrás de pistas sobre o paradeiro de sua mãe. A comerciante conta que, para levantar recurso para as viagens, vende roupas usadas nas ruas de Bauru. Com o dinheiro enche o tanque de um Voyage 83, que já está pedindo socorro.
O motor fundiu recentemente e Maria Aparecida demorou para conseguir recuperá-lo. “Em outubro, tínhamos a intenção de ir para o centro do Rio de Janeiro divulgar fotos e distribuir panfletos sobre a minha mãe. Mas antes de chegar, o carburador quebrou. Andamos 16 quilômetros parando de 50 em 50 metros para colocar água. Encontramos uma oficina na estrada e tivemos que deixar todo nosso dinheiro para comprar um carburador novo”, recorda.
Conseguiram chegar a Aparecida, onde ela pediu ajuda de Nossa Senhora para a mãe. Mas os pedidos de ajuda também foram mandados para emissoras de televisão, prefeituras de cidades litorâneas e até para o presidente da República. “Recebi uma carta do Lula. A presidência me mandou o número de um ofício que seria encaminhado ao Ministério da Justiça. Também mandei para o (senador Eduardo) Suplicy, que também respondeu que vai procurar o Ministério da Justiça”, afirma.
Ela acredita que a mãe tenha entrado em algum ônibus ou pego carona com alguém. “Ela saiu sem identidade, com a roupa do corpo. Não pode ter ido muito longe. Mesmo porque ela tem artrose no joelho”, lembra. Para ela, Idia deve estar sem memória. “Ela jamais deixaria a gente sem notícias”, diz.
Maria Aparecida conta que já procurou a mãe em hospitais, clínicas e centenas de praias. “Cada dia, visitávamos 30 lugares”, diz. E para economizar, ela e o marido dormem no próprio veículo. “Quando encontrar minha mãe, ou tiver uma resposta, vou agradecer todo mundo que me ajudou. Aliás, já tenho muita gente para agradecer”, conta.
Ela afirma que ainda em janeiro irá participar de um programa de rede nacional para pedir auxílio. “É uma chance que eu estou torcendo muito”, conta. Para ela, a ajuda não precisa ser muita. “Quero só poder arrumar meu carro e continuar podendo fazer minhas viagens. Não dou isso por encerrado. Vou continuar a minha luta”, afirma.
Serviço
Informações sobre o paradeiro de Idia e ajuda podem ser passadas à família pelo telefone (14) 3234-9402.
Fonte: jcnet.com.br
Há 2 anos família procura idosa que sumiu no Litoral
Assinar:
Postar comentários (Atom)
seja o primeiro a comentar!