Moradores de rua ganham almoço de Natal na praça

Pelo quinto ano seguido, Silvana (não quis falar o nome completo), 36 anos, passa o Natal na rua. Natural de Maringá (PR), perambulou por várias cidades até chegar em Bauru, onde está há três meses. Comemorou o Natal com outros dez moradores de rua no coreto da Praça Rui Barbosa, no Centro.

“Essa é nossa família”, diz. “A meia-noite foi o maior ‘choreiro’. Começamos a lembrar de filho, de pai, de mãe.”

A sensação de abandono, como descreveu à reportagem, só foi amenizada pela chegada de Aparecida dos Santos de Oliveira, 54, e Antonio Nazaret de Oliveira, 54, moradores da Vila Garcia que há três anos dedicam-se a servir o almoço de Natal aos moradores de rua do Centro.

No cardápio, macarronada, mandioca com carne, purê de batata e arroz, tudo fruto de doações arrecadadas pelo casal e amigos nas comunidades da paróquia de São João Batista.

Como já é tradição, o casal inicia a distribuição dos marmitex na praça Rui Barbosa a todos os moradores que encontram pelo caminho, com direito a guaraná e mousse e gelatina de sobremesa.

“No primeiro ano não chegamos nem na praça Machado de Melo. Hoje trouxemos mais de 60 marmitex. Acho que vai dar para ajudar todo mundo”, diz Aparecida.

Fé é a base da solidariedade, diz grupo

Aparecida acordou às 5h para preparar as refeições. Neste ano, teve a ajuda da amiga Maria Aparecida dos Santos, 49. Foram necessários dois carros para levar à praça as marmitex. Juntou-se ao grupo, então, o amigo Benedito Pereira de Souza, 67, que auxiliou com o transporte.

“Como a gente tem um pouquinho de conhecimento espiritual e sabe que Natal é amor, é paz, é caridade, a gente decidiu vir ao encontro desses nossos irmãos”, justifica-se.

As doações foram coletadas nos grupos de oração, apostolados e na Legião de Maria da paróquia. Segundo Aparecida, todos fizeram questão de ajudar com um pouquinho.

Para pessoas como Silvana, a ajuda chegou em boa hora – sua última refeição havia sido há mais de um dia.

“Cada morador de rua tem uma história. A maior causa de estarmos na rua é problemas com nossa família. O preconceito contra a gente é grande, mas graças a Deus ainda existem pessoas assim.”

Fonte: redebomdia.com.br

seja o primeiro a comentar!