Nasa revela: planta em casa limpa o ar e gera bem-estar

Aquela folhagem que costuma ficar largada em algum canto escuro da sala de sua casa, esquecida por tudo e por todos, pode ter um papel fundamental na preservação da saúde de sua família. Estudo desenvolvido pela Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) aponta que as plantas são capazes de neutralizar a poluição do ar em ambientes fechados. Originalmente, a pesquisa tentava encontrar meios de livrar as naves espaciais da presença das substâncias químicas tóxicas que podem levar ao surgimento de alergias, asma e outras patologias ainda mais graves em seus ocupantes.

A partir daí, estudiosos da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) passaram a vistoriar prédios públicos como escritórios, hospitais e creches, e acabaram chegando a uma conclusão assustadora: havia nesses lugares cerca de 900 poluentes transportados pelo ar, sendo que o mais comum deles, o formoleído, é altamente tóxico e tido como cancerígeno. Outras substâncias bastante nocivas à saúde humana identificadas pelos pesquisadores foram o amoníaco, o álcool, a acetona, o benzeno e o clorofórmio.

Como todo esse veneno foi parar nesses lugares? A explicação é simples: muitas dessas substâncias são utilizadas na fabricação de artigos que fazem parte de nosso dia-a-dia; o formoldeído, por exemplo, é usado em vários materiais de construção, vidros, espelhos, roupas e até no papel higiênico.

Mas calma! Nada de sair por aí desesperado quebrando espelhos (até porque, dizem, isso dá azar) ou atirando papel higiênico pela janela. Os pesquisadores descobriram uma forma bastante simples de livrar nossas casas desse perigo invisível. A solução estaria em algumas plantas como a babosa, a samambaia e a palmeira areca, todas elas fáceis de se encontrar em jardins. Essas espécies possuiriam um tipo de filtro interno capaz de neutralizar as substâncias tóxicas do ar. De acordo com os estudiosos, as plantas são capazes de absorver pelas folhas tais compostos químicos, destruindo-os por meio de um processo denominado colapso metabólico. Os elementos nocivos à saúde são convertidos em ácidos orgânicos, açúcares e amido, passando a funcionar como fonte de energia para o vegetal.

O biólogo bauruense Jonas Rangel, do Instituto Ambiental Vidágua, explica que a planta transforma energia luminosa em energia química por meio da fotossíntese, aproveitando a luz solar para converter dióxido de carbono, água e sais minerais em compostos orgânicos e oxigênio. “Apesar de liberar gás carbônico em períodos sem luz, a planta acaba produzindo mais oxigênio do que CO2 no decorrer de seu ciclo de vida”, salienta.

Além de capturar as substâncias tóxicas do ar, os vegetais dentro de casa ajudariam a aumentar a umidade nos ambientes fechados. “Se contarem com iluminação suficiente, as plantas cultivadas em água são eficientes na redução do transporte de fungos e bactérias e podem tornar o ambiente mais úmido”, afirma a professora Maricê Domingues Heubel, coordenadora do curso de ciências biológicas da Universidade do Sagrado Coração (USC).

O engenheiro ambiental Bill Wolverton, ex-pesquisador da Nasa e autor do livro “Plants: they contribute to human health and well-being” (“Plantas, como elas contribuem para a saúde e o bem-estar humano”), com lançamento previsto para 2009 nos Estados Unidos, recomenda que se use o maior número possível de plantas em um determinado espaço fechado.

Mas, como fazem questão de frisar os biólogos e profissionais da jardinagem, é importante não deixar de lado o bom senso, pois o vegetal só conseguirá ir adiante em locais que oferecerem condições adequadas ao seu desenvolvimento.

“As plantas são seres muito sensíveis - mais sensíveis do que nós, inclusive, pois estão há mais tempo no planeta - e sentem mais intensamente as mudanças de temperatura, ambiente e umidade”, explica a bióloga Teresa Cristina Aragão Mastrangelli, que ministra cursos de jardinagem e paisagismo no Serviço Social da Indústria (Sesi) de Bauru.

Uma vez que se tratam de criaturas tão sensíveis, os vegetais costumam reagir de um modo extremamente negativo quando se vêem tratados como meros objetos. “O maior erro que as pessoas cometem é enxergar as plantas como meros objetos. Antes de comprar uma orquídea ou uma folhagem é preciso conhecer muito bem o ambiente onde você pretende colocá-la. Será que o lugar oferece luminosidade, espaço e circulação de ar suficientes para que o vegetal se desenvolva? Precisamos também estar atentos aos sinais que a planta tenta nos passar, pois só assim saberemos se estamos cuidando delas da maneira correta”, alerta Mastrangelli.

Segundo a especialista, os benefícios que os vegetais trazem ao espaço doméstico não se resumem à neutralização da poluição do ar. “Além de funcionar como ornamento, elas levam calma e alegria ao ambiente onde são colocadas. Cuidar de plantas pode se tornar uma atividade terapêutica”, observa Mastrangelli.

Vasos no quarto: ter ou não ter?

Muitas pessoas dizem que é errado manter vasos com plantas no interior de dormitórios, pois, como os vegetais costumam realizar seu processo de respiração no período da noite, eles acabariam competindo por oxigênio com o ocupante do cômodo.

Especialistas, porém, costumam ser cautelosos quanto a essa questão. “Particularmente, não acho recomendável manter plantas em excesso no quarto, mas não vejo problema em possuir um vaso. O importante é saber usar o bom senso”, afirma a bióloga Teresa Cristina Aragão Domingos Mastrangelli, que ministra cursos de jardinagem e de paisagismo no Serviço Social da Indústria (Sesi) de Bauru.

A professora Maricê Domingues Heubel, coordenadora do curso de ciências biológicas da Universidade do Sagrado Coração (USC), lembra que, muitas vezes, os quartos podem oferecer condições que prejudicam o bom desenvolvimento do vegetal. “Falta de luminosidade e proximidade com ar condicionado são fatores que podem atrapalhar o crescimento da planta”, garante.

Fonte: jcnet.com.br

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