Por carta, crianças se solidarizam com as vítimas da enchente de SC

Sensibilizadas com a situação em que se encontram as famílias desabrigadas no Estado de Santa Cataria devido às fortes chuvas, alunos entre 7 e 11 anos da escola estadual Henrique Bertolucci, de Bauru, escreveram cartas de apoio que serão enviadas às vítimas da catástrofe juntamente com doações. A idéia partiu de cinco alunas da 2ª série integrantes do grêmio estudantil da instituição e que mobilizaram cerca de 620 estudantes na tentativa de confortar e apoiar essas pessoas que terão que recomeçar a vida do zero.

As crianças atingidas pela enchente foram o principal foco da Campanha. “Pensamos principalmente nas crianças que perderam tudo. Além de ajudar com comida, roupa e brinquedo, a nossa idéia é mostrar que apoiamos elas, que sabemos a situação difícil que estão passando”, conta Julia Akemi Kato, 9 anos, membro do grêmio.

Ela, juntamente com Nicoly Gabrieli Fagian Marini, 8 anos, Erica Camila de Castro Silva, 9 anos, Giovanna Ribeiro Baio, 8 anos, e Giovana Barbosa Aparecida, 8 anos, produziram cartazes sobre a campanha que foram espalhados pela escola para arrecadar donativos. Durante quatro dias, pais e alunos da instituição arrecadaram cerca de mil peças de roupas, alimentos e centenas de brinquedos que foram enviados a Santa Catarina na tarde de ontem por um caminhão disponibilizado por uma rede de lojas da cidade.

“Queremos ser solidários às famílias de Santa Catarina que estão passando por um momento difícil. É complicado perder tudo e nós temos que ajudar”, frisa Erica. De acordo com a vice-diretora da escola, Sandra Regina Petracca, esta não é a primeira vez que o grêmio estudantil promove campanha com função social. Anualmente, é realizada na instituição campanha para arrecadar material escolar e agasalhos que são doados às famílias carentes de Bauru. “A questão social é desenvolvida dentro das salas de aula por todos os professores. E o mais importante é que em todas as campanhas realizadas aqui houve adesão em massa dos estudantes e de seus pais”, afirma.

Sensíveis

Para a coordenadora do curso de psicologia da Universidade Sagrado Coração (USC) Regina Paganini Furigo, por serem menos racionais que os adultos, as crianças conseguem ser mais sensoriais, fato que facilita a aproximação com o sofrimento das vítimas de catástrofes como da enchente de Santa Catarina. “Justamente por serem crianças, por não estarem tão moldadas por uma sociedade de consumo como os adultos, e não estarem desiludidas, as crianças têm mais condições de se colocarem no lugar destas pessoas”, explica.

Apesar de não conseguir avaliar o tamanho da tragédia em dimensões lógicas ou contabilizar perdas materiais, as crianças são capazes de identificar o sofrimento. “Elas acabam se identificando com o sofrimento, com a dor e não temem olhar para o aqui e agora. São mais espontâneas e tomam iniciativas, talvez isso explique a atitude delas”, finaliza Regina.

Fonte: jcnet.com.br

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