Ontem, a festa rolou até tarde no Núcleo Edson Francisco Silva, conhecido popularmente como Bauru XVI. O time da casa, o Unidos do Bauru XVI, sagrou-se campeão da primeira divisão da Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA) após empatar em 1 a 1 com o Santos, da Vila Industrial. A decisão, ocorrida de manhã no Estádio Distrital “Sílvio de Magalhães Padilha”, o Padilhão, na Vila Giunta, teve lances polêmicos e muita confusão, dentro e fora das quatro linhas.
Aparentemente, os atletas dos dois times acabaram levando para dentro de campo o sentimento de revanche que vinha sendo alimentado no decorrer da semana, por conta de certos episódios que ocorreram no primeiro jogo da decisão.
Anteontem, o técnico do Santos, Roger Rosseto, afirmou ao Jornal da Cidade que jogadores do Unidos do Bauru XVI teriam menosprezado sua equipe. O time do Núcleo Edson Francisco Silva, que liderou grande parte da competição, havia vencido a partida de ida por 1 a 0 e precisava de um empate para ficar com o caneco.
Embora dissesse estar chateado com a suposta soberba dos adversários, Rosseto garantiu que iria pedir a seus atletas para que apenas jogassem bola. Os discípulos até que se esforçaram para seguir os conselhos do mestre, pelo menos no início da partida.
Inclusive, mantiveram a calma mesmo no momento em que viram sua situação (que já era desfavorável) tornar-se desesperadora. Logo aos 8 minutos do primeiro tempo, houve um bate-rebate na área do Santos e a bola acabou sobrando para Paulinho Silva, do Unidos do Bauru XVI, que emendou um forte chute no canto, sem chances para o goleiro Vítor.
A vantagem da equipe do Núcleo Edson Francisco Silva no placar durou pouco. Aos 24 minutos, o meia Luizinho aproveitou-se de uma bobeada da zaga do Unidos do Bauru XVI para empatar a partida. Mas a igualdade no marcador ainda não era suficiente para o Santos, que precisava anotar mais um gol (e não levar nenhum) se quisesse levar a decisão para os pênaltis. Com isso, o time partiu com tudo para ataque, na esperança de reverter a desvantagem.
Esse ímpeto ofensivo dos atletas do Santos se estendeu até os 5 minutos da segunda etapa. Por que parou? - perguntaria alguém que não teve a oportunidade de acompanhar de perto o jogo. A explicação é simples: naquele momento, o futebol saiu de campo e deu lugar à violência.
O problema começou em um lance de ataque do Santos em que o zagueiro Roberto Rivelino (que, com um nome desses, bem poderia jogar na meia-esquerda), capitão do Unidos do Bauru XVI, tocou a mão na bola dentro da área. O árbitro Benedito Brás Pereira avaliou que o defensor não teve intenção de cometer o gesto e determinou que o jogo seguisse em frente.
Mas os atletas do Santos não gostaram nada da decisão e partiram para cima do juiz. Nesse momento, seguranças contratados pela LBFA entraram no gramado para tentar conter o tumulto (um deles chegou a empurrar atletas do Santos).
Procurado pela reportagem para comentar o fato, o presidente da LBFA, Vicente Silvestre, preferiu não se manifestar. No momento da confusão, porém, o dirigente chegou a declarar em alto e bom som que a atitude dos seguranças havia sido correta, pois eles tentaram defender o árbitro de possíveis agressões.
Por incrível que possa parecer, ninguém foi expulso depois do quebra-quebra. Talvez isso se deva ao fato de o juiz haver esgotado sua cota de “cartões vermelhos” já no primeiro tempo, quando mandou que Felipe, do Unidos do Bauru XVI, e Batista, do Santos, fossem para o chuveiro mais cedo.
Acalmados os ânimos, o Santos não teve mais fôlego para reverter o placar adverso e o Unidos do Bauru XVI acabou ficando com o título. Mas antes do árbitro determinar o final do jogo, ainda houve tempo para que um pequeno tumulto se formasse nas arquibancadas do distrital.
Pivô da confusão, Rivelino recebeu o troféu de campeão das mãos do prefeito eleito de Bauru, Rodrigo Agostinho (PMDB). “Estou muito feliz com esse título. É a prova de que nosso trabalho está no caminho certo”, desabafou, ao final do jogo. Rivelino fazia parte do elenco do Unidos do Bauru XVI que ganhou a segunda divisão da LBFA do ano passado. Sobre o lance que deu origem à briga, o zagueiro afirmou que se tratou de uma jogada normal. “Não tive intenção de tocar a mão na bola”, garantiu. À tarde, a diretoria do clube promoveu um churrasco em homenagem aos jogadores e à comissão técnica.
O Muricy Ramalho de Bauru
Assim que o árbitro Benedito Brás Pereira determinou o final da partida no Padilhão, o técnico Pedro Aparecido de Oliveira, mais conhecido como Pé na Cova, pode deixar o estilo Muricy Ramalho de lado - sempre emburrado à beira de gramado, berrando sem parar com os atletas - e sorriu aliviado. Não era para menos: seu time, o Unidos do Bauru XVI acabava de se tornar campeão da Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA).
Pé na Cova admite ser um pouco “cricri”, mas justifica sua postura: “Quando estou na beirada do campo, não sei o que me ocorre. Vou ficando nervoso e, quando meu dou conta, grito com os jogadores. O importante é que, até agora, isso está dando certo”, afirma o treinador, que este ano já havia sentido o gostinho de levantar uma taça, quando seu time se tornou campeão do primeiro turno do torneio.
Ano passado, ele já havia obtido glória semelhante (de vencer a fase inicial do torneio) no comando do Jaraguá, time que o lançou para o futebol amador, em 2005. “Devo tudo isso ao Jair Brito (dirigente de sua antiga equipe) que confiou em meu trabalho e aceitou me dar uma oportunidade”, agradece.
Pé na Cova tem alguns jogadores de confiança, que costuma “carregar” consigo para todos as equipes onde vai trabalhar: Chapelica, Edson, Marinho e Winston. “São como uma espinha dorsal de meus times”, afirma.
O técnico ainda não sabe qual será seu destino no ano que vem. “Minha intenção é permanecer no Unidos do Bauru XVI, mas isso irá depender da vontade de meus diretores”, explica.
Fonte: jcnet.com.br
Unidos do Bauru XVI segura empate e fica com a taça
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