Artes marciais: Ana Cláudia nocauteia, mas espera patrocínio para China

Levou apenas três rounds para Ana Cláudia Fatia, 24 anos, ganhar sua luta de kung fu durante o evento de artes marciais Art of War, realizado anteontem, no ginásio do Sesi. Guerreira e considerada revelação, a adversária Ana Carolina Retucci, de 18 anos, perdeu por nocaute. Apesar do reconhecido desempenho, a vencedora ainda não sabe se conseguirá os recursos necessários para treinar na China.

Terceira melhor do mundo na categoria com competidoras de até 56 quilos pelo segundo ano consecutivo, Fatia foi convidada pela seleção chinesa para aperfeiçoar-se no esporte. Se vencer a batalha contra o entrave financeiro, viajará acompanhada do treinador Richard Leutz e do campeão sul-americano João Oliveira, 21 anos, que anteontem também ganhou por nocaute, mas no primeiro round com 50 segundos de luta. Ele também é nove vezes campeão brasileiro e nove vezes campeão paulista. Os três entram hoje numa semana decisiva.

Aguardam a resposta de patrocinadores e a contabilidade do Art of War, que reuniu cerca de 400 pessoas. O evento foi uma iniciativa da Associação Garra de Tigre em Parceria com a equipe Bauru Top Fight/Evolução, com apoio do JC. Seu principal objetivo foi angariar recursos para o “Projeto China”. Trata-se de um período de treinamento especial dos dois lutadores e do treinador deles. “Vou aproveitar para absorver o máximo de conhecimento possível para ajudá-los durante o ano”, explica Leutz.

De acordo com ele, Fatia tem determinadas deficiências decorrentes da falta de prática em lutar com competidores de alto nível. “Faz com que ela demore a se adaptar e acabe perdendo a luta. A idéia é justamente essa. Lutar bastante com as chinesas para ficar mais preparada”, informa. Na categoria da bauruense, uma chinesa é a melhor do mundo. Para dividir o mesmo ring, ela precisa de aproximadamente R$ 7 mil, assim como Oliveira e o treinador de ambos.

Evento

“Para o padrão de Bauru é uma quantia difícil de conseguir. A gente fez uma série de iniciativas. Rifas, até pizza a gente vendeu. Esse é o primeiro evento desse porte”, acrescenta o treinador. Outro aspecto relevante do Art of War é a possibilidade de colocar Bauru no circuito dos grandes eventos de luta. “Bauru estava acostumado com eventos não-profissionais, com estrutura ainda pouco organizada. Esse foi diferente. No começo foi difícil vender ingressos a R$ 15,00. Acharam caro para o evento. Depois que conheceram, outros virão e vai ter ainda mais gente para assistir”, comenta Leutz.

Estiveram presentes competidores de cidades como Limeira, Valinhos, Araçatuba, Ibitinga, Itápolis, e Tupã. Foram 24 lutadores em 12 combates. Cinco kickboxing, uma de boxe feminino e seis de kung fu (leia quadro ao lado). O Art of War teve o apoio de Globo Sports, Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), Academia Evolução, Ômega Flat, Studio Art Tatoo, Toca do Açaí, Fiorella Pizzaria e Território Fitness.

Ela pratica um esporte conhecido com sanshou, uma das diversas modalidades do kung fu (wushu). O sanshou pode ser traduzido literalmente como “mãos livres” ou sanda, que pode ser traduzido literalmente como “luta livre”. É uma forma chinesa moderna de combate, que permite chutes, socos e projeções.

A prática contemporânea do sanshou como esporte de combate teve seu ponto de partida em 1990, ano em que o comitê organizador dos 11º Jogos Asiáticos incluiu o wushu como esporte oficial de competição. O kung fu passou a integrar as olimpíadas pela primeira vez em 2008, quando os jogos foram realizados em seu país de origem, mas como esporte de exibição.

Fonte: jcnet.com.br

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