Em volume de dinheiro, Bauru emprestou de agências bancárias, até junho do ano passado, mais do que o dobro do total aplicado em poupança. Foram R$ 1,479 bilhão contra R$ 663 milhões. Os dados do Banco Central (BC) reiteram o que a população confirma no dia-a-dia, mas de forma empírica. Tem muito mais gente pedindo empréstimo, do que guardando “moedas”.
Porém, se os fiéis à poupança se juntarem àqueles que investem em operações denominadas como depósitos a prazo, ou seja, aplicações como CDB e CDI, o volume de recursos aplicados é quase o mesmo do montante geral financiado em agências bancárias de Bauru.
“Isso em volume de dinheiro e não em quantidade de pessoas. No caso de depósito a prazo (CDB, CDI) pode ser de 30 pessoas apenas. Operações que exigem um pouco mais de risco não são praticadas por qualquer pessoa. Já a caderneta de poupança, sem dúvida, é a operação financeira mais utilizada pelo brasileiro de menor renda”, explica o economista Claudio Augusto Garbi, professor de economia da Faculdade de Agudos (Faag) e da Fundação Getulio Vargas (FGV)
Na opinião dele, que é mestre em administração, é praticamente certo que o grupo de investidores em CDB é mais restrito e investe montantes maiores. “É uma hipótese, nós precisaríamos de mais dados”, pondera o professor. No entanto, Garbi ressalta o abismo social existente no País. “Sabemos que em torno de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) fica com cerca de 15% da população”, informa, ressaltando a concentração de renda.
Enquanto tem gente ostentando a riqueza que usufrui, a revendedora Divanir Fátima de Souza leva uma vida regrada, marcada por altos e baixos na área financeira. Como o marido é autônomo, por conta de meses fracos o casal precisou recorrer a empréstimos para quitar os compromissos domésticos. Já quando a situação está confortável, consegue até poupar um pouco.
“Mas é aquela poupança programada. Depois de três, quatro meses uso o dinheiro. Até porque o rendimento é baixo”, comenta. Já a auxiliar administrativa Eliseani de Farias, há dois anos investe R$ 100,00 ao mês numa poupança aberta em conjunto com o noivo. Ele assumiu o mesmo compromisso, que deve se prolongar até 2012.
“Vamos casar. Já temos um terreno. Estamos poupando para construir a casa. Se não fizer assim, não se consegue nada”, afirma. Seu esforço está incluído no levantamento do BC, que não considera qualquer operação fora de agências bancárias, como leasing e empréstimos, por exemplo, firmados com outras financeiras.
Tire sua dúvida
O CDB citado na matéria significa Certificado de Depósito Bancário. São títulos emitidos pelos bancos e vendidos ao público como forma de captação de recursos. Negociados a partir de uma taxa de juros anual, não levam em consideração a tributação ou a inflação. Além disso, podem ser negociadas a qualquer momento dentro do prazo contratado mas, quando negociadas a um prazo menor do que aquele mínimo previsto (30 ,60 ou 90 dias), estas aplicações sofrem incidência de Imposto sobre Operações Financeiras, além do Imposto de Renda na Fonte.
Fonte: jcnet.com.br
Bauruenses emprestam o dobro do que poupam
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