Iluminação ruim normalmente está associada a locais pobres, mas em Bauru este problema também atinge bairros nobres. Áreas populosas, até com prédios e mansões, sofrem por falta de planejamento e investimento do município.
Um exemplo está na rua Guilherme de Almeida, entre a avenida Nações Unidas e a alameda Octávio Pinheiro Brisolla, na Vila Universitária. As lâmpadas são antigas, com iluminação branca. E pior: árvores encobrem a modesta luz, espalhando sensação de insegurança.
A casa da estudante Juliana Kikuchi, 19 anos, fica neste bairro e já foi cenário de um roubo a mão armada no período noturno. Uma tia dela foi amarrada pelos ladrões. “Começa a escurecer e a gente já fica meio tensa. Prefiro voltar antes de escurecer ou pelo menos ficar de carro”, afirma.
O aposentado Izaías Rocha, 81, é dono de uma casa que teve a fiação elétrica furtada há quatro meses – um prejuízo calculado em R$ 2,5 mil. Os mais prejudicados pela escuridão são os idosos, alerta. “Os idosos têm visão mais curta, já não têm um raciocínio rápido para enxergar um perigo.”
No Jardim Estoril 3, um dos mais valorizados da zona sul, Rita de Cássia Perin Desan, 50, briga por um direito básico: iluminação pública. Sequer existem bicos de luz num trecho de 100 metros perto da casa dela, na interligação das ruas Júlio Rodrigues Horta e Ricardo Luiz Scarel da Silva.
“Estamos muito inseguros com essa falta de iluminação porque existe um descampado em frente à minha residência. Temos uma favela se formando aqui perto e temos medo. Já teve família assaltada a mão armada, ficou refém dentro de casa e depois disto, se mudou”, narra.
Para estes moradores, que investiram alto nas construções, iluminação de qualidade seria um passo adiante no sonho de morar num bairro estruturado. “Queremos viver num lugar que tenha segurança e ronda da polícia. Não podemos desanimar com a situação”, completa.
O tenente Renato Ramos, comandante da Polícia Militar nesta área, lembra que a segurança pública é como uma corrente, na qual a PM é apenas um dos elos.
“Ali existe um conjunto de fatores que facilita a ação de criminosos e ainda dificulta o trabalho da polícia”, diz. Ele se refere à total escuridão à noite, ao acúmulo de mato e à proximidade com a ferrovia. Rondas são feitas diariamente, garante.
O BOM DIA pediu e o chefe do departamento de engenharia elétrica da Unesp, José Alfredo Covolan Ulson, fez medições com um aparelho chamado luxímetro, cuja unidade de medida é o lux. Ele seguiu a NBR (Norma Brasileira) 5.101, em vigor pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Luminosidade está em desacordo com a norma
O caso mais gritante é o do Estoril 3, onde a recomendação é iluminamento médio mínimo de 2 lux e uniformidade maior que 0,2. O iluminamento médio encontrado foi zero lux e a uniformidade também. “Está fora da norma da ABNT”, conclui o professor.
Na rua Guilherme de Almeida, na Vila Universitária, o recomendado é iluminamento médio mínimo de 2 lux e uniformidade maior que 0,2. O apurado foi de 2,1 lux e 0,46, respectivamente. Mesmo assim há problemas.
“Apesar de atender a norma, verifiquei em muitos pontos nível de 1 lux. Esse valor dificulta a visão de pedestres e motoristas. Experiências nos Estados Unidos mostram que, visando assegurar boa visão, devem ser atingidos níveis entre 10 e 30 lux. Dentro dessa faixa o poder de percepção do condutor aumenta consideravelmente.”
Também foi avaliada uma rua de terra do Jardim Nicéia, bairro com características bem diferentes. Lá, uma única lâmpada amarela instalada recentemente faz contraste com o restante.
O recomendado para o local é iluminamento médio mínimo de 2 lux e uniformidade maior que 0,2. Foram apurados 3 lux e zero, respectivamente. “Está fora da norma. Há regiões muito claras e outras muito escuras.”
Fonte: redebomdia.com.br
Iluminação fraca põe a população dos bairros em risco
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