Os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) implantados pelo governo do Estado em 40 cidades paulistas reforçarão a ofensiva da Secretaria da Saúde para reduzir as filas para cirurgias eletivas e desafogar alguns dos hospitais da rede pública. Pelo menos três novas unidades - Capital, Santa Bárbara d’Oeste e Piracicaba - já estão dotadas de equipamentos e infra-estrutura para serem transformadas em “AMEs cirúrgicos”, com capacidade para realizar até 40 intervenções por dia. A idéia é dar prioridade a pacientes que aguardam por operações de hérnia, vesícula, varizes e outros procedimentos não-emergenciais.
O novo ambulatório de São José do Rio Preto, a ser inaugurado este mês, também poderá ser adaptado a este novo conceito. O secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, acredita que a demanda regional irá determinar a necessidade de adaptações aos novos prédios. As informações foram passadas em entrevista à Associação Paulista de Jornais (APJ).
“Tem alguns AMEs que têm uma característica mais cirúrgica. O de Santa Bárbara, por exemplo. O de Piracicaba, que estamos inaugurando. A gente detectou que existe um grande número de pacientes do SUS aguardando para fazer cirurgia de hérnia, de varizes, de vesícula”, diz.
Segundo ele, a espera por um procedimento cirúrgico eletivo na rede chegaria a um ano, em casos extremos. “Como a cirurgia não é de emergência, o pessoal vai deixando para depois para operar aquele cidadão que está com o caso mais grave. Então, o paciente fica seis meses, um ano aguardando.”
Estrutura
A estrutura física é diferenciada. O “AME cirúrgico” tem um pequeno centro cirúrgico, com três, quatro salas, tem 10 leitos de recuperação pós-anestésica. “O cidadão chega de manhã, faz a cirurgia, vai para a sala de recuperação e volta para casa no mesmo dia”, afirma Barradas. Outro instrumento que facilita a implantação de uma versão amplificada do AME é a estrutura do entorno do prédio.
“É a demanda da região que determina isso. Outro AME que talvez tenha uma característica mais cirúrgica é o de São José do Rio Preto, que vamos inaugurar no final do mês. Ele está no terreno de um hospital que o governo do Estado está encampando. E lá tem um centro cirúrgico grande”, diz o secretário. Ele afirmou que o Estado está avaliando o volume de atendimento no sistema hospitalar que circunda a cidade. “Estamos estudando as filas de atendimento em Votuporanga, Fernandópolis, toda aquela região. Com isso a gente desafogaria o Hospital de Base, a Santa Casa de Rio Preto, a Santa Casa de Fernandópolis. Elas deixam de atender este paciente e passam a atender as coisas graves.”
Metas
O governo estadual pretende concluir o cronograma de implantação dos AMEs até março de 2010. Até agora, funcionam 12 em todo o Estado. “Agora, para 2009, pretendemos implantar os outros 28. Até março de 2010 queremos que todos estejam em funcionamento”, promete Barradas.
Avaliação
Na avaliação do secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, os usuários têm aprovado o novo modelo de atendimento. Guindado à ‘vitrine’ da plataforma de campanha do governador José Serra (PSDB) em 2006, o programa é inspirado nas Ambulatórios Médicos de Atendimento (AMAs) montados na Capital - que também iriam alimentar o “arsenal eleitoral” de Gilberto Kassab (DEM) dois anos depois.
O ambulatório oferta consultas com especialistas e exames em um único espaço, evitando o vaivém de pacientes e acelerando o diagnóstico. Os AMEs são conectados à rede de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da região em que estão instalados, por meio da qual se dá o agendamento dos atendimentos, sem a necessidade de comparecimento do usuário ao prédio.
“A avaliação tem sido muito boa. A população acha que o atendimento é muito bom. Temos acompanhado de perto, fazendo avaliações mensais. É uma concepção nova de atendimento. Quem marca a consulta não é o paciente, é a unidade de saúde que ele procurou. Ele chega, faz a consulta e naquele mesmo local faz os exames que precisa. Faz o diagnóstico rápido. Acaba com aquela história do paciente ter que ir e voltar para outra cidade três, quatro vezes. Vem uma vez só e resolve o problema dele.”
A gestão dos AMEs é “terceirizada”. O governo do Estado tem firmado parcerias com entidades civis com know-how na administração de hospitais.
Fonte: jcnet.com.br
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