Impulsionado em grande parte pela crise financeira internacional, o ouro fechou 2008 como o investimento de maior rentabilidade. Valorizou 32,13%, numa tendência que deve prosseguir ao menos até o primeiro trimestre deste ano.
Frente aos primeiros sinais de turbulência, na busca por proteção, os investidores recorrem à dobradinha verde e amarela – dólar e ouro. A moeda norte-americana foi a vice-campeã em rentabilidade no ranking de investimentos. Subiu 31,94% no ano passado.
“Toda vez que tem risco e incerteza na economia é assim. Quando a produção vai bem, os lucros vão bem, as exportações vão bem, a economia vai bem, eles não sobem tanto. Mas quanto tem risco, o pessoal migra para segurança”, explica o economista Carlos Sette. De acordo com ele, como os “horizontes” não estão muito claros, é difícil apostar em até quando essa tendência continuará.
“Mas hoje eu diria que será todo o primeiro semestre. Tudo vai depender do primeiro trimestre. À medida que a economia melhore, a dobradinha verde e amarela tende a não ser mais tão rentável. São menos lucrativas. Numa perspectiva boa de mercado, dólar e ouro não são aplicações de risco alto”, comenta o economista. Segundo Sette, quando o dólar cai, a queda é vagarosa, diferentemente da Bolsa de Valores, que fechou 2008 com baixa de 41,22%.
No entanto, a perspectiva é que a cotação do dólar permaneça alta. “A política americana, com Obama ou não, é recuperar o déficit público dos EUA, a balança comercial. Para isso tem que ter o dólar alto. Encarece a importação americana e favorece a exportação. Acho que não vai baixar mais que R$ 2,00. Estamos num período de cautela”, destaca Sette. Para o economista, a dobradinha verde e amarela é o meio termo em relação ao risco dos investimentos.
Não é tão agressiva quanto a Bolsa de Valores, nem tão conservadora quanto os investimentos em renda fixa. Mas o segredo para ter bons rendimento em períodos de economia suscetível é o monitoramento do mercado a todo momento, recomenda Sette. Muitos investidores seguem à risca a orientação. A grande maioria diversifica os investimentos como estratégia para evitar grandes perdas. A despeito da crise e da alta do ouro, esse tipo de público não deixou de comprar jóias.
A prática não tem qualquer relação com investimentos, informa um profissional do mercado de “mimos” caros. A jóia tem valor agregado, por conta do designer, por exemplo. “Sempre tem comprador, até durante as guerras. Quando tem alta no preço do ouro o consumidor final não leva um grande impacto porque a diferença entre a peça pronta e o ouro bruto é muito grande. Não posso reclamar. Diminuiu o número de clientes, mas compensou (pelo valor comercializado)”, disse ao pedir para ter o nome preservado.
Porém, de acordo com ele, o atacadista de jóia sentiu os reflexos do mercado. Quem trabalhava em sistema de consignação, já não compra mais. Só tem mostruário de peças quem tem dinheiro para tê-las e comercializá-las.
Como comprar ouro
Símbolo de riqueza e ostentação, o ouro é mais acessível do que muitos imaginam. É possível comprá-lo com pouco dinheiro. A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), por exemplo, oferece três tipos de contratos. Num deles é possível adquirir 0,225 gramas. Anteontem, por volta das 12h, o metal era cotado a R$ 62,10 o grama. O investimento, no entanto, não é aconselhado ao pequeno poupador que tem cerca de R$ 200,00 em mãos, numa situação hipotética.
Neste caso, o ideal é a velha conhecida caderneta de poupança, sugere o estrategista da Coinvalores, Paulo Nepomuceno. De acordo com ele, se a valorização do metal continuar, esse pequeno poupador ganhará até no ativo, mas perderá por conta dos custos operacionais. Ele terá gastos ao cadastrar-se numa corretora e com a custódia do ouro. “A aplicação não vai ser rentável o suficiente, que justifique. A liquidez do mercado é muito baixa”, acrescenta.
Segundo Nepomuceno, a BM&F ainda tem contratos para interessados em 10 gramas e 249,75 gramas (e seus múltiplos). Já bancos estabelecem outros limites. O do Brasil, por exemplo, estabelece como mínimo a compra de 25 gramas. O valor para a comercialização, no entanto, não é o mesmo da cotação da BM&F. É diferenciado para garantir lucro. Anteontem o Banco do Brasil cobrava R$ 62,70.
Quem tivesse R$ 62.700,00 em mãos poderia levar o “teto” máximo diário um quilo. Mas independentemente do montante, há duas formas de comprar ouro. Via documentos (escritural) ou levando para casa a barra. No segundo caso, a operação não é feita pelo banco em Bauru, apenas em agências específicas do Rio de Janeiro e São Paulo.
Porém, receber fisicamente o ouro torna o investidor suscetível no quesito segurança. Ele fica vulnerável a assaltos no caminho para casa ou ainda pode ter o cofre da residência roubado em outra oportunidade. Por outro lado, quem opta pelo escritural paga um percentual de custódia. Já no caso do dólar é mais fácil. Basta procurar, por exemplo, o banco para requerer a moeda norte-americana – também vendido por outro valor que não o da BM&F.
Fonte: jcnet.com.br
Ouro é campeão de rentabilidade
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