Para Chiara, nova Câmara Municipal se mostrou igual à antigaPara Chiara, nova Câmara Municipal se mostrou igual à antiga

No primeiro encontro oficial após a polêmica eleição do vereador Pastor Luiz Barbosa (PTB) à presidência da Câmara, os vereadores, principalmente os novatos, tentaram manter o discurso ontem de que essa legislatura trará renovação à política, apesar de o primeiro ato deles próprios ter indicado justamente o contrário.

Visivelmente desconfortáveis por terem que responder perguntas sobre a eleição, a maioria preferiu minimizar o resultado. Somente Chiara Ranieri (DEM) admitiu o desconforto.

“O discurso foi um e o que a gente viu foi outra coisa. O discurso da renovação, de que seria tudo diferente e de que somos melhores não existe. Somos iguais [à outra legislatura]. Isso que é a maior decepção”.

Apesar de ter sido pouco presente no plenário durante os últimos oito anos e responder a um processo criminal e a dois cíveis por uso irregular do carro da Câmara, Pastor Luiz ainda encontrou quem o defendesse.

“Agora é o presente. Vamos ver o que vai acontecer. O voto foi certo e o pastor que vai tocar isso aqui. Não temos mais que falar do passado”, afirmou Carlinhos do PS (PP).

Mesmo quem passou a campanha pregando a renovação da Câmara diz não estar constrangido com as negociações que levaram Pastor Luiz ao poder. “ Eu me sinto à vontade [com a eleição do Pastor Luiz] e estou aqui para cobrar e fiscalizar”, disse Amarildo de Oliveira (PPS). “Não tira a esperança [de renovação] porque nós começamos a trabalhar agora”, completou.

Há também aqueles que preferem o silêncio. Pastor Sakai (PP), por exemplo, se negou a responder se há um sentimento de frustração com a Câmara.

‘Só espero que vocês sejam justos’

Pastor Luiz comentou ontem os processos criminais de peculato (crime contra a administração pública) e falsidade ideológica que responde na Justiça.

Sem entrar no mérito das acusações, ele afirmou que o homem público está sujeito a ser processado. “Ser processado é uma coisa, ser condenado é outra. Eu acredito na Justiça”, disse.

Apesar da sua vitória ter sido criticada até por alguns vereadores, ele nega estar pressionado no cargo – o terceiro na hierarquia do poder público. “Estou tranqüilo. Se alguém tem preconceito, vai ter que sofrer. Se quiserem falar, vão falar. Eu só espero que vocês [jornalistas] sejam justos comigo.”

Pastor Luiz responde a três processos na Justiça. No criminal, que pode levá-lo até à prisão, ele é acusado de usar o carro da Câmara em pelo menos cinco viagens particulares. Todas as despesas eram pagas com dinheiro público.

Em uma para São Paulo ele teria levado até pastores da Igreja Universal, da qual é membro. A acusação diz ainda que o novo presidente e sua família usaram o veículo oficial para voltar de São Paulo após terem desembarcado de Pernambuco.

A Polícia Civil, que investigou as viagens, diz que Pastor Luiz andou cerca de 10.891 quilômetros com o carro da Câmara irregularmente.

Fonte: redebomdia.com.br

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