Telefonia responde por 45% das reclamações contra call centers

No primeiro mês das novas regras de atendimento nos call centers, as empresas de telefonia responderam por 45,13% das reclamações registradas nos Procons de todo o país relativas ao atendimento nos SACs (Serviço de Atendimento ao Consumidor).

De acordo com dados do Ministério da Justiça obtidos pela Folha Online, as operadoras de telefonia celular registraram o maior número de reclamações, respondendo por 24,45% do total. As empresas de telefonia fixa ficaram em segundo lugar, com 20,68%.

"Telefonia é um grande vilão dos consumidores. O setor precisa dar uma resposta para o Brasil e para o consumidor. Se de um lado o investimento em tecnologia é grande, por outro, precisa dizer para a sociedade porque tem tanto problema", afirmou a diretora-substituta do DPDC (Departamento de Proteção e Defesa ao Consumidor), Juliana Pereira.

O setor de cartão de crédito foi o terceiro que mais recebeu reclamações, com 17,75%. O setor de bancos teve 7,15% das reclamações, transporte 4,03% e TV por assinatura 2,67%.

Para Juliana, o fato de o setor de telefonia ter muitos clientes não justifica o número de reclamações. Ela cita como exemplo o setor de bancos, que teve apenas 7,15% dos registros nos Procons.

"Justificar que tem muitos problemas porque tem muitos clientes não é desculpa. O ônus desse processo é da empresa, que está mostrando o desrespeito com a sociedade quando não cumpre um decreto que foi discutido um ano com a sociedade", disse.

Para Juliana, o fato de setores como financeiras (1,50%) e plano de saúde (2,02%) terem registrado poucas reclamações é positivo.

"Isso passa a mensagem de que é possível cumprir o decreto", afirmou.

Reclamações

Em dezembro, foram registradas 1.538 reclamações em dezembro nos Procons cadastrados no Sindec (Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor) que tem informações de 23 estados. O Procon de São Paulo não participa do sistema.

Para Juliana, os números registrados no Sindec servem como um indicador para políticas de defesa do consumidor. Ela diz que o número de clientes com dificuldades deve ser muito maior.

"Em cada um que procura o Procon, há centenas que não procuram. Os dados são um indicador", afirmou.

Segundo Juliana, o DPDC e o Procon já estão tomando providências para punir as empresas infratoras. Em dezembro, foram notificadas 18 empresas por descumprimento das regras do decreto.

Acesso

Do total de reclamações, 41,61% foi em relação a dificuldades de acesso ao serviço. Segundo Juliana, isso inclui reclamações relacionadas à cobrança da ligação, problemas no menu e ligações não atendidas. Outros 25,03% se referem a problemas para cancelar o serviço. 20,81% dos clientes que procuraram os Procons reclamaram da qualidade do atendimento o que inclui a espera de mais de um minuto para falar com os atendentes. 10,6% reclamaram da não resolução de demandas pelos atendentes.

Em todos os segmentos, a principal reclamação dos consumidores é com relação às dificuldades de acesso ao call-center. No caso de transportes aéreos e terrestre, as reclamações sobre a onerosidade da ligação, complicação do menu e outras dificuldades desse tipo chegaram a 67,74% do total.

Na telefonia celular, o acesso ao serviço respondeu por 37,77%. Cancelamento do serviço respondeu por 24,73% do total e a qualidade do atendimento a 26,06%.

Na telefonia fixa, 38,68% dos consumidores reclamaram do acesso, 25,79% das dificuldades de cancelamento e 22,96% da qualidade do atendimento.

Fonte: folha.uol.com.br

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