Além de pichação, escola sofre arrastão

Pelo tamanho do dano e do prejuízo, o termo arrastão não é exagero para denominar o que ocorreu na escola estadual Azarias Leite, localizada no Jardim Carolina, em Bauru. Além das paredes do prédio de ensino terem sido pichadas, em mais uma ofensiva dos vândalos que têm atacado várias escolas da cidade, 33 lâmpadas instaladas no colégio e seis câmeras do circuito interno de segurança foram quebradas. Cerca de 1 mil metros de fiação de energia e cabos de equipamentos de filmagem foram levados.

O arrastão foi descoberto na terça-feira pela manhã, quando funcionários da escola chegaram para trabalhar. Como segunda-feira foi ponto facultativo referente ao Dia do Servidor, não se sabe quando o furto e o vandalismo ocorreram. Anteontem, o JC mostrou as condições lastimáveis das dependências da escola Ernesto Monte, uma das mais tradicionais de Bauru, que está com as paredes tomadas por pichações.

Sem acompanhar de perto o problema, eleitores que votam no colégio ficaram indignados com a situação da escola quando compareceram às urnas no primeiro e segundo turnos. Na edição de ontem, o JC mostrou que outras cinco escolas estaduais de Bauru estão em situações semelhantes. Mesmo sem ter autorização para entrar nos prédios, a reportagem constatou pichações nas escolas Ada Cariani, no Núcleo Mary Dota, João Maringoni, no Núcleo Beija-Flor, Luiz Castanho, na Vila Falcão, Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, e Luiz Zuiani, no Parque São Jorge.

A situação parece ser pior na escola Ayrton Busch onde, além de pichações, faltam muitas telhas na cobertura. Conforme o JC já publicou, um grupo de vândalos costuma subir no muro e de lá arranca as telhas e as atira para o pátio, podendo acertar alunos – pelo menos um deles e uma funcionária da escola ficaram feridos recentemente ao ser atingidos por pedaços de telha. Na escola Azarias Leite, a última a ser atingida pela onda de vandalismo, ninguém da direção foi localizado para falar sobre o assunto.

Mas apesar dos estragos, a escola não suspendeu as aulas para os seus quase mil alunos de 5.ª série ao ensino médio, segundo o JC apurou. Um funcionário, que falou com a reportagem sem se identificar, não descarta a possibilidade do vandalismo ter sido feito com o objetivo de suspender as aulas. “Como levaram fiação elétrica, acho que a intenção talvez tenha sido deixar a escola sem energia para não ter aula depois do feriado de segunda. Mas se era este o objetivo, não tiveram sucesso porque a escola não ficou sem energia e as aulas não foram suspensas”, comentou.

Mesmo após o arrastão, o funcionário afirma que considera a Azarias Leite uma boa escola. “Aqui, até agora, tínhamos tido só casos de pichação, normalmente feita por alunos. E a gente sempre chegou ao autores e acionou os pais, que pintam a parede danificada. Isso agora é que foi diferente. Acho que deve ser grupo de fora (da escola)”, comentou, frisando que não há clima de insegurança entre alunos e professores na escola, diferente da situação da Ayrton Busch.


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Medidas

Ao ser questionada sobre as pichações e depredações de escolas estaduais de Bauru, anteontem, a Secretaria do Estado da Educação informou, através da assessoria de imprensa, que tem projeto para reformar as cinco unidades de ensino visitadas pelo JC na ocasião. O órgão estadual informa que, na programação da Escola da Família, projeto que abre as unidades de ensino à comunidade aos finais de semana, trabalha a conscientização contra a pichação e vandalismo. Porém, não tem um projeto específico para combater estes dois problemas.

Fonte: jcnet.com.br

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