Quais as razões que levaram o jovem ambientalista e vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), 30 anos, a derrotar o empresário e ex-presidente da Tilibra Caio Coube (PSDB), 51 anos, no segundo turno em Bauru? Na avaliação de moradores, um vereador eleito, o vice na chapa do próprio Caio, Clemente Rezende (DEM), e do produtor da campanha de Agostinho, Walter Pollice, erros na campanha, migração de votos e o carisma de Rodrigo fizeram a diferença na reta final.
O responsável pela produção de TV da aliança Bauru de Todos, Walter Pollice, destaca a sensação precipitada de vitória no primeiro turno e a má preparação de Coube como alguns desses fatores. “Quando um candidato começa a eleição achando que já ganhou, ele aumenta em muito a chance de perder. O adversário do Rodrigo achava isso e seus assessores também, então entrou na disputa achando que tinha de fazer campanha apenas para eleger vereadores”, comentou.
Pollice, que também produziu a campanha de Tuga em 2004, cuja eleição foi vencida contra Caio e no segundo turno, acha que o empresário foi mal preparado para o confronto até as urnas. “O adversário estava mal preparado, mal assessorado e cometeu erros por isso. Ele não foi preparado para atuar fora do script que lhe escreveram. A gente percebeu que bastava levantar uma questão, um tema fora do seu script previsível, que ele tinha dificuldades ou cometia erros”, enfatizou o produtor.
Mas não foram somente os erros do adversário que permitiram a Rodrigo virar na segunda etapa, depois de ver Caio liderar todo o primeiro turno. “O Rodrigo é muito perspicaz e pensa muito rápido diante das questões. Bauru também ganhou um prefeito que já era um candidato com conhecimento profundo sobre os principais problemas, não somente em diagnóstico, mas com identificação do gargalo dentro da estrutura, porque ele a conhece. O Rodrigo sabe sobre gestão pública, o que poucos conhecem. Além disso, ele tem um carisma enorme, outra virtude que o adversário não tem”, finalizou.
O vereador eleito pelo PT, o sindicalista Roque Ferreira, bradou: “A votação do Rodrigo é uma sanção do eleitorado à política do PSDB. O adversário era um executivo sem cultura política e isso fez a diferença”.
Na visão de Ferreira, outro fator foi a arrogância. “A candidatura do Caio viveu o trauma conhecido de quem entra na liderança em uma eleição, mas o candidato não tem cultura política, nem geral, para absorver externalidades que influenciam no processo e atuam sobre o voto, além de uma arrogância que teve efeito sobre a derrota”, acrescenta.
Entre erros cometidos pelo tucano, o sindicalista do setor ferroviário cita um exemplo: “É demonstrar muita insensibilidade política o candidato ao vivo no último debate de TV dizer a bobagem que o transporte de passageiro por trem é coisa do passado. Ele, além disso, não conhece Bauru e tem uma mentalidade obtusa”, disse.
Mesmo entre tucanos, que preferem o anonimato, a condução da campanha no clima do já ganhou gerou perdas inevitáveis no primeiro turno e a geração de erros de discurso ao longo da disputa fizeram a diferença. Para partidários do próprio empresário, a coordenação da campanha da aliança União por Bauru não soube inserir o candidato nas classes D e E, a que detém o maior volume de votos e que, no primeiro turno, apontou núcleo de opção significativo na direção de Rosa Izzo (PDT), um indicador de que o populismo, embora rechaçado nas urnas, deveria ter chamado a atenção na hora de estabelecer a estratégia de segundo turno, já que o adversário, o jovem ambientalista Rodrigo Agostinho, tinha visivelmente muito mais carisma que o tucano.
Fonte: jcnet.com.br
Analistas comentam razões da vitória de Rodrigo Agostinho
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