Jeito jovem e alegre conquista população

Aos 30 anos, mas com cara de menos, Rodrigo passou parte da campanha eleitoral argumentando a favor de sua experiência no setor público e na militância ambiental.

O objetivo era enfrentar as críticas dos adversários, que o atacam por falta de maturidade.

O vereador Clemente Rezende (DEM), candidato a vice de Caio Coube, chegou a chamá-lo de moleque no período das negociações pré-disputa.

Nas ruas e na TV, no entanto, foi o estilo jovial da campanha de Rodrigo que mais chamou a atenção da população.

Nos comícios em bairros da periferia, no segundo turno, o locutor avisava: “Nosso menino já está chegando. Bauru vai ter um prefeito moço”. Nos eventos de rua, Rodrigo também era apresentando como menino do povo. “Ele é lindinho”, disse uma eleitora, sábado, na última caminhada no Calçadão da Batista.

O próprio prefeito eleito discursou várias vezes a favor de sua disposição e energia.

Mas o grande lance de marketing invertido veio na propaganda da TV, logo no início do segundo turno.

O programa de Caio tentou fazer piada ao ressaltar as qualidades administrativas do tucano e definir o perfil de Rodrigo como “pá pá rá pá pá”. Por encomenda do peemedebista, que decidiu também usar o humor para rebater, o cantor e compositor Cristiano Castilho fez o jingle-resposta: “Rodrigo 15 é saúde, pá pá rá pá pá, Rodrigo é educação, pá pá rá pá pá, quem compara vota 15, pá pá rá pá pá”.

Em comício no Parque São Geraldo, Rodrigo prometeu dar um “pá pá rá pá pá” nas urnas. A idéia de usar “pá pá rá pá pá” foi do médico Fernando Monti, coordenador da campanha.

Por ironia, Monti, vice de Caio Coube na eleição de 2004, usou parte do que aprendeu com a equipe de marketing contratada na época pelo adversário para ajudar Rodrigo.

Composto por Jhota Luiz e cantado por Cristiano, o tema principal da propaganda também fez sucesso ao pedir voto no “moço trabalhador”.

É um sambanejo, samba com levada sertaneja, especialidade de Jhota Luiz, compositor de sucessos como “Bobeou a Gente Pimba”. Ele se inspirou nas propostas do peemedebista para fazer o jingle.

Rodrigo e aliados opinaram bastante. “Foram moldando a música”, conta o compositor. “Todo mundo canta. Às vezes a gente passa de carro e as pessoas cantam”, afirma o jornalista Fernando Oliver, assessor de imprensa da campanha eleitoral.

“Esse foi o meu recorde de sucesso em jingles eleitorais”, informa Jhota, que já compôs para políticos como Pedro Tobias (PSDB), Faria Neto (PDT), Marcelo Borges (PSDB) e até mesmo Caio Coube.

“O sucesso começou ainda no estúdio”. Segundo ele, a gravação do refrão mostrou que o jingle pegaria.

Dificuldades
A campanha do peemedebista não teve marqueteiro famoso e, no primeiro turno e começo do segundo, sofreu com a falta de estrutura.

Várias vezes Rodrigo saiu para gravações na rua sem roteiro. Improvisava no texto e no cenário: apareceu no vídeo com o sol no rosto e cabelos despenteados.

No estúdio, fez gravações de madrugada e chegou a escrever textos para a propaganda eleitoral. Também tomou decisões sozinho.

No segundo turno, com chances reais de virar prefeito, a situação melhorou.

O prefeito eleito conseguiu o apoio de figurões da política nacional, como o empresário João Herrmann Neto (PDT) e o deputado federal Milton Monti (PR), além de gravações de vários petistas, inclusive do presidente Lula, com quem apareceu quase abraçado.

Na TV, o programa ganhou qualidade. A W. Pollice, que no primeiro turno fez campanhas também em Jaú e Ferraz de Vasconcelos, concentrou-se em Bauru.

Mas, além dos apoios e estrutura, a disputa foi baseada no corpo-a-corpo.

A estratégia foi visitar toda a periferia. No primeiro turno, ele entrou de casa em casa. No segundo, fez comícios em cima de uma caminhonete e caminhadas.

“Nunca vi algo assim na política de Bauru”, relata a líder comunitária Gisele Morette, do Ferradura Mirim. Ex-candidata a vereadora pelo PR, ela acompanhou Rodrigo nas visitas aos bairros e assistiu ao crescimento da popularidade do ambientalista. Chorou ao ver o que chama de virada popular.

“Ele transformou-se num ídolo”, afirma.

Gisele descreve a cena em que foi conquistada por Rodrigo e que pode servir de pista para o apoio popular conseguido pelo candidato, que começou a campanha quase desacreditado e foi eleito ontem.

Ele foi até a casa dela, sem assessores, convidá-la para uma caminhada pelo Ferradura. Era final de tarde e a líder comunitária havia preparado bolinhos de chuva e suco de laranja para a família.

Rodrigo viu, disse estar faminto e pediu para comer um pouco. Sentou sozinho, sem fotos e filmagens, e matou a fome com os bolinhos e a sede com o suco.

Fonte: redebomdia.com.br

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