Não se trata de “espírito caridoso” tampouco intenção direta de propiciar menor custo nas tarifas ao usuário, por parte das instituições bancárias. No entanto, mesmo que indiretamente, é fato - comodidade e rapidez à parte - que o bolso do cliente é beneficiado com o advento e consolidação do leque de serviços oferecidos pelos bancos via Internet, o chamado “Home Banking” ou “Internet Banking”.
Apesar do pequeno impacto econômico, o maior uso da Internet como ferramenta de onsulta e transações financeiras coíbe maiores despesas ao consumidor. “Os bancos, independentemente de serviços prestados nas agências ou pela Internet, continuam com tarifas altas”, ressalva o economista Wagner Ismanhoto. “Mas, caso não existisse o serviço informatizado, as despesas para os bancos seriam maiores e, conseqüentemente, as tarifas”, pondera. “Não se trata de ‘caridade’”, acentua.
Apesar disso, a mola propulsora do grande crescimento na procura por esse tipo de serviço - no estratosférico índice de 259% nos últimos sete anos, conforme levantamento da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) -, ainda é a comodidade. “O sistema informatizado nos bancos brasileiros é invejado por outros países. A rapidez é muito grande. Você pode fazer um depósito em Rondônia e, em ‘dois segundos’, o dinheiro cai na conta aqui”, exemplifica o economista. “Tive a oportunidade de viajar para diversos países e, certamente, o sistema brasileiro é espetacular”, atesta. “Os custos ainda são altos, mas em qualidade é o melhor do mundo”, reitera.
O economista defende a tendência mundial de informatização bancária e cita exemplos de instituições que já abortaram de vez o atendimento presencial. “Em São Paulo, alguns bancos são totalmente virtuais, com sedes ‘físicas’ que, no máximo, não passam de pequenos escritórios”, argumenta.
Tempos modernos
Os acostumados com o bom e velho “cafezinho” com o gerente, antecipa Ismanhoto, devem se adaptar aos novos tempos. “O fator humanização, realmente, perde com isso”, comenta. “Hoje em dia as agências trabalham com cerca de 20% do contingente de funcionários que havia há 10 anos”, enumera. “Para o funcionalismo isso também não é bom, obviamente”, enfatiza.
Intensamente procurado por clientes insatisfeitos com as instituições bancárias, o Procon, ao menos em Bauru, não registra qualquer tipo de queixa com relação aos serviços online. “Não há reclamações conosco quanto a esse tipo de atendimento”, assegura Talita Rafaela Maldonado, supervisora do órgão de defesa do consumidor em Bauru. “As queixas ainda são de atendimento nas agências, principalmente agora com a greve”, acrescenta.
Apesar do aumento no número de acessos via Internet, ela atribui a ausência de reclamações nesse quesito ao fato dos clientes “virtuais” ainda serem minoria em comparação aos que procuram as agências. “Ainda tem gente que não confia, com medo de fraudes pelo computador”, relaciona. “Eu mesmo utilizo os serviços, mas procuro sempre o fazer de apenas um computador, pois os crimes virtuais existem e suas tipificações são recentes”, recomenda.
____________________
Consultas lideram
A maior parte de acessos a páginas bancárias ainda se restringe às consultas de saldo e extrato de contas correntes ou poupanças. É o que atesta recente levantamento do Instituto de Pesquisa Fractal, revelando que o pagamento de contas é apenas a terceira transação mais realizada pela Internet.
Conforme o instituto, 76,6% dos entrevistados afirmam consultar extrato, enquanto 72,8% dizem utilizar o home banking para checar o saldo. Pagamento de contas com ficha de compensação é feito por 55% dos indagados. Em quarto lugar aparece a quitação de contas concessionárias (água, luz, telefone), com 51,2% dos usuários. O instituto ouviu 14.540 pessoas, de variadas faixas etárias. A pesquisa foi divulgada em maio.
A eficiência no setor também é atestada pelo levantamento, enfatiza Celso Grisi, presidente do Instituto de Pesquisa Fractal. “Os índices de suficiência indicam que, para 90% da amostra, os bancos correspondem às expectativas”, assegura. O estudo mostra que os clientes valorizam, hierarquicamente, segurança, facilidade de uso e clareza na informação.
Metade dos entrevistados usa o serviço de uma a duas vezes por semana e o maior crescimento no índice de clientes virtuais (20%) é observado entre consumidores com renda de até R$ 2,5 mil. Porém, a maior fatia desses usuários é concentrada entre os clientes com renda mensal de R$ 1,5 mil a R$ 3 mil, correspondente a 27,6%.
Fonte: jcnet.com.br
Banco pela Internet reduz gastos de cliente com tarifas
Assinar:
Postar comentários (Atom)
seja o primeiro a comentar!