Nos tempos em que a Internet se transformou em ferramenta imprescindível para a formação educacional e profissional dos indivíduos, Bauru tem muito o que avançar. Embora os esforços do poder público em garantir a inclusão digital nas escolas devam ser reconhecidos, os 53 mil alunos que freqüentam as 63 escolas estaduais e municipais da cidade ainda precisam se virar para dividir os 800 computadores distribuídos nas unidades de ensino. Embora 100% das unidades estejam conectadas, proporcionalmente são 66 estudantes para cada máquina com acesso à Internet.
Analisada isoladamente, a situação dos estudantes da rede municipal de ensino é um pouco melhor. São 27,6 alunos matriculados no ensino fundamental para cada máquina conectada à rede mundial de computadores. Os 49 colégios estaduais, que somam uma média de mil alunos em cada unidade, dispõem de apenas 10 terminais em cada uma delas.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, para que todos possam usufruir dos benefícios que a tecnologia pode acrescentar ao processo ensino-aprendizagem, existe um revezamento para o uso dos laboratórios, em que as turmas são agendadas previamente, de acordo com a necessidade do professor. Embora não haja um consenso entre os educadores sobre a proporção ideal entre número de computadores e alunos, o município e o Estado afirmam que, em Bauru, o déficit na cidade já foi suprido.
Se não existe necessidade de mais equipamentos, as dificuldades estruturais que os alunos ainda enfrentam para usufruir do benefício da Internet ainda é patente. A escola estadual Luiz Carlos Gomes, na Vila São Paulo, é um exemplo de como a tecnologia chegou sem que houvesse um planejamento efetivo.
Nos últimos anos, a unidade recebeu 10 computadores novinhos do Estado, mas ainda não há espaço adequado para que as crianças possam utilizá-lo. “E não existe previsão para que isso aconteça”, revela o diretor Aldo José Martins.
Método ‘alternativo’
Por isso, a escola criou um método ‘alternativo’ para que as máquinas não ficassem paradas. Pela falta de espaço, apenas os considerados melhores estudantes podem utilizar o laboratório improvisado. E somente aos finais de semana. “E, recentemente, nós recebemos outros 10 computadores, mas ainda não instalamos por causa do espaço pequeno. É complicado”, complementa Martins.
Na rede municipal, que dispõe de aproximadamente 18 máquinas por escola, a informática está sendo utilizada nas aulas como ferramenta complementar em disciplinas tradicionais como matemática, português e ciências, informa a diretora do departamento pedagógico da Secretaria Municipal de Educação, Griselda Luiza Purini. Ela conta que, durante os dois últimos anos, os professores receberam formação técnica para lidar com essa nova ferramenta.
No entanto, a diretora revela que o sistema ainda enfrenta alguns problemas técnicos, principalmente nas escolas situadas em locais mais afastados, onde há falhas no sinal da antena do provedor. “Temos um assessoria técnica, de uma empresa contratada, para nos atender quando as escolas ficam sem Internet. Mas nem sempre damos conta de todos os problemas”, avalia.
Mas ela também enumera avanços. Embora, a exemplo das escolas estaduais, as turmas também tenham de se revezar durante a semana para poder utilizar os laboratórios, cinco escolas já criaram blogs que são mantidos pelos alunos e ficam hospedados no portal da Secretaria Municipal de Educação (www.educabauru.com.br).
“É claro que a gente ainda lida com algumas dificuldades, mas estamos nos aperfeiçoando. No século 21, já não podemos mais abrir mão do acesso à informação e ao conhecimento através dos meios digitais”, finaliza.
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Acima da média
Embora as escolas municipais e estaduais de Bauru tenham de lidar com alguns percalços, o nível de acesso à Internet na cidade está bem acima das médias nacional e estadual.
Conforme levantamento inédito do Censo Escolar 2007, divulgado pelo Ministério da Educação, apenas 22% das 166.240 escolas públicas da educação básica brasileira estão conectadas à rede mundial de computadores. No Estado de São Paulo, o mais rico da federação, esse percentual sobe para 65%: mas ainda 6.040 dos 17.409 colégios públicos ainda não têm acesso à rede.
Fonte: jcnet.com.br
Escolas públicas têm um computador para cada 66 estudantes
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