Bauruenses planejam a cidade do bem-estar e sonham com o futuro

Eleição é momento de disputas entre partidos, coligações, lideranças políticas, de críticas, apelos, pesquisas, debates, mas é, acima de tudo, uma festa popular e da cidadania. É o reencontro quadrienal do cidadão com sua sagrada e inalienável condição de comandante do destino de sua cidade.

O JC foi às ruas ao longo da semana para ouvir do cidadão eleitor de Bauru - desde o munícipe anônimo ao mais conhecido - um pouco de seu sonho para a cidade ideal. A uma semana da escolha do futuro prefeito, os leitores e os candidatos terão nestas páginas e no caderno JC nos Bairros a oportunidade de sentir um pouco da visão do ideal estabelecida por quem deve fazer a diferença: o bauruense.

Perguntamos às pessoas nas ruas, aos técnicos em seus escritórios e a lideranças populares em suas bases o que Bauru ainda não possui e que é condição básica à definição de bem-estar coletivo. O leitor verá que os desejos e sonhos são variados, desde os mais tradicionais e urgentes, como saúde e educação de qualidade, aos mais agradáveis, como poder pescar de novo no Rio Bauru, ter mais parques e áreas verdes, espaços para lazer jovem, entre outras justas demandas.

Trata-se de um verdadeiro mosaico da cidadania, onde é permitido ousar nas idéias, viajar bem longe nos sonhos e traçar um futuro que depende do poder de mobilização e cobrança da cidade para se tornar realidade mais cedo ou mais tarde.

O prefeito eleito no próximo domingo terá como missão nada mais nada menos do que atender aos desejos da população. Não necessariamente estes, elencados por dezenas de bauruenses na edição de hoje, porque trata-se apenas de um exercício de imaginação, embora muitas das propostas desta edição sejam prementes e factíveis. Seja Caio ou Rodrigo, o próximo prefeito terá de ter, antes de mais nada, sensibilidade para captar o que são os desejos mais nobres das quase 400 mil pessoas que vai representar.


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“Com mais emprego, a renda aumenta”

O taxista José Amâncio sonha com uma cidade industrializada, que ofereça emprego para todos que queiram trabalhar. Conseqüentemente, a renda per capita do município será maior do que é hoje. Com emprego e bons salários, as famílias seriam mais bem estruturadas financeiramente e teriam condições de oferecer saúde e educação de melhor qualidade aos filhos. Assim, diminuiria o risco de jovens e adolescentes se envolverem com drogas e violência. José Amâncio de Oliveira, 61 anos, taxista


“Ver o Noroeste na elite nacional”

Assim como o pastor americano Martin Luther King, o vendedor Udson também tem um sonho. “Meu sonho é ver o Noroeste na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. É poder assistir a jogos contra equipes da elite do futebol nacional”, revela. O sonho dele é viver em uma cidade onde a população está envolvida com o esporte, que lota os estádios em dias de jogos e empurra as equipes locais com paixão. O sonho dele é ver o Noroeste como um verdadeiro clube, cheio de associados em suas dependências. Udson Romão Manzatto, 30 anos, vendedor


“Sonho com uma cidade mais limpa”

Raquel sonha com o dia em que ela sairá de casa e terá diante de seus olhos uma cidade com as ruas limpas e seguras. Quando ela poderá passear despreocupadamente com a sobrinha-neta, a pequena Maria Eduarda, de 1 aninho, pelo bairro. Seja qual for o dia ou horário, as ruas e calçadas estarão sempre limpas e bem conservadas, ou seja, em condições perfeitas para passeios de manhã ou no fim da tarde. Raquel Olher, 46 anos, dona de casa


“Precisamos de grandes bosques”

Verde é a cor do sonho que Júlio tem para Bauru. Pai de dois filhos, o motorista gostaria que a cidade tivesse grandes bosques, onde pudesse desfrutar de diversas atrações com a família ao ar livre. “É difícil encontrarmos opções para um simples passeio de domingo. Muitas árvores e um parquinho para levar a criançada para brincar seria ideal existir em todos os bairros da cidade”. Júlio César de Souza Mattos, 38 anos, motorista


“Sinto falta dos parques aquáticos”

Com esse calor, tudo que Mário gostaria era de um parque aquático, onde pudesse se divertir com os amigos, como costumava fazer no Rio Grande do Sul. Desde que se mudou para Bauru, há três anos, os dias passados nas piscinas e tobogãs ficaram apenas guardados na memória. “Eu fico sempre lembrando daqueles passeios e pensando em como seria bom ter um aqui na cidade. Íamos com a turma da escola pelo menos uma vez por ano e quando olho as fotos, sinto muita saudade”. Mário Henrique Prado, 20 anos, estudante


“Um novo Vitória Régia”

Ciclovias e locais ideais para caminhadas dariam nova cara e mais utilidade para o cartão postal da cidade, na opinião de ‘seo’ Antônio. “O Vitória Régia só tem aquela concha acústica e mais nada. É um espaço pouco aproveitado”. O sonho do empresário para uma Bauru ideal, mais do que uma opção para as suas caminhadas diárias, são parques e locais que ofereçam lazer para todas as famílias. “Eu garanto que com atividades gratuitas, todo mundo iria participar. As famílias estão realmente sem opção de lazer”. Antônio Silvio Batiston, 57 anos, microempresário


“Gostaria de mais respeito no trânsito”

Para a universitária Alessandra, a cidade dos sonhos dela é um lugar onde há mais respeito no trânsito. Onde os motoristas são mais bem educados e onde as motos, que é o veículo que ela utiliza todos os dias, não sejam fechadas com tanta freqüência como ocorre na cidade real. E que o respeito avance para outras áreas, como por exemplo, o patrimônio público e particular. “Eu sonho com uma cidade sem pichações e sem vandalismo.” Alessandra Juliana dos Santos, 21 anos, universitária


“Transporte público de qualidade”

Um transporte público de boa qualidade, com várias opções de horários (inclusive nos fins de semana), que não obrigue o passageiro a ficar esperando uma hora até que passe um ônibus. E quando o ônibus chega, tenha lugar para que todos viagem sentados e de forma confortável. Que os motoristas respeitem o limite de velocidade e não coloquem os passageiros em risco. Esse é o sonho de Elaine, que usa transporte coletivo com freqüência. Elaine Rienda, 25 anos, garçonete


“Ficaria feliz com mais segurança”

Quando os filhos ou os netos saem de casa é sempre a mesma coisa. Logo vem a preocupação com a segurança deles, especialmente quando essas escapadas ocorrem à noite. “A gente nunca fica tranqüilo quando eles saem de casa. A violência preocupa”, diz Ary, um militar aposentado. O sonho dele é viver em uma cidade onde não fosse necessário instalar grades, que mais parecem uma prisão, nem muros altos ou alarme para se proteger dessa violência. Ary Terezan, 73 anos, militar reformado


“Uma Estação Cultural”

O maior sonho de Karina é que um projeto antigo saia do papel: transformar a antiga Estação Ferroviária de Bauru em um pólo permanente de cultura. Peças teatrais, exibições de filmes, lojas com artesanatos, shows musicais e de dança, era tudo que a vigilante gostaria de ver à margem dos trilhos. “A cidade precisa tanto de atividades culturais e a Estação é o espaço ideal para isso. O acesso é fácil para todos, além de preservar um local que faz arte da história da cidade”. Karina Seawright Van Vught, 29 anos, vigilante


“Sonhamos com um rio Bauru cheio de peixes”

Morador há 35 anos da cidade, ‘seo’ Arlindo chegou a presenciar o ‘restinho’ de peixes que ainda viviam no rio Bauru. Só não teve tempo de praticar seu hobby preferido - a pesca. Hoje, seu maior sonho é ver o rio despoluído e cheio de peixes mais uma vez, para se divertir ao lado da esposa, sua companheira de pescaria. “Ontem (anteontem) mesmo fomos pescar em Barra Bonita, porque aqui não tem lugar”, conta o casal, juntos há cinco anos, que costuma pescar, em média, uma vez por semana. “Não sei se vamos chegar a ver isso acontecer, mas é esse nosso sonho”. Arlindo Marinelli, 76 anos, e Wilma Zuim Mariano, 72 anos, aposentados


“Sonho com um parque como o do Ibirapuera”

Uma grande área verde com shows e diversos eventos culturais, lugares para piqueniques e caminhadas, brinquedos para as crianças e diversão para toda família é o que falta para Juliana em Bauru. “Sonho com um parque como o do Ibirapuera em São Paulo: um local bem cuidado e bonito com diversas atrações. Os raros parquinhos que existem na cidade para as crianças, por exemplo, estão detonados. Quem tem mais condições financeiras acaba dando um jeito, indo para algum clube, mas e aqueles que não têm?” Juliana Aparecida Barbosa, 28 anos, secretária


“A cidade dos sonhos tem parques”

Adão mora no Jardim Cruzeiro do Sul, mas quando quer levar a filha Maria Clara, 3 anos, a algum parque que tenha brinquedos, ele tem de pegar o carro e rodar muitos quilômetros. Por isso, um dos sonhos dele é um dia ver todos os bairros da cidade com pelo menos um parque equipado com brinquedos sempre bem conservados. “Onde há brinquedos, sempre está cheio de crianças”, observa ele, que sempre leva a filha para brincar no parque do Bosque da Comunidade. Adão Araújo dos Santos, 53 anos


“Poder caminhar em locais calmos”

Ralph e a esposa Alessandra estão sempre caminhando. Por falta de um local mais adequado, eles fazem isso na calçada da avenida Getúlio Vargas. Mas o barulho dos carros incomoda. “A caminhada é um momento que você tira não só para praticar uma atividade física, mas também para relaxar”, diz ele. No entanto, é impossível relaxar com o barulho produzido pelos veículos que passam pela avenida. Além disso, não há sombra no local. “Meu sonho é poder caminhar em um lugar silencioso e com bastante sombra”, conta. Ralph Farina, 43 anos, farmacêutico


“Eu gostaria de ver o PS sem filas”

O sonho de Maria, ajudante geral, é um dia chegar no Pronto-Socorro Municipal e ser atendida rapidamente. Nada de ficar esperando na fila e de ver cara feia de funcionários e médicos. Na Bauru dos sonhos dela, os médicos e funcionários trabalham satisfeitos, ganham bem e atendem melhor ainda. Ela também não se esqueceu do asfalto. “Eu sonho com uma cidade que tem todas as ruas asfaltadas, inclusive nas vilas mais carentes.” Maria Pires Cruz, 48 anos, ajudante geral


“Um lugar seguro para minha filha brincar”

É sempre um desafio para o casal Carlos e Lucineide quando a pequena Yasmim, 3 anos, pede para ser levada em algum parquinho para brincar. Moradores do Parque Vista Alegre, o máximo que os pais conseguem é uma praça ou outra perto de casa, mas sem atrativos para a criançada. “De tanto ela pedir a gente acaba levando, mas não tem nada para a criança fazer. A única saída que resta é levá-la para dar uma voltinha de velotrol na calçada ou no quintal de casa. Um lugar seguro para minha filha brincar e um parquinho em cada vila da cidade é meu maior sonho para Bauru”. Carlos Zulato, 48 anos, segurança


“Precisamos de uma pista de arrancada”

O sonho de Flávio e seus amigos é ter um lugar ideal para praticarem seu hobby: a arrancada. A sugestão do local já tem na ponta da língua: o Sambódromo Municipal. “Carnaval podemos desistir, não haverá mais mesmo”, considera. Para os jovens, o local poderia ser um point permanente de encontros de carros e motos, campeonatos de arrancada e som, exposições e outros diversos eventos automobilísticos. “Seria bom para toda cidade e não apenas para nós que gostamos. Um único evento, por exemplo, atrairia muitas pessoas de fora e movimentaria a economia da cidade”. Flávio Gonzalez, 26 anos, mecânico


“Uma cidade com calçadas livres e conservadas”

Andar com o carrinho de bebê pelas calçadas sem ter de ficar desviando pela rua e correndo o risco de ser atropelada. Essa é a cidade dos sonhos de Daniela, mãe de Lucas, 2 anos. Uma cidade com calçadas livres de obstáculos, como buracos, mesas e cadeiras de bar, e bem conservadas. Ela sonha também com uma cidade com o clima mais ameno e arborizada e com um povo mais cordial, que dê preferência às mulheres e idosos, principalmente, nos assentos dos ônibus. Daniela Saura, 21 anos, dona de casa


“Internet e brincadeiras de graça”

Uma lan house pública e um espaço repleto de jogos, brincadeiras e esportes é o que sonha o jovem Wesley para Bauru. “Poderia ter oficinas para ensinar as crianças a usar o computador e muitos instrutores fazendo brincadeiras. Seria um local bem legal para poder ir depois da escola. Todos os meus colegas sempre reclamam que não tem nada para fazer”. Wesley de Almeida Mota, 11 anos, estudante


“Os jovens precisam de uma praça de esportes”

Uma extensa área dedicada aos mais variados esportes, todos oferecidos gratuitamente para a população, é o sonho de Laor para os jovens de Bauru. “O local podia ter piscinas, campos, quadras, pistas de atletismo, sempre visando o lazer das crianças e dos jovens. A juventude de Bauru não tem o que fazer, por isso fica por aí pichando e fazendo vandalismo”. Laor Braskulki, 47 anos, mecânico


“Seria maravilhoso ter um parque temático”

Rodas-gigantes, montanhas-russas e castelos encantados são as atrações que passeiam pelo sonho de Isis. Mãe de dois filhos, a dona de casa gostaria de ter um grande parque de diversão na cidade para passear com a família. “Esses parques são lugares que podemos passar o dia todo. Não apenas as crianças, mas nós adultos também aproveitaríamos muito. Seria maravilhoso ter um parque desses em Bauru”. Isis Bruna de Lima, 23 anos, dona de casa

Fonte: jcnet.com.br

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