Bom Dia entrevista Caio Coube

Prefeitável do PSDB diz que é totalmente contra campanha que explora lado pessoal e reafirma que é adversário de Tuga.

Você disse no primeiro turno que não existe tema tabu quando se referiu às privatizações, mas passou a campanha negando que irá fazer privatizações. Afinal, a privatização é ou não um tema tabu?
Caio Coube – Existem temas para serem discutidos. Todos os temas têm que ser discutidos. A mente tem que estar sempre aberta.

Privatizações são temas que podem ser discutidos então no seu governo?
Caio – Não necessariamente. O DAE por exemplo é uma questão fechada. Não tem a menor possibilidade de mudança. É um tabu ao contrário. Não pode mudar nunca.

Você se arrepende de ter declarado na primeira sabatina do BOM DIA que poderia, hipoteticamente, se a população aceitasse, vender o DAE por R$ 100 milhões?
Caio – Não. A questão precisa ser entendida dentro de um contexto. O candidato debate esse assunto com a sociedade e constata uma coisa que é muito clara de que a população não quer nenhuma mudança em relação a isso. Vamos continuar convivendo com os problemas que nós temos em infra-estrutura.

O que é privatizável?
Caio – A merenda [escolar] porque é uma área muito, muito, muito específica. Não vejo como atribuição de governo.

O governador José Serra declarou, durante visita a Bauru, que a municipalização do ensino é benéfica para as prefeituras. Você diz que não vai municipalizar. Como resolver essa questão?
Caio – Eu acho que as duas redes [fundamental e infantil] vão continuar existindo e coexistindo. O Estado com a responsabilidade maior no ensino fundamental e médio e o município com o infantil e creches.

Mas e se o governador pressionar para a prefeitura assumir essa responsabilidade?
Caio – Eu não posso me responsabilizar pelas decisões do governador. Ele tem autonomia. Se for prefeito, vamos administrar essa questão.

O seu programa de televisão enfatiza para o eleitor o conhecer melhor. Você acha que o eleitor ainda não o conhece a essa altura da campanha?
Caio – Tínhamos seis candidatos no primeiro turno e fica difícil para o eleitor conhecer plenamente as propostas dos candidatos. Agora é uma campanha de comparação e uma oportunidade do eleitor conhecer melhor o candidato, suas propostas, sua história. Por isso a mensagem de conhecer melhor.

Por que o tom agressivo da campanha no segundo turno?
Caio – Não é agressivo. É de comparação. Agora são dois candidatos. É o momento de lembrar o eleitor a comparar os dois candidatos.

Você acha que vincular a imagem do Rodrigo com o governo Tuga [Angerami] pode lhe trazer algum benefício?
Caio – Eu acho que quem tem que julgar a administração do Tuga é a população e não eu. Eu só quero deixar claro que sempre fui adversário político do Tuga, ao contrário dos meus atuais adversários que apoiaram a eleição dele, tanto o candidato a prefeito como a candidata a vice. O candidato a prefeito, aliás, fez parte da administração.

Mas o Clemente [Rezende, vice de Caio e ex-presidente do DAE] também não fez parte do atual governo?
Caio – Primeiro, o Clemente é candidato a vice na minha chapa. Vice é um cargo de expectativa. Quem tem o poder e o comando é o prefeito. Segundo, o Clemente foi para um partido [DEM] que tem aliança com o PSDB. Ele veio indicado pelos democratas.

Mas isso não muda nada no fato da imagem dele estar totalmente vinculada à do Tuga?
Caio – Está, mas no caso ele é vice. Na outra chapa o prefeito e o vice fazem parte [da administração].

Você não está menosprezando seu próprio vice?
Caio – Não. O Clemente será um vice que estará próximo ao prefeito. Ele terá um papel importante no nosso governo.

Os partidos da coligação estão trabalhando na sua campanha?
Caio – Estamos nos reunindo semanalmente. O grupo está bastante motivado, comprometido e feliz. Eles estão muito comprometidos com a idéia de me eleger.

Por que um empresário de sucesso quer ser prefeito?
Caio – Primeiro para servir a comunidade. Minha família tem uma história muito bacana com Bauru. O setor público de Bauru se ressente de capacidade de administração. Falta aos administradores maior experiência em alcançar resultados. E é isso que eu quero fazer.

A campanha do Rodrigo o acusa de lançar boatos contra ele através de e-mails.
Caio – O ambiente eleitoral do segundo turno é de temperatura elevada. Isso é um processo político.

Inclusive quando esses boatos atingem a vida pessoal do adversário?
Caio – Eu sou contra.

Você tem conhecimento de que pessoas do seu grupo estão enviando esses e-mails?
Caio – Não tenho conhecimento. É a minha segunda eleição municipal e sempre mantive um comportamento respeitoso.

Você recebeu um e-mail do João Lourenço [um dos coordenadores da campanha de Caio] no qual ele levanta dúvidas sobre o comportamento do Rodrigo? [A mensagem foi enviada também ao BOM DIA e entre os endereços eletrônicos estava o de Caio]
Caio – Eu não li porque eu não tenho tempo. Eu sou contra. Eu não posso responder. Ele [João] é um companheiro muito leal, muito próximo a mim, mas da minha parte eu não aprovo esse tipo de coisa.

Como você irá lidar com as adversidades que encontrar como prefeito?
Caio – Com naturalidade. Mesmo não ocupando cargo público já sou alvo de críticas e lido com elas com naturalidade. Nós temos que separar as críticas benéficas daquelas que só têm o único objetivo de te atingir. A política é sempre o terreno do contraditório.

Fonte: redebomdia.com.br

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