Bom Dia entrevista Rodrigo Agostinho

Candidato do PMDB nega que irá responder a ataques pessoais e comenta motivos que o levaram a romper com prefeito.

BOM DIA – Como você lida com a onda de boatos?
Rodrigo Agostinho – Fico chateado, mas já era esperado. Vai chegando o momento da decisão. É um pouco de desespero do adversário. Mas se depender de mim, a gente continua num nível bom de campanha.

Desespero por quê? Você acha que está na frente [das intenções de voto]?
Rodrigo – Tenho expectativa grande que nas próximas pesquisas eu esteja na frente do meu adversário. A campanha no segundo turno é muito curta e intensa. As diferenças políticas e de propostas são mais evidentes. Os candidatos acabam querendo fazer a diferenciação, inclusive do ponto de vista pessoal. E podem utilizar várias ferramentas. Infelizmente é utilizada a do boato.

Como encara insinuações sobre sua sexualidade?
Rodrigo – Trato do ponto de vista jurídico. Sabia que tudo poderia ser explorado. Quem está na vida pública tem sua vida exposta a todo momento. Mas não me incomoda. O eleitor não é burro. Sabe perceber que é por conta da disputa.

Pensa em responder no mesmo nível?
Rodrigo – Não. Quero levar para o campo de idéias, de propostas. Percorrer todos os bairros. No primeiro turno fiz uma coisa que para muitos pode parecer insanidade: uma campanha de prefeito muito parecida com a de vereador. Percorri bairros indo de casa em casa, batendo palma, chamando o eleitor.

Vi você algumas vezes sozinho, cumprimentado as pessoas. É opção?
Rodrigo – Às vezes fica agressivo chegar para fazer campanha numa casa e ter 20 candidatos a vereador a tiracolo, mais assessores. Você perde a oportunidade de ter uma conversa mais próxima com o eleitor. Prefiro eu, com meu grupinho.

Esse estilo se manterá se for eleito prefeito?
Rodrigo – É diferente fazer campanha e administrar. Quero me cercar de uma boa equipe de técnicos, que saibam lidar com a população, com a Câmara. Quero fazer uma administração participativa.

O acordo eleitoral com o PDT significa que o pessoal do Izzo pode ter cargos?
Rodrigo – Os apoios foram espontâneos. Logo na segunda-feira [após o primeiro turno] teve o do PTB e durante a semana o João Her-rmann nos procurou para dar o apoio dele e do PDT.

Qual seria a participação do PT?
Rodrigo – O PT traz a vice-prefeita. Vai poder participar, sugerindo nomes.

Como viu as declarações do prefeito sobre você no primeiro turno?
Rodrigo – Tenho respeito pelo Tuga. Acho que foi uma administração difícil, ajudei no que pude. Nunca escondi isso. Fui um dos que coordenou a transição de governo do Nilson [Costa] para o Tuga. Depois sugeri nomes, trabalhei como secretário, às vezes opinando em outras áreas. Mas existem erros que eu não poderia deixar de apontar. Havia decidido não citar o nome dele no programa, mas num determinado momento ele chamou para o embate, criticou propostas e resolvi responder. A leitura que fiz foi que ele apoiava o outro candidato.

De onde virão os recursos para seus projetos? O governo federal está tão disposto a ajudar Bauru assim?
Rodrigo – Tem que administrar o Orçamento, o prefeito tem que ter pé no chão. Mas tem que ter ousadia para propor coisas novas. Quero estruturar uma equipe para elaborar projetos, para ir atrás de onde tiver dinheiro.

Na sua campanha a privatização foi colocada como assunto que não deve nem ser discutido.
Rodrigo – Não vejo problema em discutir, mas sou contrário, por exemplo, à privatização do DAE. Quem começou essa discussão foi meu adversário e, num determinando momento, veio falar que era boato. Deveria, então, ter dito que pensou melhor e o caminho não é esse. Para a merenda acho que dá para ter estrutura melhor sem precisar privatizar.

Como é sua relação na campanha com a Estela Almagro?
Rodrigo – É muito franca: quando não concordo, falo abertamente.

Vocês concordam ou discordam mais?
Rodrigo – [Pausa e sorriso] Tem pontos que a gente discorda. Isso é natural. Ninguém deve abaixar a cabeça para aquilo que o outro fala. Agora, de maneira muito clara, quem vai administrar a cidade é o prefeito. O vice tem a história de que é cargo de expectativa. Mas, se souber aproveitar, pode preencher inúmeros espaços, pode ajudar na articulação política, ajudar na busca de recursos.

Na campanha também são feitas insinuações sobre o Instituto Ambiental Vidágua. O deputado Pedro Tobias chegou a perguntar sobre o destino de dinheiro enviado para plantar árvores.
Rodrigo – Ele precisa ir lá no rio Batalha olhar. Tem florestas inteiras lá e que foram plantadas a partir de uma mudinha. Tenho uma tranqüilidade grande para falar do Vidágua. Nunca recebi um único centavo. Sempre fui voluntário, desde a fundação. Agora, ninguém faz projeto, ninguém trabalha sem receber recursos. O Vidágua, assim como outras instituições da área social, da saúde, precisa de recursos.

Na Câmara você tinha uma relação mais passiva com os vereadores. Agora subiu na tribuna e fez uma ameaça velada ao Clemente [Rezende, vice do candidato Caio Coube].
Rodrigo – Eu respondi às críticas. Não fui eu que fui para a tribuna primeiro.

O que significa dizer “eu te poupei até agora”?
Rodrigo – Durante toda a campanha pautamos o processo eleitoral por uma discussão política e do ponto de vista de idéias. A partir do momento em que sou duramente atacado do ponto de vista pessoal, achei por bem dizer para o Clemente que eu não fui para o campo pessoal. Fui para dizer que a tribuna não é para ser utilizada para campanha.

Você já colocou bomba em algum lugar?
Rodrigo – Nunca coloquei bomba. Sempre respeitei a vida em todas as suas formas. Quem me conhece sabe disso. Todas as minhas manifestações como ambientalista foram pacíficas. Ele que diga hora, local, que aponte. Não é por aí. A cidade não quer crítica pessoal.

Fonte: redebomdia.com.br

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