BOM DIA acompanha correria dos candidatos a prefeito em bairros e traz o passo-a-passo decisivo da busca de votos na reta final.
Terça-feira, 19h40, quadra 13 da rua Salvador Filardi, Vila Industrial. Chego para acompanhar o comício do candidato à prefeitura Rodrigo Agostinho (PMDB).
Temi estar atrasado, mas ele ainda não estava presente. Apenas um caminhão de som tocava sem parar duas músicas da campanha.
Aos poucos, militantes e moradores das redondezas – muitas crianças – entravam na praça onde seria realizado o ato político. Junto com eles, dois pipoqueiros, que aproveitaram para faturar. Fiquei impressionado com a movimentação. Não esperava tanta gente em um comício.
O candidato, porém, só foi chegar às 20h27, acompanhado de sua vice, Estela Almagro (PT). Já cercado por simpatizantes, ele cumprimentou um a um. Eles beijavam e abraçavam Rodrigo, que retribuía, dentro do possível. As pessoas se empurravam para chegar perto e próximo da câmera de TV.
Após seis minutos, o candidato do PMDB subiu em um palanque improvisado: uma caminhonete importada, estacionada ao lado do carro de som.
Quem falou primeiro foi Estela. Rodrigo ficou ao lado, quieto, observando a fala e ainda acenando para as pessoas. Estela começou em tom de ataques. “Nós queremos mostrar que é a população humilde que já nos escolheu. Cada um no seu canto. Nós, como povo da periferia, é que mandamos nessa cidade.”
Em seguida, Rodrigo usou sua fala para intercalar críticas ao prefeito Tuga Angerami (sem partido) – governo do qual ele fez parte até março – e ratificar algumas frases de efeito ditas por sua vice minutos antes.
“Há muito tempo nós não temos atenção do governo federal. Mas não é porque eles não olham por nós. A prefeitura é que se distanciou, não mandou mais projetos, não foi atrás”, disse.
Em cada pausa de Rodrigo, música de campanha, aplausos, gritos e muitas bandeiras agitadas. Aliás, tomei algumas bandeiradas na cabeça durante as quase duas horas que permaneci no local.
Às 20h58 – 31 minutos após começar a falar –, o candidato finalizou o comício: “Nós vamos governar por vocês e para vocês.”
Paciência com os eleitores
Pelas minhas contas, 200 pessoas ouviam Rodrigo discursar em cima da caminhonete na pequena praça. A conta da Polícia Militar, porém, era bem mais alta. Os policiais me garantiram 500 pessoas.
Observei o candidato cumprimentar eleitores por longos 33 minutos. Ele foi beijado, abraçado, puxado, empurrado. Cansei só de ver. Eram 21h31 quando voltei para a redação. E o candidato seguia conversando com populares.
Quem realmente não gostou muito da movimentação foram os motoristas que voltavam para casa ou passavam pela praça. Motivo: o trânsito precisou ser interditado porque muitas pessoas invadiram a rua.
A pé, Caio vai a oito bairros e percorre sete quilômetros
Para minha sorte, na terça-feira não fez sol. Nesse dia, participei da carreata do candidato a prefeito do PSDB, Caio Coube.
Às 16h30, quase junto com Caio, me aproximo dos cerca de 50 militantes que se aglomeram ao lado de um caminhão de som, na Vila Independência.
Caio pega o microfone e fala algumas palavras de incentivo. Em seguida, sai cumprimentando as pessoas. Não mais do que 20 carros vão atrás. As crianças que estavam saindo da escola simplesmente se jogam em cima do candidato que elas vêem na TV.
Os moradores aparecem na rua para ver o que está acontecendo. Caio, com as crianças agarradas aos seus braços, atravessa a rua de um lado para outro para abraçar o maior número de eleitores possível. A equipe de filmagem colhe depoimentos para colocar no horário eleitoral.
Nesse momento já estamos caminhando há uma hora. Estou relativamente tranqüilo porque o ritmo é lento.
Às 18h, depois de três bairros, o vereador eleito Amarildo de Oliveira (PPS) se junta à caravana. Ele chega e já pega o microfone. “Chega de xexelento”, repete sem parar.
Alguns apoiadores sobem nos carros para descansar. O próprio candidato já tinha feito isso em pequenos trechos.
Eu continuo firme, assim como a pequena Raquel Rodrigues, 8 anos, que desde o início está de mãos dadas com Caio. Pergunto por que ela está ali. “A gente gosta muito dele. Ele gosta dos pobres, sim”, fala, sem eu ter tocado nesse assunto.
Em frente ao prédio abandonado onde um dia funcionou o Núcleo de Saúde da Vila Ipiranga, Caio promete reabrir as portas do local. “É um compromisso”, diz, sob aplausos.
Vejo uma praça. Sento no banco, aliviado. Caio passa e pergunta se estou cansado. Nem consigo responder. Só levanto e vou atrás dele, que também dá sinais de desgaste – detalhe: as crianças continuam agarradas ao seus braços.
Na favela do Jardim Ivone, Caio continua a saga de apertar a mão, abraçar e beijar eleitores. Meu corpo pede para parar. Quatro horas, sete quilômetros e sete bairros depois, entro no carro do jornal e vou embora. Eles ainda continuam até o Jardim TV, último local a ser visitado.
Lanche andando e provocações
Antes mesmo de começar a carreata, vejo o ex-vereador Veríssimo Barbeiro, experiente em eleições, comendo um pão com algum recheio que não consegui identificar. Eu não tinha levado nem água.
Depois de umas duas horas, já meio esbaforido, recebo da coordenação da campanha suco, água e uma barra de cereais. Divido o suco, quente, com o vereador Marcelo Borges (PSDB). A água, por sorte, ele não aceita.
No meio do caminho, duas mulheres gritam o nome de Rodrigo e exibem numa folha de caderno o número 15, do candidato do PMDB. Os apoiadores tiram Caio de perto.
A esposa de Caio, Patrícia, brinca comigo, já no final, que vou emagrecer. Essa foi a sétima carreata do candidato do PSDB em sete dias.
Fonte: redebomdia.com.br
Campanha nas ruas vira maratona para convencer eleitores
Assinar:
Postar comentários (Atom)
seja o primeiro a comentar!