O salão de beleza de Rosângela Magalhães, 33 anos, tremeu na quarta-feira da semana passada, 15, enquanto a prefeitura e o DAE (Departamento de Água e Esgoto) trabalhavam na implantação de bocas-de-lobo na quadra 12 da avenida José Henrique Ferraz, no Jardim Ferraz.
“Minhas clientes saíram assustadas e estão com medo de voltar e o salão cair”, diz a cabeleireira. “Parecia um terremoto, com barulho e rachaduras que iam crescendo.”
O DAE explicou à proprietária do imóvel, Cláudia Bernardes Maganini, que foi encontrada uma fossa antiga não aterrada na calçada de uma casa vizinha ao seu prédio. O refluxo dessa fossa durante a colocação da nova tubulação, segundo lhe foi dito, teria inundado a estrutura do prédio, que se “mexeu”.
A fossa foi drenada e aterrada, mas ao menos seis grandes trincas apareceram no imóvel – que comporta o salão na frente e duas quitenetes atrás –, que inclinou para a frente segundo laudo do Departamento de Controle do Uso e Ocupação do Solo, da Seplan (Secretaria de Planejamento).
O laudo, elaborado a pedido de Cláudia, atesta que “é necessária a imediata recuperação dos danos”, o que preocupa a proprietária e a inquilina, que temem que o local possa desmoronar.
As obras na quadra 12 da avenida foram iniciadas no dia 13. A Secretaria de Obras construiu cerca de 100 metros de rede de galerias de águas pluviais e seis bocas de lobo duplas. O BOM DIA mostrou, no dia 20, que as chuvas do fim de semana tornaram o local intransitável.
Cláudia conta que engenheiro e técnicos do DAE têm visitado todos os dias seu imóvel, mas afirma que ainda não obteve comprometimento formal do órgão.
Ela registrou sua reclamação no Poupatempo e recebeu orientação para anexar à solicitação de reparo três orçamentos diferentes para a realização das obras.
Um vizinho enfrenta o mesmo dilema.
“O próprio DAE diz que o procedimento é moroso”, diz Cláudia. “Gostaria que o DAE agilizasse o processo e os orçamentos, afinal, não foi responsabilidade minha.”
Divisão técnica fará laudo
Em nota, o DAE afirmou que sua Divisão Técnica já está providenciando um laudo “para verificar a existência de responsabilidade do departamento em relação ao caso, uma vez que não se furtará ao ressarcimento dos danos causados nos imóveis se verificada essa responsabilidade”.
“O Departamento se baseará no laudo para se posicionar em relação às providências a serem tomadas.” A apresentação dos três orçamentos, segundo a autarquia, é indispensável.
O DAE não informou, contudo, o tempo que levará para chegar a uma conclusão final sobre o caso.
Na calçada
O concreto utilizado próximo às bocas-de-lobo na mesma quadra já está cedendo. Segundo moradores, o concreto foi colocado na sexta-feira, 17.
No prédio de Cláudia, as portas não fecham mais, o telhado cedeu e chove dentro.
Fonte: redebomdia.com.br
Prédio racha durante obras em rua: ‘Parecia terremoto’
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