Iacanga - O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mineiros do Tietê denunciou, ontem, ao Ministério Público do Trabalho (MPT) em Bauru, supostas irregularidades no descumprimento dos direitos trabalhistas de um grupo de cortadores de cana que prestam serviço à fazenda Floresta em Iacanga (50 quilômetros de Bauru). Os trabalhadores estão em greve há 16 dias por discordar das condições de trabalho oferecidas pela empresa do grupo Cosan.
O coordenador da Central Única dos Trabalhadores da região de Bauru (CUT), Francisco Wagner Monteiro, disse que a entidade também tenta intermediar o conflito. Segundo ele, cerca de 150 pessoas, vindas do sul de Minas Gerais, trabalham na fazenda. Uma das reclamações dos trabalhadores, segundo o sindicalista, é a de que, supostamente, eles estariam recebendo menos do que têm direito.
“Os trabalhadores começaram a receber menos do que tinham direito. A (empresa empregadora) começou a dar o ‘nó’ na medida da tonelada de cana. Isso trouxe um conflito e se busca a negociação. Mas ela voltou atrás na negociação e suspendeu o pagamento dos trabalhadores”, alega o sindicalista.
“Eles entram para trabalhar de manhã e não sabem quanto vão ganhar pelo serviço do qual foram contratados. A empresa tem que dizer quanto vai pagar pela tonelada da cana”, completa. Segundo Monteiro, os trabalhadores cruzaram os braços há mais de duas semanas e, diante disso, estão sem receber salário e isolados no alojamento.
O JC apurou que, em protesto, os cortadores teriam interditado os caminhões que transportam a cana até o porto, de onde são encaminhadas por barcaças pelo rio até a usina Diamante, em Jaú. Para garantir a segurança, a Polícia Militar (PM) acompanhou a movimentação dos grevistas durante o dia de ontem.
Em nota, a assessoria de imprensa do Grupo Cosan confirma a paralisação parcial, mas alega que a usina Diamante está aberta à negociação e já se reuniu com a comissão de funcionários e sindicato.
A assessoria informou ainda que os pagamentos dos trabalhadores estão em dia e nega que estejam atrasados. “A companhia reitera que todos os trabalhadores da usina são contratados em regime CLT e estão com seus pagamentos em dia. Além disso, os seus alojamentos seguem integralmente as regras contidas nas NRs (Norma Regulamentadora) nº 24 e 31, da Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, com todas as condições de conforto e higiene, sendo considerados, inclusive, referência no setor”, completa a nota.
De acordo com o Procurador do Trabalho, José Fernando Ruiz Maturana, o MPT vai agendar uma audiência para verificar as denúncias dos trabalhadores. “O MP vai levantar o que está ocorrendo e designar uma audiência dentro do prazo, o mais rápido possível diante das possibilidades da instituição”, explicou Maturana.
O procurador informou que, provisoriamente, a audiência deve ocorrer no dia 28 deste mês. Nesse dia serão convocados representantes do sindicato e do Grupo Cosan, controlador da Usina Diamante, em Jaú.
Fonte: jcnet.com.br
Grevistas procuram apoio do MPT
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