Partidos tentam esconder expectativa por nomeações no próximo governo

Eleito prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho (PMDB) terá como uma das primeiras tarefas definir a equipe de secretários e outros cargos de confiança. E é nesse momento que os dirigentes das legendas que apoiaram a candidatura ao Executivo vão pleitear participação efetiva no governo. Afinal, colaboraram na campanha vencedora e querem integrar a administração.

Ainda são especulações os nomes que farão parte da administração Rodrigo. Em relação à coligação para formalizar a campanha, no primeiro turno o prefeito eleito contou com o apoio do PMDB, onde está filiado, PT, PR, PC do B e PSB. No segundo turno ganhou o apoio institucional de PTB e PDT. Porém, não há garantias que o apoio tenha se transformado em vínculo pós-eleição.

Dirigentes de duas siglas que trabalharam em prol da coligação Bauru de Todos repetem o que era esperado: que a escolha deve levar em consideração critérios políticos e técnicos. “As indicações têm de ser ao mesmo tempo técnica e política, independentemente do tamanho do partido”, diz Sandro Bussola, presidente do diretório Municipal do PT. “Quando fizemos a aliança não discutimos cargos, mas um projeto político para a cidade e que o melhor nome era o Rodrigo”, profetizou Bussola, frase mais do que previsível.

Geraldo Bérgamo, presidente do diretório Municipal do PC do B, tem a mesma opinião. Citando que a legenda tem posicionamento único no País, ele aponta que para a composição da equipe de trabalho é preciso observar se a pessoa tem atuação política e formação técnica. Além disso, o dirigente do PC do B diz que o prefeito deve contar com uma frente política integrada para poder administrar.

No que diz respeito a pressões que o prefeito eleito possa sofrer para a formação da equipe, Bérgamo e Bussola afirmam que ele deve ter habilidade e contar com o apoio do conselho político que atuou na campanha para analisar e definir os nomes.

Mas, entre pressões e pedidos pontuais, a maior dificuldade a ser enfrentada por Rodrigo será o de se posicionar contra a auto-indicação, aqueles que confundem suor e comprometimento em campanha eleitoral com perfil para assumir posto em governo. Neste tom, o prefeito eleito terá de demonstrar, de fato, ainda na fase de formação de governo, se está maduro o suficiente para discernir figuras como “carregador de piano”, “assecla” e “capataz” de secretário.

O presidente do PMDB, Alex Gasparini, procura se posicionar em ambiente pacificador: “Todos podem ficar tranqüilos porque vão poder contribuir, compor equipes. Tenho a certeza que o Rodrigo vai compor um grupo bom e está claro das dificuldades e desafios que tem pela frente e vai saber verificar os melhores perfis para cada situação no secretariado”, disse.

PSDB e DEM

Partidos derrotados na disputa para a Prefeitura de Bauru, PSDB e DEM estão numa fase de “juntar os cacos”. Na Câmara Municipal de Bauru, as duas legendas elegeram cinco vereadores. No partido tucano, o presidente do diretório Municipal, Gilson Rodrigues de Lima, diz apenas que a sigla voltará a realizar as reuniões no segundo sábado de cada mês.

A reestruturação do PSDB deve ocorrer em agosto de 2009, quando será montado novo diretório. Lima conta que não poderá concorrer à presidência da legenda porque está no segundo mandato. Sobre derrota na disputa para a prefeitura, ele diz que o partido fez o que era possível e que foi mérito de Rodrigo ter vencido a eleição.

No Legislativo, o PSDB terá papel de oposição na Câmara. “Não seremos contra a pessoa do prefeito Rodrigo, mas contra aquilo que não consideramos correto”, aponta Rodrigues, em tom mediador.

No DEM, o presidente do diretório Municipal, Dudu Ranieri, vai organizar reunião amanhã para avaliar as eleições municipais e o papel que a legenda adotará.

Quanto ao relacionamento entre os vereadores eleitos do DEM e o novo prefeito, diz que os parlamentares pretendem “trabalhar em prol da cidade”, fase mais que batida no meio político e que, nem de longe, retrata o que realmente pode acontecer no relacionamento entre os poderes. No momento, segundo Ranieri, a expectativa é como Rodrigo irá conduzir o processo.

Fonte: jcnet.com.br

seja o primeiro a comentar!