Pesquisa do Sebrae mostra amadurecimento de empreendedores e redução das taxas de mortalidade empresarial
Saber vender, controlar os custos para obter lucro, calcular corretamente os preços dos produtos ou serviços e não “monopolizar” o controle dos negócios. Esses itens estão entre as principais recomendações de especialistas aos empreendedores que desejam fazer parte da mais recente estatística divulgada pelo Sebrae: a queda da taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas (MPEs) no Estado de São Paulo. O índice de sobrevivência empresarial melhorou nos últimos dez anos, mas o fechamento prematuro de empresas ainda preocupa e provoca importantes perdas para a economia estadual.
De acordo com a pesquisa “Dez Anos de Monitoramento da Sobrevivência e Mortalidade das Empresas”, elaborada pelo Observatório das MPEs do Sebrae-SP, de cada 100 empresas abertas no Estado, 27 não conseguem completar um ano de atividade. Entre as empresas atendidas pelo Sebrae, a taxa cai para 17%. A realidade na região de Bauru segue as estatísticas da pesquisa de âmbito estadual.
O número ainda é alto, mas representa melhora significativa no cenário empresarial. Há dez anos, a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas paulistas no primeiro ano era de 35% (ou 35 a cada 100).
Essa tendência também foi verificada nas empresas que completaram dois, três, quatro e cinco anos de atuação. Segundo a pesquisa, o índice de fechamento no segundo ano caiu de 46% para 38%; no terceiro ano, caiu de 56% para 46%; no quarto ano, de 63% para 50%, e no quinto ano, de 71% para 62%. Segundo os pesquisadores, em números absolutos a redução significa que, enquanto em 1998 cerca de 100 mil empresas fechavam as portas, ano passado esse montante caiu para cerca de 80 mil.
Segundo a pesquisa, no ano de 2006 a perda financeira com o encerramento de 81 mil empresas foi de aproximadamente R$ 16 bilhões (incluindo perda de faturamento e capital investido), valor equivalente a 690 mil carros populares ou 66 milhões de cestas básicas por ano. O custo social também foi alto: 267 mil postos de trabalho deixaram de existir ao longo daquele ano.
Perfil
O gerente do Observatório das MPEs do Sebrae-SP, Marco Aurélio Bedê, atribui os resultados a alguns itens, como a estabilidade da inflação, o crescimento da economia, a mudança do perfil dos empreendedores e a melhora do ambiente institucional por meio da aplicação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas.
“A estabilidade dos preços permitiu aos empreendedores voltar a fazer planejamentos a longo prazo, o que é muito importante para os negócios. O crescimento econômico do País favorece a sobrevivência empresarial. O perfil do micro e pequeno empresário vem melhorando muito, pois o grau de escolaridade aumentou, eles estão mais preocupados em buscar conhecimento para se tornarem mais competitivos, mais empresários fazem cursos e buscam o apoio de entidades como o Sebrae, mais empresários estão vendendo para o governo e, também, realizando ações conjuntas com outras empresas”, detalha Bedê.
Em relação ao grau de escolaridade, a pesquisa revelou que 70% das pessoas que abriram empresas no ano 2000 e foram entrevistadas em 2004 tinham o segundo grau completo ou mais, índice que subiu para 78% em relação aos empresários que iniciaram atividade em 2005 e foram entrevistados no ano seguinte.
Outro dado que vem se ampliando sistematicamente é a abertura de empresas por “oportunidade” contra o fator “necessidade”. Em 2000, 60% dos entrevistados disseram ter aberto a empresa por terem enxergado uma oportunidade de negócio, índice que subiu para 69% no ano 2005.
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Sucesso
A empresária Fabiana Felipe dos Santos, de Jaú, começou a vender roupas informalmente em 2004, realizando o sonho que sempre teve de entrar para a área de comércio de confecções. Vendeu um carro por R$ 6 mil, que foi seu capital inicial. O início foi difícil, mas as vendas informais de porta em porta ajudaram-na a conhecer de perto seus clientes.
Em 2006, a empresária, já conhecida na cidade como a vendedora Bia, abriu uma loja na sua própria casa, onde pôde fazer mais contatos e ampliou a carteira de clientes. Em 2007 mudou-se para um ponto comercial, atuando na venda de vestuário adulto feminino e masculino. “É preciso pensar para quem vender e conhecer o cliente, além de saber como vender, o que comprar para vender e onde comprar”, observa a empresária.
Fabiana continua visitando alguns fregueses em casa, atende quinzenalmente clientes em Bauru e promove um trabalho de telemarketing. Agora, pretende ampliar os negócios em Jaú e vender também roupas para crianças.
Fabiana é administradora de empresas, mas mesmo com a formação acadêmica, participou de vários cursos do Sebrae-SP, como o de fluxo de caixa. “Coisas que aprendi na faculdade durante os quatro anos, foram apresentadas de uma forma muito mais prática e fácil.”
Fonte: jcnet.com.br
Pequenas empresas sobrevivem mais
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