Com a perspectiva de recolocar no mercado de trabalho 1 milhão de profissionais nos próximos três anos, o Estado coloca no ar, hoje, o “Google do Emprego”, portal gratuito de Internet que conectará candidatos a vagas com empregadores de todo o território paulista.
A nova ferramenta funcionará como um extenso banco de currículos e usará torpedos, via telefone celular, para informar os cadastrados sobre as ofertas de oportunidades que se enquadrem em seu perfil.
Em entrevista exclusiva à Associação Paulista de Jornais (APJ), o secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos (DEM), detalha o funcionamento do programa, denominado “Emprega São Paulo” e aposta que o modelo será reproduzido em outros Estados.
“Com esse grau de sofisticação e de volume, sem dúvida, será o maior sistema do gênero do Brasil”, diz Afif.
Em fase experimental há duas semanas, o portal já foi responsável pela inserção de 11,5 mil candidatos em novos postos de trabalho. “Nossa idéia não é competir com os sites pagos. Queremos prestar um serviço de altíssima qualidade e gratuito”, avalia o secretário.
Já em sua largada, o “Emprega São Paulo” (www.empregasaopaulo.sp.gov.br) contará com 201.500 opções de emprego e absorverá automaticamente os profissionais fichados nas unidades do Posto de Amparo ao Trabalhador (PAT).
Segundo Afif, o site também servirá para orientar as políticas de qualificação adotadas pelo governo estadual em tempo real. “Ele vai demonstrar onde estão sendo oferecidas vagas que o mercado não está preenchendo por falta de profissionais qualificados.”
Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
Associação Paulista de Jornais – O “Emprega São Paulo” será uma ponte eficiente entre o empregador e as pessoas que estão buscando colocação no mercado?
Guilherme Afif Domingos – Em todos os níveis. Na verdade, é um instrumento de fortalecimento do mercado de trabalho. Qualquer pessoa, inclusive quem está empregado, pode cadastrar seu currículo. Se começarem a procurar um profissional com esse perfil, imediatamente você vai saber a quantas anda seu potencial dentro do mercado de trabalho.
APJ - Então, necessariamente não é preciso estar sem emprego para participar?
Afif - Não. Ele pode estar empregado e se cadastrar. Porque, amanhã, as empresas procurando e ofertando vaga, de alguma forma seu currículo será cruzado de acordo com sua aptidão profissional ou de acordo com o Código Brasileiro de Ocupação. Então, vamos permanentemente cruzar os dados.
APJ - Quais dados serão exigidos para o cadastramento?
Afif - Há todo um padrão para entrar. Se você não fornecer as informações exigidas, não prossegue.
APJ - Do ponto de vista do empregador, é uma ferramenta segura para esse rastreamento de perfis de profissionais?
Afif - Na verdade, nós fizemos um entendimento com a ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) para desenvolver o portal a partir das necessidades dos profissionais de RH que trabalham nas empresas. Temos que ter foco no cliente. Qual o ponto de vista deles e as necessidades deles no processo de busca. Foi assim que estabelecemos uma parceria com eles. Eles participaram ativamente na confecção dos conceitos que estão aí no portal.
APJ - E quanto à perspectiva dos trabalhadores, houve participação externa?
Afif - Os nossos técnicos têm experiência de dez anos no setor. E ainda tivemos apoio das principais centrais sindicais. Chegamos ao denominador comum, de ser um veículo importante de oferta e procura.
APJ - Os currículos que já estão cadastrados nas unidades do PAT vão migrar automaticamente para o portal?
Afif - Sim, já estão. Estamos com 201.500 vagas cadastradas no sistema de ofertas de emprego. E todos os candidatos a possíveis vagas cadastrados no PAT já estão inseridos no sistema. O sistema está trabalhando experimentalmente e já fizemos a intermediação de 11,5 mil profissionais colocados. Então já percebemos que o sistema funciona.
APJ - Há um limite de tráfego de informação no portal?
Afif - Estamos tomando cuidado para não afobar na saída. A partir de janeiro e fevereiro, faremos uma campanha na televisão, que vai dar mais publicidade. Até lá, usaremos mais os profissionais da área, as empresas, os canais de comunicação convencionais, o boca-a-boca. Mas nossa capacidade é de armazenamento de 6 a 7 milhões de pessoas.
APJ - Pelo que o senhor diz o sistema funcionará em sua plenitude a partir de janeiro?
Afif - Exato. O segundo ponto é que também estamos entrando numa fase em que, com a instabilidade econômica, o sistema passa a ser uma ferramenta importante.
APJ - Quem trabalhou no desenvolvimento do sistema?
Afif - O Prodesp é a empresa do Estado que desenvolveu o sistema e responde pelos servidores onde serão depositados os dados. Investiu-se num sistema ‘parrudo’, não pode ser pequeno.
APJ - É uma iniciativa pioneira no setor público?
Afif - Pioneiro não, pois existe um no Paraná, mas é muito mais simples. Com esse grau de sofisticação e de volume, sem dúvida, será o maior do Brasil. Inclusive, vários Estados já estão nos procurando.
APJ - Há metas de recolocação de profissionais?
Afif - É difícil trabalhar com metas num mercado instável. Se você tem um mercado crescendo a 5% ao ano, você tem uma oferta de vagas acima da média. Agora, num momento de instabilidade... Eu sei que vai ser muito mais do que o nosso sistema manual. Agora estabelecer efetivamente uma meta, é difícil. Em 10 anos, colocamos 1 milhão de pessoas. Com esse sistema, vamos colocar 1 milhão de pessoas em três anos.
APJ- E a vocação dos PATs, sofre alguma mudança?
Afif – Os PATs continuam pagando o seguro-desemprego, que é um instrumento precioso para qualificação. Nesse período em que o sujeito está desempregado, ele precisa estudar, buscar qualificação. O segundo ponto é que vamos multiplicar o número de PATs. Porque, para acessar o sistema, você conecta da sua casa, de um cybercafé...
APJ – E a comunicação com esse candidato?
Afif – O terceiro ponto é a resposta. Quando ele, como profissional, está sendo procurado, percebemos que a resposta por e-mail é pequena. Ele não tem costume de acessar, mesmo que tenha um e-mail inscrito, pois a exclusão digital ainda é grande. Em compensação, a grande maioria tem celular, mesmo que seja pré-pago. Então optamos pelo torpedo. Então, além do e-mail, o sistema cadastra um celular e emite um torpedo informando sobre a vaga.
APJ - E, sob a ótica do empregador, qual tem sido a reação ao sistema?
Afif- Era o que as empresas estavam esperando. A adesão é automática. A ABRH está fazendo uma grande divulgação no seu meio.
APJ- Isso nas grandes empresas. E nas pequenas e médias, qual será a estratégia para que elas se interessem?
Afif- Elas virão na medida em que você coloque a comunicação nos grandes veículos.
APJ - Podemos dizer que será um mecanismo diferenciado dos existentes, especialmente os pagos?
Afif- Não temos a mínima intenção de competir. A nossa intenção é prestar serviço público e gratuito. Os portais pagos terão que ser infinitamente melhores que os nossos. Para justificar o fato de um serviço pago. Isso vai servir para aumentar a competitividade, claro. Nós vamos prestar um serviço de altíssimo nível e gratuito.
APJ - Os números de recolocação via PATs são muito mais expressivos nas regiões metropolitanas, na Grande São Paulo. Por que no Interior a adesão é ainda modesta?
Afif- Sim. Na verdade, no Interior, você tem quase um boca-a-boca. Ou seja, as pessoas não são números, são conhecidas. A intermediação de mão-de-obra no Interior se dá de forma direta. Já nas cidades maiores, o número é mais robusto. Não tem mais aquele relacionamento tão próximo.
APJ- Neste sentido, o “Emprega São Paulo” acaba rompendo fronteiras?
Afif - Sim, até porque, hoje, o limite dos municípios é algo relativo. A pessoa pode morar em Santa Bárbara e trabalhar em Americana, pode morar em São Paulo e trabalhar em São Caetano. Então essa história de ter cadastro por município. O sistema atende à universalização do emprego.
APJ - O diagnóstico das Caravanas do Trabalho ajudou na elaboração de um sistema mais equilibrado e funcional para a qualificação da mão-de-obra em São Paulo?
Afif – A partir do diagnóstico, fizemos o calendário de cursos de qualificação. Este ano, foram ofertadas 30 mil vagas. No ano que vem, salta para 60 mil vagas. E essas vagas vão ser preenchidas a partir da oferta e procura do Emprega São Paulo. Eles vão demonstrar onde estão sendo oferecidas vagas que o mercado não está preenchendo por falta de profissionais qualificados. Portanto, ele vai atualizar, em tempo real, aquela pesquisa inicial. A partir de agora,a atualização passa a ser feita dentro do próprio sistema.
APJ- Pelo diagnóstico feito e pelos programas ofertados, o senhor acredita que o Estado tem hoje um bom ‘arsenal’ para que o desempregado possa se reposicionar no mercado?
Afif- Estamos dando todos os instrumentos. O resto é questão de mercado. Porque aí eu não posso influir no desempenho da economia. Mas que este instrumento melhora muito as condições de empregabilidade, não há a menor dúvida.
Fonte: jcnet.com.br
‘Google do Emprego’ entra no ar hoje
Assinar:
Postar comentários (Atom)
seja o primeiro a comentar!