Bauru contrata e demite mais em 2008

Os diferentes setores da economia de Bauru contrataram, nos primeiros dez meses deste ano, um total de 42.743 pessoas, segundo o Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged). O número é 24,8% superior ao ano passado, quando foram admitidos 34.249 novos funcionários. Em contrapartida, também houve mais demissões em 2008. De janeiro a outubro deste ano, foram registrados 36.998 desligamentos, contra 28.522 do ano passado.

Como a estimativa é de a cidade empregue atualmente cerca de 82 mil pessoas em 17 mil empresas, a rotatividade de postos de trabalho é alta, segundo análise do economista Reinaldo Cafeo. “O setor terciário, que caracteriza a economia da cidade, ao mesmo tempo em que contrata fortemente, também paga muito pouco, geralmente o piso salarial. Por isso, ocorre uma tendência de as pessoas migrarem muito de emprego”, cita.

Esta alta rotatividade também explica, em parte, a estabilização do número de novos postos de trabalho (obtido através do saldo entre o total de admissões e demissões) criados durante o período. De acordo com dados do Caged, no ano passado foram contabilizados 5.827 novos empregos com carteira assinada, e 5.745 em 2008.

Entre os setores mais aquecidos estão o de serviços, o comércio e o da construção civil, responsáveis por mais de 65% das contratações de trabalhadores na cidade. Para Cafeo, o fato de não ter um único setor de atividade econômica preponderante é uma vantagem de Bauru em relação a outros municípios - como é o caso de Jaú com o setor de calçados e Ribeirão Preto com o sucroalcooleiro. Essa diversidade faz com que a economia da cidade não seja fortemente afetada quando um determinado segmento passa por um período de desempenho negativo.

“Mesmo em tempos de crise, esta pulverização faz com que postos de trabalho sejam extintos em vários setores, mas não há um problema forte localizado que comprometa a economia da cidade toda”, pondera. Por outro lado, o setor terciário, o mais forte dentre os três principais segmentos econômicos da cidade, é o que paga os menores salários, segundo informa Cafeo.

“Este é o grande problema. O nível de salário, horas extras e de conquistas do setor industrial é muito maior”, observa. No período entre janeiro e outubro deste ano, as ocupações que mais admitiram em Bauru foram servente de obras (com salário médio de R$ 590,99), vendedor de comércio varejista (R$ 599,40), pedreiro (R$ 767,82), auxiliar de escritório (R$ 574,74) e faxineiro (R$ 491,08).

Saldo maior

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Walace Sampaio, mesmo com os efeitos da crise econômica mundial, o saldo entre contratações e demissões, até o final de 2008, deve superar o registrado em todo o ano passado, quando foram computados 5.706 novos empregos formais. Em sua avaliação, os meses de novembro e dezembro, tradicionalmente, são os que mais contratam funcionários no setor terciário e, por isso, o saldo deve registrar alta.

“Se Bauru fosse dependende do setor industrial ou rural, por exemplo, poderíamos sofrer um impacto forte (em razão da crise) agora. Como não é o nosso caso, acredito que estes reflexos devem ser sentidos a partir do ano que vem, mas em menor intensidade em relação ao Estado e ao País”, pondera.

Ele aponta que, mesmo diante de um cenário instável, Bauru registrou em outubro um aumento de 0,86% na quantidade de empregos em relação a setembro, enquanto o Estado de São Paulo registrou acréscimo de 0,33% e o Brasil, 0,2%. “Daqui em diante, poderemos ter uma desaceleração do ritmo de aumento do número de vagas de trabalho, mas não há nenhuma projeção de redução da quantidade de empregos”, afirma.

Foi através do aumento da oferta de postos de trabalho no final do ano que a balconista Grace Kelli Carvalho, 32 anos, conseguiu conquistar um emprego no comércio de Bauru. Há dois meses trabalhando em uma loja de confecções instalada do Calçadão da Batista de Carvalho, ela chegou a ficar seis meses desempregada durante este ano. “Fiquei um bom tempo procurando trabalho, até que surgiu essa oportunidade. E, como estou me saindo bem, acho que tenho grandes chances de ser efetivada no ano que vem”, comemora.

Fonte: jcnet.com.br

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