Quando acabam as aulas, sobram energia e disposição na criançada para aproveitar as férias. E com poucos equipamentos públicos, como centros de lazer, de convivência e ginásios poliesportivos nos bairros de Bauru, o cenário escolhido para a diversão é um espaço público, democrático e em alguns lugares, recreativo: a rua.
Sem muitas opções, a criançada dá seu “jeitinho” e faz das brincadeiras de rua as suas preferidas. É assim com Guilherme Marcelo Soares, 13 anos, morador do Núcleo Geisel. “Eu gostaria que tivesse mais coisas para fazer, mas eu me divirto brincando na rua com meus amigos”, conta.
Enquanto o adolescente diverte-se, a preocupação fica com sua mãe. “Às vezes, fico com medo. Seria melhor se as crianças tivessem onde brincar aqui, um centro de lazer com opções de esporte, que é o que eles gostam”, considera Clarice Dias Soares. “O bom é que a rua aqui não é tão movimentada e as crianças conseguem ter um pouco de liberdade”, completa.
Apesar de Bauru ser um grande centro regional, ainda preserva algumas características de cidades pequenas, como ruas pouco movimentadas e bastante integração entre os vizinhos. A dona de casa Tatiana Correa da Silva, moradora do Núcleo Mary Dota, diz ficar mais tranqüila quando seu filho Wagner Adalberto Picelli Júnior, 8 anos, sai à rua para brincar porque há uma cooperação entre os moradores, que ficam atentos às crianças. “Aqui, um olha pelo filho do outro”, comenta.
Entre as brincadeiras mais comuns, estão esconde-esconde, futebol, bets e andar de bicicleta. Mas, em alguns bairros como no Núcleo Mary Dota e no Jardim Redentor, a diversão preferida é soltar pipa. Nos terrenos baldios ou mesmo nas ruas, driblando a fiação elétrica, os meninos empinam papagaios que sobem com facilidade e deixam o céu mais colorido.
‘Point’ da molecada
Boquiabertos e com olhar fixo no balanço da pipa e no trajeto que ela faz, os estudantes Patrick Augusto dos Santos, 13 anos, Gabriel Wendrick, 11 anos, e Mateus Miranda, 12 anos, do Jardim Redentor, passam momentos agradáveis na rua São Lucas. Lá, é o “point” da molecada brincar.
Com o avanço da tecnologia nas últimas duas décadas, muitas coisas mudaram e já não se brinca muito como nas gerações passadas. Entretanto, parece que tradicionais jogos ainda persistem nos bairros e permanecem no imaginário de meninos e meninas.
Para os três garotos, a preferência é a rua. “Prefiro muito mais brincar fora de casa. Por exemplo, em casa não dá nem para soltar pipa!”, diz Mateus.
Já Patrick resumiu em apenas duas palavras, respectivamente, o que as férias e o gosto de brincar na rua representam para ele: liberdade e alegria.
Fonte: jcnet.com.br
Crianças aproveitam férias nas ruas
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