Fila para adoção tem dez casais para cada criança

W. S. V. tem 16 anos e há alguns meses não mora mais com a família. Ele é apenas um dos 104 menores de idade que vivem nos seis abrigos de Bauru mantidos por meio de convênios entre prefeitura, governo estadual e instituições da cidade. Problemas de relacionamento com os familiares ou a orfandade levam essas crianças e adolescentes às casas de apoio.

Desses, porém, apenas 15 estão disponíveis para a adoção: são três crianças de até 7 anos e 12 acima dessa idade. Os demais abrigados – 89 no total – aguardam a decisão da Justiça para retornarem às suas famílias ou integrarem também a lista de adotáveis.

Já o número de casais cadastrados no Fórum da Comarca da cidade e que estão interessados em adotar um filho chega a 160. Então, por que muitos desses futuros pais precisam esperar até dois anos para conseguir legitimar uma criança?

De acordo com o promotor da Vara da Infância e Juventude, Lucas Pimentel, a demora ocorre por dois fatores: primeiro, porque a maioria dos casais deseja adotar um filho ainda bebê, saudável, com no máximo 24 meses de vida, e quase não há crianças assim nos abrigos; segundo, porque o processo judicial pode se arrastar quando os pais biológicos não aceitam perder a guarda dos filhos – é a chamada adoção litigiosa.

“Nesses casos, o Ministério Público quebra o vínculo jurídico, destitui o vínculo familiar e a criança fica apta para ser adotada. Os pais biológicos podem recorrer até última instância e o processo se arrasta mesmo”, explica.

Segundo a assistente social do Fórum, Erika Martins, faltam casais dispostos a adotar menores acima dos 5 anos, portadores de deficiência e soropositivos. “São crianças e adolescentes que necessitam de muito carinho”, diz.

Cursos garantem o autogerenciamento

Dos 104 adolescentes que hoje estão em abrigos, muitos participam de cursos e oficinas que ajudam na hora em que forem procurar um emprego. É o caso de W. S. V., que mora no Lassa (Lar Social Santa Aníbal). Ele acompanha de segunda à sexta-feira as atividades do Pró-Jovem, na Casa do Garoto.

“Já aprendi a ser mais responsável, mais calmo e a valorizar mais as pessoas e a natureza”, conta o jovem, que sonha em cursar faculdade de biologia.

Essas atividades, segundo a assistente social do Lassa, Fernanda Saraiva de Lima, são fundamentais para que os adolescentes aprendam a autogerenciar suas próprias vidas após deixarem os abrigos. “Muda o comportamento deles, ocupa o tempo”, diz.

Quando atingem 18 anos e ainda não foram adotados, os jovens vão para uma espécie de república custeada pelos governos municipal e estadual e empresas. É o caso de P. D. S., que já atingiu a maior idade e em breve deixará o Lassa.

Ele já trabalha em um supermercado e faz curso no Senac. “Estou pronto para encarar a vida. Aprendi que sou capaz e hoje sei como conviver com as pessoas. Quero fazer faculdade e seguir em frente”, fala.

Fonte: redebomdia.com.br

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