Estela Almagro, 37 anos, a vice-prefeita eleita pelo PT, é a caçula de nove irmãos.
A mãe, empregada doméstica a maior parte da vida, teve dois casamentos. Cinco filhos nasceram no primeiro e quatro no segundo. O pai é um trabalhador rural que cortou muita cana na região.
A vice-prefeita cresceu no meio da pobreza e conta que foram vários os momentos difíceis.
O estilo político pragmático e até agressivo foi moldado nessa vida dura, típica do Brasil periférico.
“Não me sinto acuada em nenhuma situação adversa”, afirma Estela. “Sempre deixei claro que não me assusto com nada.”
Na campanha eleitoral deste ano, ela precisou exercitar o tempo todo esse espírito guerreiro.
Estela virou o alvo principal dos adversários, que a atacaram sem parar.
A petista considera um erro estratégico. Avalia que o empresário Caio Coube (PSDB), que disputou o segundo turno com o eleito Rodrigo Agostinho (PMDB), valorizou de forma excessiva a figura da vice e “secundarizou” seu próprio papel.
Petista tenta explicar rejeição
Para Estela, a rejeição a seu nome claramente percebida entre parte dos eleitores pode ser explicada pela polarização entre o PT e o PSDB, que vê como característica política da cidade.
“Muitos me amam e muitos me odeiam”, resume. Na turma dos que amam está o presidente local do PT, Sandro Bussola, militante que começou a trajetória política ao ser convidado pelo vereador petista José Carlos Batata a trabalhar numa campanha eleitoral.
Era ligado a movimentos progressistas da Igreja Católica, assim como Batata, que na época disputava a segunda eleição para a Câmara.
Hoje Sandro é mais ligado a Estela do que ao vereador. “Ela venceu os preconceitos. É mulher, pobre e chegou aonde chegou.”
Do lado contrário está outro petista, Roque Ferreira, sindicalista eleito vereador após 30 anos de militância. Roque é econômico ao falar sobre Estela. “Nossa relação é institucional”, diz. “E faço questão que fique assim”, completa.
Os dois têm divergências nas opiniões políticas, na ideologia e na forma como militam e encaram a disputa pelo poder.
“Não conseguimos agradar a todos”, analisa Batata, marido de Estela.
Filhos têm nome de Lula
Fãs do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem se identificam por causa da origem humilde e militância partidária, Estela e Batata fizeram uma homenagem ao ídolo ao escolher os nomes dos dois filhos: Luiz Vitor, 11, e Luiz Gustavo, 5.
Os meninos são sempre tema das conversas da vice. Ela viaja muito, tem agenda política lotada e pouco tempo para ficar com as duas crianças.
O mais velho é jogador de futebol e mais apegado ao pai, também boleiro. O caçula sente bastante a falta da mãe. A avó materna é quem ajuda na criação, pois mora junto com a família.
Estela conheceu Batata na faculdade de direito, em 1992. Ele liderava entre os estudantes o movimento Fora Collor. Ela se engajou, gostou, foi para o PT e logo assumiu a liderança do partido, onde está até hoje, mesmo sem ocupar a presidência.
Fonte: redebomdia.com.br
‘Nada me assusta’, diz a vice que terá até gabinete
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