Montes e montes de papelão, de plástico e até de latinhas de alumínio. Esta é a cena na Cooperativa de Reciclagem de Bauru, apoiada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), e de muitos ferros-velhos da cidade. Mas o acúmulo de materiais recicláveis está longe de ser motivo de alegria para os 27 cooperados e para quem recolhe os produtos de casa em casa. A demanda por esses materiais caiu significativamente por causa da crise mundial. E o preço, também.
O quilo do papelão para reciclagem caiu de R$ 0,28 para R$ 0,12 após a crise, de acordo com a cooperativa. Até a latinha de alumínio, material mais caro entre os recicláveis e que mais lucro dava para os catadores, desvalorizou. Antes da crise, os catadores vendiam o quilo de latinha a R$ 3,50, R$ 3,80. Agora, se quiserem escoar a mercadoria, têm de aceitar, na melhor das negociações, R$ 2,00 pelo quilo.
Tanto os cooperados, que separam e vendem os recicláveis recolhidos pela Semma, quanto os catadores que coletam os recicláveis de casa em casa estão sendo atingidos em cheio pela crise mundial. Se até novembro do ano passado era difícil tirar o sustendo com recicláveis, agora está mais ainda, confirma o catador Antônio Francisco de Melo.
Com os papelões que recolhia nas ruas, até novembro do ano passado ele conseguia perto de R$ 1 mil por mês. Como o preço caiu muito, ele continua trabalhando, mas vai estocar o material até fevereiro ou março, época que espera que os ferros-velhos da cidade passem a pagar mais pelo produto. “Enquanto isso vou tentando outras alternativas para viver”, disse ele.
Há dois anos, Maria Aparecida Silveira, 45 anos, trabalha com materiais recicláveis na Cooperativa de Reciclagem. Ela conta que é deste trabalho que tira o sustento de seus sete filhos. Trabalhar em meio ao lixo, o que seria um sacrifício para muita gente, não desanima a mulher. “Gosto do trabalho que faço. Além de garantir o sustento da minha família, ainda contribuo com a reciclagem e, com isso, ajudo a preservar o meio ambiente”, diz.
Apesar de gostar do seu trabalho, Maria Aparecida está apreensiva com a queda no preço dos materiais recicláveis. Ela, que chegava a ganhar R$ 700,00 mensais, agora não tira mais que R$ 450,00. “Minha esperança é que em fevereiro ou março os preços voltem a subir, pois estou sentindo dificuldades para pagar todas as minhas contas”, preocupa-se.
Os 27 cooperados separam os materiais recicláveis coletados na cidade pelos quatro caminhões da Semma. Até novembro, cada trabalhador recebia, em média, R$ 700,00 mensais por oito horas trabalhadas por dia. Em dezembro e janeiro a renda caiu para R$ 450,00, em média.
Sidney Rodrigues, diretor do departamento de ações e recursos ambientais da Semma, ressalta que as grandes empresas de reciclagem não estão comprando o material por medo da crise, por não saberem o que esperar do mercado. “A tendência é que haja um pequeno aumento de preços entre fevereiro e março”, diz.
Fonte: jcnet.com.br
Crise derruba preço de material reciclável e prejudica catadores
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