Há 15 anos, quando foi morar no Japão, a jornalista bauruense Marina Saito, 39, apostou na vida em um país onde as pessoas trabalhavam muito, mas tinham salários que permitiam guardar dinheiro e até ajudar os familiares que ficaram no Brasil.
O cenário começou a mudar no início da década. A crise econômica mundial, iniciada no final do ano passado, agravou a situação. Agora, o Japão praticamente expulsa os brasileiros que há 20 anos protagonizaram um grande movimento de imigração em busca de serviços bem remunerados.
“Acredito que 80% dos que voltam deixaram o Japão por causa da falta de empregos”, afirma outro bauruense, já no Brasil, que prefere não ter o nome divulgado.
Marina prepara o retorno. Ela já trabalhou como intérprete e num pet shop. Agora está desempregada.
“As fábricas aqui só dispensam as pessoas”, relata.
No Estado de Mie-ken, onde ela mora, duas fábricas demitiram todos os brasileiros na semana do Natal.
A jornalista conhece histórias de dekasseguis que ficaram sem casa e moram na rua. Foi o que aconteceu com outro bauruense, Flávio Ideiti Murakami, que virou personagem de jornais e revistas ao percorrer de bicicleta 400 quilômetros de uma cidade a outra em busca de emprego. Ele e a mulher querem juntar dinheiro para voltar ao Brasil. Dormiram em praças e banheiros públicos e viveram de doações durante duas semanas.
A recessão japonesa obriga as indústrias a diminuir a produção e, em consequência, dispensar trabalhadores. Além disso, chineses, filipinos, peruanos e indonésios são contratados como trainees, ganham menos que os brasileiros e agravam a crise dos dekasseguis.
Fonte: redebomdia.com.br
Crise econômica dá início ao fim da ‘era dekassegui’
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